Guilherme Duarte
“Eu havia acabado de chegar do serviço quando tudo desmoronou. Entrei em desespero ao ver que tudo que eu havia conquistado na vida tinha se acabado em segundos. Mas graças a Deus ninguém da minha família se feriu. No ano passado, fiquei oito meses alojada na sede da Guarda Municipal e, desta vez, não sei como vai ser”. O emocionado depoimento da merendeira Maria das Graças Santana Quintanilha, de 48 anos, sintetiza bem o sofrimento das mais de 1.200 pessoas que estão desabrigadas ou desalojadas, devido aos estragos causados pelas fortes chuvas que atingiram Rio Bonito na terça-feira (25).
Para abrigar esse grande número de pessoas, a Prefeitura de Rio Bonito disponibilizou, inicialmente, quatro escolas municipais (Cândido Soares, no Buraco da Gambá, Rômulo Tude, no Boqueirão, Raulbino Mesquita, no Basílio, e Paulo Pfeil, na Cidade Nova), que desde a última terça-feira vinham recebendo as famílias que não tinham para onde ir. Mas, como a demanda diminuiu, a Prefeitura preferiu alojar todas as famílias num só local, a Escola Municipal Professor Honesto de Almeida Carvalho (EMPHAC), o popular Ciep, na Mangueirinha. Para se ter uma idéia, ontem (28), apenas 43 pessoas estavam alojadas no local, pois a grande maioria já havia saído para ficar na casa de parentes. Uma conta corrente de número 15602-7, do Banco do Brasil (agência 0627-0), também foi aberta pela Prefeitura de Rio Bonito para que as pessoas possam fazer doações com objetivo de ajudar as vítimas dos temporais na cidade.
Segundo dados da Defesa Civil, até ontem, mais de 1.200 pessoas estavam desalojadas, 40 desabrigadas, 45 deslocadas, 2.280 diretamente afetadas, duas mortas, 32 enfermos, 12 feridos, cerca de duas mil casas ameaçadas de desabamento, 151 casas destruídas e 144 casas danificadas. Rio Bonito foi o município mais afetado pelas chuvas. No temporal da última terça-feira (25), em apenas uma hora choveu 60 milímetros, índice que normalmente é registrado em 15 dias nesta época do ano. Em entrevista a à Radio CBN, o comandante da Defesa Civil estadual, coronel Djalma Souza Filho, afirmou que há risco de novos deslizamentos no município. “Estamos fazendo um trabalho de prevenção em Rio Bonito, já que ainda podem ocorrer novos deslizamentos de terra e desabamento de casas”, disse.
Estratégia do governo
Durante a semana, o prefeito José Luiz Alves Antunes se reuniu com representantes da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros, seu secretariado, além da deputada federal Solange Almeida e o subsecretário de governo do estado, Alexandre Felipe, a fim de traçar estratégias para amenizar os estragos causados pela chuva. A reunião serviu para definir a função que cada um dos órgãos irá exercer no trabalho de reconstrução das áreas danificadas pelo temporal. “O trabalho não pode parar. É preciso continuar nas ruas para vencermos esses problemas. Precisamos de ajuda permanente de todas as esferas, tanto do governo municipal como estadual. Não adianta apenas socorrer as vítimas e achar que o problema foi solucionado”, afirmou o prefeito, após a reunião.
Bairro da Mangueirinha também foi castigado pela chuva
O bairro da Mangueirinha também foi bastante atingido pelo temporal. Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Leonil de Souza, o popular Boi, em algumas ruas, como, por exemplo, a José Cicarelli (foto), a água ultrapassou 1 metro. “A Mangueirinha foi completamente inundada. Já fomos à prefeitura diversas vezes para tentar arrumar uma solução para esse problema, mas nada foi resolvido. Toda a vez que chove a história se repete, inunda tudo e os moradores que ficam no prejuízo. No dia seguinte ao temporal, uma equipe da Serla esteve aqui no bairro vistoriando o canal. Eles esperam acontecer uma tragédia para arrumar uma solução”, disparou Boi.