Flávio Azevedo

Em uma eleição confusa e cheia de discussões – que pode render novos capítulos nos tribunais –, que foi organizada pelo interventor Ademir Azeredo, da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), o comerciante Faiça Abrahão, da chapa 1, foi eleito presidente da Liga Riobonitense de Desportos (LRD), para um mandato de quatro anos (2009/2012). A eleição aconteceu por aclamação, porque a chapa 2, que tinha como candidato o advogado Glauco Azevedo (Mamão), retirou a candidatura. Participaram da eleição os representantes do Castelo, Esperança, Cruzeiro, Motorista, Paineiras, Independente, Cinco Estrelas e do Esporte Clube Fluminense.

Depois da segunda chamada, que aconteceu por volta das 19h30min – a primeira chamada aconteceu às 19h – o interventor deu início aos trabalhos, explicando o motivo da intervenção e que apenas cinco clubes (Paineiras, Motorista, Independente, Cinco Estrelas e Esperança), teriam direito a voto. Segundo ele, os demais clubes estariam com pendências junto a FFERJ. “Castelo e Cruzeiro, até podem votar, mas os votos ficarão sub judice, porque embora eles estejam filiados a FFERJ, também têm pendências com a entidade”, justificou.

Essa informação gerou descontentamento em alguns representantes de clubes. O mais exaltado era o advogado Almir Pereira Pintas, representante do Castelo, de Boa Esperança, que questionou a legalidade da intervenção e da própria eleição. “Os clubes estão sendo menosprezados. Essa intervenção é irregular”, disparou Almir, que logo depois se retirou da assembléia. Antes, porém, de sair, ele fez sérias acusações contra a FFERJ: “as pessoas precisam ser respeitadas. Estão impondo uma situação, mas eu não permito isso, porque o estatuto não permite a reeleição. Isso é falta de respeito e desonestidade. É isso que o Dr. Rubens Lopes (presidente da FFERJ), quer a frente da Federação?”, questionou.

Sobre o último campeonato, que, segundo Almir Pintas, teria sido bem organizado, com arbitragem sem custos e pela primeira vez com uma junta disciplinar local e eficiente, o empresário Chamaco Nogueira Soares, presidente do Motorista FC discordou. “Esse campeonato não foi organizado pela FFERJ. Para mim foi um campeonato político. Eu pedi que fosse realizado depois de três de outubro, porque estávamos recentes na direção do Motorista, mas não adiantou”, lamentou. De acordo com o interventor Ademir Azeredo, algumas pessoas opinam sem ter conhecimento do estatuto da FFERJ. “As atas apresentadas por Castelo e Cruzeiro na FFERJ estavam vencidas e o Fluminense não é filiado a LRD. Apesar disso, os clubes descontentes podem recorrer ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD)”, argumentou.

Após a eleição, o presidente reeleito, Faiça Abrahão, entregou aos quatro clubes que permaneceram, um novo estatuto, que foi aprovado por unanimidade. O novo presidente justificou a mudança, alegando que “como o futebol evoluiu, o estatuto, criado quando a Liga foi fundada (19/01/53), também precisa evoluir”. Abrahão prometeu “um campeonato de alto nível para 2009”.

A intervenção

No dia 12 de novembro, através do ato 045/08, o presidente da FFERJ, Rubens Lopes, decretou a intervenção na LRD, por haver, segundo o Decreto, “a comprovação que o mandato da diretoria da LRD encontra-se encerrado há um longo período”. Além disso, o documento também dizia que “é urgente a necessidade de regularizar a situação administrativa da entidade, para que possa dar continuidade às ações que pavimentam sua existência”. No mesmo Ato, ficou decretado que os clubes filiados à Liga, deveriam se cadastrar e se regularizar. O interventor deveria, segundo o Decreto, “regularizar a situação dos filiados, em especial no que se refere à obtenção da Licença Desportiva para funcionamento; promover a convocação das eleições gerais da Liga e reorganizar a administração da entidade no que se fizer necessário”.

Motivos da polêmica

Segundo Faiça Abrahão, em agosto ele decidiu deixar a presidência da Liga e marcou o anúncio da sua saída para 29 de setembro. Porém, pendências dos clubes junto a FFERJ impediram a realização das eleições nessa data. Assim, Motorista, Castelo, Cruzeiro e Esperança, pediram uma reunião para o dia 20 de novembro. “Mas enquanto eles se organizavam, Paineiras, Independente e Cinco Estrelas também se legalizaram. Nesse espaço de tempo aconteceu a intervenção. Como havia uma reunião marcada pelos próprios clubes, para o dia 20 de novembro, a data foi escolhida pelo interventor para realizar as eleições”, revelou.

Na tarde da última quarta-feira (26), porém, representantes de Castelo, Fluminense, Esperança e Cruzeiro, anunciaram a contratação do escritório de advocacia, Antonio Carlos Guadelupe, para defender juridicamente os clubes. O advogado Almir Pintas, representante do Castelo, afirmou na ocasião, que “os clubes não reconhecem Abrahão como presidente, porque quando acontece uma intervenção, todo ato anterior a data é nulo”. Almir Pintas alega que os clubes que recorreram não foram informados que haveria uma eleição no dia 20 de novembro. “Fomos convidados para uma reunião, que imaginávamos ser para decidir quando seriam as eleições”, disse Almir.