A turba é a mesma

Em um dos últimos artigos que eu escrevi, lembro de ter comentado que uma das histórias mais conhecidas do mundo é o nascimento de Jesus Cristo. Outra história tão conhecida tem como protagonista o mesmo personagem, Jesus, e os eventos que envolvem a sua morte. A escritora norte-americana Ellen White, no livro “O Desejado de todas as Nações”, escreveu que “far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus”. De acordo com ela, a pessoa “deve tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais”. Em outra oportunidade, a mesma escritora afirma que qualquer tentativa de reprisar o sofrimento de Jesus, não é capaz de retratar na íntegra, o que Ele sofreu.

Segundo a história, o julgamento de Jesus ocorreu por ocasião de um feriado judeu chamado Páscoa. Nessa ocasião, era costume o governante soltar um prisioneiro. Pilatos, esse tal governante, não estava interessado em crucificar Jesus, mas precisava fazer uma média com aqueles que queriam condená-lo. Pilatos conhecia os milagres realizados por Jesus. Por isso, ele imaginou que se mandasse o povo decidir entre Cristo, que era inocente, e Barrabás, um bandido, Jesus seria escolhido para receber a liberdade. Assim, a culpa do livramento de Cristo recairia sobre o povo. Mas o seu plano não funcionou.

Quando Pilatos perguntou à turba: “quem vocês querem que eu solte: Jesus ou Barrabás?”. A multidão respondeu em uníssono: “Barrabás!”. Ainda meio atônito, não acreditando no que ouvia, Pilatos novamente pergunta: “então que farei de Jesus, chamado Cristo?”. E a turba enfurecida responde: “seja crucificado”! Ellen White comenta que naquele momento, ao lado de Cristo estava o Diabo. Ele mostrava para Jesus, entre aqueles que pediam a sua morte, alguns semblantes conhecidos. Eram pessoas que haviam sido beneficiadas pelos seus milagres. Ele dizia: “Olha como salta aquele aleijado que você curou! E aquele que está gritando? Era surdo-mudo e você o sarou. Já aquele ali, do lado esquerdo, é um dos que mais comeram no dia que você multiplicou cinco pães e dois peixes, em alimento para 12 mil pessoas”. Essa narrativa me deixou com náuseas!

A turba de ontem e de hoje, é a mesma massa que Karl Marx disse ser alienada. O objetivo de fazer essa introdução foi ilustrar um fato desagradável que aconteceu no dia primeiro de janeiro, quando foram empossados na Câmara Municipal de Rio Bonito, dez vereadores, o prefeito e o seu vice. O calor era intenso, mas a emoção era maior, sobretudo entre aqueles que chegaram ao Legislativo pela primeira vez. Contudo, a festa foi manchada pelo comportamento da turba, que pareciam ‘macacas de auditório’ do saudoso Abelardo Barbosa. Refiro-me aqui, a falta de respeito para com os vereadores Humberto Belgues (PSDB) e Carlos Cordeiro Neto, o Caneco, (PR) que foram vaiados e ridicularizados por parte dos presentes à cerimônia de posse, sobretudo Caneco, que quase não conseguiu discursar. Aliás, essa atitude abominável já havia vitimado o prefeito José Luiz Antunes (DEM), por ocasião da rejeição das suas contas em 29 de novembro de 2007.

Não estou comparando o vereador Caneco a Jesus Cristo. Longe disso! Ele não é nenhum santinho, tem lá sua parcela de culpa e eu já disse a eles porque penso assim. Mas a turba, essa sim atraiu a minha atenção. Estavam enlouquecidos e demonstravam a clássica alienação marxista. Penso que muitos desconhecem o teatro político e o que rola em seus bastidores. Vejam só! Entre os que vaiavam existiam pessoas que até pouco tempo criticavam o prefeito, e talvez tenham participado da encenação de novembro de 2007. Vi também entre eles, alguns que recentemente aplaudiam o vereador. Isso me levou a uma reflexão que quero dividir com o leitor: “sabemos que na classe política não existem santinhos! Isso é fato! E na turba, existem inocentes?”.

Retornando ao passado, é bom lembrar, que os historiadores afirmam que grande parte das pessoas que pediam a crucifixão de Jesus foi paga por aqueles que arquitetaram a sua morte. Outros estavam ali gratuitamente. O objetivo era agradar o sinédrio, uma espécie de suprema corte da época, para obter alguma benesse. Por isso, amigo, “A TURBA É A MESMA”! Que me desculpe Karl Marx, mas de alienada essa massa não tem nada. Pois segundo a tese marxista, a massa é alienada por desconhecer que é explorada. Entretanto, nos casos que abordamos, no passado e no presente, a turba têm consciência do que faz. Na verdade, ela age conforme o seu ‘vesgo’ interesse.

Se os políticos trabalham para si e traem o povo, a turba, pelo menos aqueles que ali estavam no dia primeiro de janeiro, repete a mesma prática condenável. Agiam orquestrados por seus interesses individuais. Por isso, ficou muito nítido, que a manifestação não foi válida e não representou o povo. Foi uma fraude! E digo mais. Uma rápida análise dos manifestantes permitirá descobrir, que seja em 29 de novembro de 2007, seja no último dia primeiro, os integrantes da turba não reúnem condições de vaiar ninguém, em nenhum local e em nenhuma ocasião.