
A dengue é um monstro fabricado
Depois de um período de trégua, a dengue volta a ser assunto. Preocupada com ela, a Prefeitura Municipal de Rio Bonito, através da Secretaria Municipal de Saúde lançou no último dia 14 um Plano de Ação Integrada para controlar a doença. Participam mais efetivamente dessa estratégia, as Secretarias de Obras e Serviços Públicos, Meio Ambiente, Educação e Cultura, e logicamente, o Hospital Regional Darcy Vargas, que é a nossa referência de socorro quando somos atingidos pela dengue ou por outra doença qualquer.
O motivo da preocupação é que nessa época do ano, com o aumento da temperatura e a grande quantidade de chuvas que caiu sobre Rio Bonito, alguma água deve ter ficado empoçada em algum lugar, e o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, certamente está encontrando condições favoráveis para se proliferar. Essa condição pode resultar em uma nova epidemia, como já aconteceu em 2008. Segundo a Vigilância Epidemiológica de Rio Bonito, de janeiro a setembro do ano passado, 870 casos de dengue foram registrados por aqui.
O poder público está mobilizado contra a dengue e o vetor que transmite a doença, através da realização de mutirões, que incluem, entre outras atividades, a limpeza de terrenos, a coleta de lixo, a utilização do carro fumacê e a eliminação de focos com larvas de mosquitos que transmitem a doença. Entre muitas opiniões que já ouvi sobre o combate a dengue, eu destaco algumas palavras dos Coordenadores do Núcleo de Educação e Saúde e de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Bonito, Olício Ferreira e Renato Estrela, respectivamente. Eles estiveram no programa “O Tempo em Rio Bonito”, que eu apresento na Rádio Sambê FM (105,9), no último dia 11 (domingo), e frisaram que “para a campanha obter bons resultados é preciso que a população colabore”.
Quando eles disseram essas palavras, eu decidi fazer uma reflexão sobre qual tem sido a nossa colaboração no combate a dengue. Aliás, geralmente, na maior cara de pau, nós achamos que somente o poder público tem essa obrigação. Contudo, é bom ressaltar que se nós não fizermos a nossa parte, os investimentos feitos pela Prefeitura ou pelo Estado são inúteis. Para que você tenha idéia de como isso funciona, atitudes simples como tampar a caixa d’água, remover objetos que impeçam a água das chuvas de correr pelas calhas, manter garrafas e outros recipientes tampados ou virados de boca para baixo e outras coisas mínimas, são ferramentas eficazes no combate a doença, mesmo que o poder público não seja tão eficiente em suas ações.
Mas, geralmente, qual é o nosso comportamento? Eu não vou responder, mas quero convidar o leitor, para apreciar os rios da cidade, por ocasião de uma chuva de verão. É uma visão no mínimo surreal. Digo isso, porque eu já vi um sofá flutuando no rio que margeia a Av. Manuel Duarte. É por isso... É por isso, que o Aedes aegypti é considerado um monstro e realmente faz grandes estragos. Na verdade, se existe algum monstro nessa história é o ser humano, com os seus hábitos relaxados e irresponsáveis. Eu não sei quem era o dono do tal sofá, mas eu não quero ir até a casa dele. Contando essa história para um amigo, ele disse que a casa dessa pessoa deve ser uma ‘pocilga’.
Refletindo sobre essa comparação, eu fui obrigado a sair em defesa da pocilga. Já vou explicar o motivo. A pocilga é um curral de porcos. E sou obrigado a reconhecer que quando eu estive pela primeira vez numa pocilga, me impressionou a limpeza e a organização do lugar. Diga-se de passagem, a pocilga que eu visitei, infelizmente, é mais limpa e asseada do que a casa de muita gente boa que eu conheço. Penso, porém, que está na hora de despertarmos do sono da irresponsabilidade e fazermos a nossa parte. O poder público tem obrigações sim, e às vezes não as cumpre. Mas isso não é motivo para contribuirmos emporcalhando o mundo. Por isso, eu afirmo que a dengue é um monstro fabricado. O mais sério é que essa fábrica, em muitas oportunidades, fica no nosso quintal.