Bastidores do Natal

Há cerca de dois mil anos atrás, nas longínquas terras do Oriente, acontecia uma das histórias mais contadas, escritas, encenadas e filmadas da cultura ocidental e moderna. Aliás, talvez seja a trama mais conhecida da história mundial, mesmo em países onde a orientação religiosa não é cristã. Estamos falando do nascimento de JESUS. Esse acontecimento, que segundo historiadores não aconteceu em dezembro, mas sim entre os meses de março, abril ou maio, a tradição denominou de “Natal”.

O que muita gente desconhece é que essa saga começou bem antes da criação do planeta. A narrativa a seguir, é feita sob um paradigma religioso, mas existem pessoas que não acreditam nessa versão. Porém, eu penso que a religião conta essa história de maneira mais poética, emocionante e consistente. Contudo, como você tem o privilégio do livre arbítrio, “acredite se quiser!”. Antes de a terra ser criada por Deus, houve no local onde os seres santos habitam um desentendimento. Um dos anjos mais importantes se rebelou contra o sistema de governo de Deus e passou a semear a discórdia no lugar onde só havia harmonia.

Esse anjo, de nome Lúcifer, foi expulso do paraíso de Deus, e levou consigo a terça parte dos integrantes da côrte divina. Esse ser passa a ser conhecido como Satanás, que significa adversário. Passado algum tempo, que não se pode precisar, Deus criou a terra e nela colocou o homem com a missão de governá-la. Descontente com Deus, mas sem conseguir vencê-lo, Satanás decidiu empregar todos os seus ardis para prejudicar a humanidade. E conseguiu. Adão e Eva comeram a fruta que Deus havia ordenado que não comessem, desobedeceram a Deus é se colocaram a favor do adversário. A sentença era a morte, mas já havia um plano para que isso não acontecesse: “Jesus morreria no lugar do homem”.

Os anos se passaram e cerca de quatro mil anos depois desse acontecimento, nascia em Belém, o Messias, o Salvador, ou, simplesmente, Jesus Cristo. Ao nascer, Ele deu o primeiro ensinamento: a humildade. Pois nasceu numa manjedoura, local onde o capim era colocado para alimentar os animais. Além disso, era Filho de Maria e José, pessoas do povo. Jesus cresceu na cidade de Nazaré, uma das mais impuras da época. Depois de 33 anos de uma vida irrepreensível, onde apenas fez o bem, Cristo foi julgado pelos judeus e romanos um revoltoso. Eles O condenaram a morte de cruz, que embora fosse um instrumento de suplício e morte, se tornou símbolo de salvação, perdão e redenção para a humanidade.

Jesus morreu, ressuscitou e retornou para o Céu, Seu lugar de origem. Porém, o mais importante dessa história é a promessa que Ele deixou de que um dia vai voltar. No capítulo 14, verso 3, do evangelho de São João, encontramos Jesus prometendo: “virei outra vez”. A Bíblia, o livro mais vendido do planeta, dá mais detalhes desses e outros fatos. Mas ela também indica como se deve proceder nesse grande conflito entre o bem e o mal. Nunca é demais lembrar, que Cristo não era um revoltoso, mas falou de mudanças. Ele não pregava a insurreição, mas preconizava a transformação na forma de agir e pensar.

Diz um pensamento: “ano novo, vida nova!”. E, que seja assim! Que neste Natal, Jesus nasça verdadeiramente em nossos corações. Vamos aderir a idéia da “Satyagraha – forma não violenta de protesto – ensinada por Cristo e protagonizada muitos séculos depois pelo indiano Mahatma Ghandi. Façamos uma revolução silenciosa para que possamos ser melhores em 2009. Penso que se cada um fizer a sua parte, o mundo será melhor. Filósofos e pensadores como Karl Marx, Hegel e Immanuel Kant, teriam dito que “a religião é o ópio do povo”. Apesar disso, São Paulo em sua carta aos romanos, aconselha: “não vos conformeis com o presente século” (12.2).

No dia primeiro de janeiro de 2009, novos mandatos estarão começando em todas as Prefeituras e Câmaras de Vereadores do país. Que as pessoas escolhidas para ocupar esse lugar nos próximos quatro anos e aqueles que eles escolherem para integrar suas equipes, durante esse tempo tenham esse pensamento. Que não seja apenas uma mudança de cadeiras, de nomes e de função, mas sim, uma mudança nas práticas, nos costumes e nos hábitos. Irmanados nesse propósito, sociedade e poder público podem realizar significativas transformações.

Talvez, quem conseguiu ler esse artigo até o fim esteja me chamando de Policarpo Quaresma – um visionário –, mas como diz a letra do samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, cantado pela escola em 1992: “sonhar não custa nada/E o meu sonho é tão real/Mergulhei nessa magia/Era tudo o que eu queria/Para esse carnaval (eu diria: “esse 2009”)/Deixe a sua mente vagar/Não custa nada sonhar/Viajar nos braços do infinito/Onde tudo é mais bonito...”.