Evaldo Nascimento

A dona-de-casa Maria Madalena Thomaz Silva olha desolada para o que sobrou das telhas de amianto de dois cômodos da sua modesta residência, às margens da Rodovia BR-101, no bairro Caxito; sua vizinha Telma da Silva Ferreira lamenta a devastação do telhado de dois quartos e um banheiro, falando da impossibilidade de refazê-lo; um pouco mais adiante, na localidade de Sítio São Domingos, Maria dos Reis reclama, ainda, de dores de cabeça causadas pelo susto de ter visto a cobertura de duas dependências de sua casa ser literalmente levada pelo vento. Estes são os dramas de apenas três das 79 famílias diretamente atingidas (76 com as casas danificadas e três destruídas) pelo vendaval com rajadas de até 80 quilômetros por hora que atinge o município de Silva Jardim na tarde de quinta-feira (6). O sinistro prejudica ainda a uma média de 8.500 habitantes de modo geral e deixa vários prédios públicos e particulares danificados.

A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (CMDC) libera relatórios dando conta de que o montante dos “Danos materiais em residências populares” importa em R$ 311 mil; em “Outros tipos de residências”, são da ordem de R$73,5 mil; em “Instituições públicas de ensino”, de R$ 17 mil; “Infra-estrutura pública”, de R$85 mil e, de “Comerciais”, R$ 25,5 mil. O levantamento dos prejuízos nos setores da Economia revela R$3 mil (grãos/cereais/leguminosas), R$4,9 mil (Fruticultura) e R$25,5 mil (Comércio). Em “Outros danos ambientais relativos à Flora”, as perdas são de R$8,3 mil. No quesito “Prejuízos sociais em serviços essenciais”, figuram R$50 mil referentes à rede de distribuição elétrica, R$241,9 mil (consumidores sem energia); R$50 mil (rede de comunicações); R$30 mil (estações retransmissoras); R$299 mil (coleta de lixo); e R$360,00 (assistência médica).

O prefeito Elmari do Nascimento decreta Estado de Emergência, e o município utiliza recursos próprios para restabelecer a normalidade social na cidade (promover a recuperação de residências, redes de energia elétrica e de comunicação). “O trabalho de atendimento e levantamento é feito em parceria com as Secretarias de Obras, Saúde e Promoção Social, com o apoio ainda da Guarda Municipal”, explica Edmilson, acrescentando que há pessoas com pequenos ferimentos devido a queda de fragmentos de telhas. De posse do levantamento, a CMDC e a Secretaria de Habitação, Trabalho e Promoção Social (SMHTPS) distribuem às famílias prejudicadas telhas, colchonetes, cobertores e outros materiais que já estão armazenados na sede da SMHTPS, e/ou são adquiridos no comércio local.

Os maiores danos em residências registram-se nos bairros de Cidade Nova, especificamente no Morro de São Carlos, Caxito e Caju (neste último ficam até pessoas desalojadas). No Caxito, as moradoras Maria Madalena, Telma da Silva Ferreira e Maria dos Reis são exemplos das mais prejudicadas. No Centro da cidade, o temporal destelha mais da metade do Centro de Educação Pública Municipal (CEPM), bem como o complexo de instalações que abriga a creche municipal Emanuel, a Fundação Leão XIII e o setor de identificação do Detran, na Avenida Oito de Maio; além de parte da cobertura do ginásio poliesportivo Jorge Mendonça. Também afeta o telhado da Procuradoria Jurídica da Prefeitura, destelha os galpões onde ficam guardados, respectivamente, os coletivos das Viações Opala e Rio Ita, assim como o lava a jato de Wilson Molin, em frente à Primeira Igreja Batista, e o beiral do antigo prédio onde funcionava a 120ª Delegacia de Polícia, na Rua Luiz Gomes.

Fora do Centro, os maiores estragos em prédios públicos acontecem na Escola Municipal Serra do Sambê, em Mato Alto. Outros bairros atingidos são Cesário Alvim, Biquinha, Santo Expedito, Nossa Senhora da Lapa, Coqueiro, Mato Alto, Reginópolis, Varginha e Serra da Caatinga. A fúria do vento também derruba parte do muro da quadra de terrenos de propriedade do ex-secretário de Educação, professor Gabardo, próximo a cerâmica Uniplan, no bairro Fazenda Brasil, bem como arranca algumas telhas em moradias na mesma localidade. Quebra, ainda, galhos de várias árvores e arbustos em diversos bairros, arranca e retorce placas de metal, portões de garagens e faixas de propagandas.

O clímax no Centro

 

São quase cinco horas da tarde quando o tufão chega ao Centro da cidade; levanta imensas nuvens de poeira em grandes redemoinhos e espalha um spray de chuva fria, que obriga as pessoas (inclusive este repórter) a buscarem abrigos nos comércios. Os negociantes mais precavidos recolhem as mercadorias expostas e abaixam as portas de suas lojas, como o Supermercado Tinoco, onde o vento ameaça carregar os objetos das caixas de compras que serão entregues em domicílio, e até mesmo das prateleiras. Imensa folha de uma das palmeiras existentes na colina da Igreja despenca com estrondo numa das laterais da Rua Luiz Gomes, assustando algum temerário que ainda se arrisca a transitar no calçadão. A violência do vento faz com que fios de alta tensão choquem-se uns aos outros causando curtos-circuitos que espalham faíscas no ar e interrompem o fornecimento de energia.

A dedicação dos voluntários

O trabalho de levantamento dos danos causados pelo temporal e o atendimento aos atingidos é bem desenvolvido graças, também, aos voluntários da Coordenadoria de Defesa Civil de Silva Jardim, que se empenham diuturnamente para verificar as necessidades das famílias atingidas, assim como saber a extensão dos estragos. “Desde a última quinta-feira que estamos trabalhando direto até cerca de uma hora da madrugada, percorrendo os locais afetados”, revela o agente-voluntário Wanderson Galvão; que compõe uma equipe dinâmica com os companheiros Fernando Pinto, Vanderlan, Eloíde, Zelita, Paulo Cordeiro, Rosalvo e Íris, assim como com os agentes efetivos Marilza Cordeiro (subcoordenadora da CMDC), Juracy Júnior e Rosilanes Leite. Felizmente, o vento não levou a dedicação e a disposição de trabalhar desses abnegados.