Guilherme Duarte
Representantes da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), empresa que administra o ramal ferroviário que corta o município de Rio Bonito, se reuniram na manhã de ontem com o prefeito José Luiz Alves Antunes para tentar solucionar um antigo impasse entre a empresa e a Prefeitura. Durante cerca uma hora e meia, as duas partes tentaram chegar a um acordo sobre o destino que será dado a área anexa a linha férrea. A Prefeitura luta para urbanizar o local, mas a FCA diz que não tem autonomia para ceder a área, já que é concedida pelo governo federal.
Para piorar a situação, na última quarta-feira (11), funcionários da FCA instalaram barreiras nos acessos a essas áreas (para impedir que motoristas estacionem os carros no local) sem a autorização do município, o que estremeceu ainda mais a relação entre a empresa e Prefeitura. Acompanhados de alguns seguranças, os operários da FCA chegaram a instalar algumas vigas de ferro, mas logo foram impedidos de continuar trabalhando por fiscais da prefeitura, que embargaram a obra.
Visivelmente irritado, o prefeito José Luiz Alves Antunes precisou sair minutos antes de terminar a reunião, devido a outro compromisso. Na saída, o prefeito disparou contra a empresa. “Estamos há um bom tempo tentando entrar em acordo com a FCA, mas até hoje não conseguimos. Nós queremos ser parceiros, mas pelo jeito a FCA não quer. Mas antes de tudo temos que ser parceiros da população riobonitense, não vou deixar isso ficar como está. Vou lutar para construir um estacionamento e urbanizar essas áreas, que estão completamente abandonadas”, alfinetou.
Procurada para comentar a reunião, a analista de comunicação da empresa, Driele Travaglia, que participou do encontro, disse que apenas o assessor de imprensa da FCA, que naquele momento estava na sede da empresa, em Minas Gerais, poderia falar sobre o assunto. Via telefone, Ernesto Silva, assessor de imprensa da empresa, afirmou que a reunião serviu para a retomada das negociações sobre o remanejamento do pátio de manobras da empresa. “Essas decisões não cabem somente a FCA. Nós temos um contrato de concessão para explorar a referida área, não podemos tomar nenhuma decisão sem o consentimento do governo federal. Vamos entrar em contato com o DNIT e a ANTT para chegarmos a uma solução. Quanto a barreira instalada, estamos apenas protegendo o patrimônio”, disse.
Já o secretário de Desenvolvimento Urbano, Luis Francisco Soares, que também participou da reunião, assim como o Procurador Geral do município, Luiz Guilherme Cordeiro, revelou que até a próxima segunda-feira a FCA deverá ter uma posição sobre o impasse. “Vamos aguardar uma posição da empresa para tomarmos qualquer atitude”, informou o secretário.