Guilherme Duarte

Foi enterrado, na tarde da última segunda-feira (2), o corpo do radialista e jornalista Marcelo Galvi, que vinha lutando há vários meses contra uma diabete crônica. Galvi, de 67 anos, morreu às 7h do último domingo (1) no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio, onde estava internado desde o dia 9 de janeiro. Dezenas de amigos e familiares acompanharam o enterro, que foi realizado no cemitério de Rio Seco. Galvi, que era viúvo, deixa cinco filhos e sete netos.

Proprietário do Jornal Face, Marcelo Galvi, que na verdade se chamava Valfrido Salvo, se dizia ser uma pessoa bem relacionada e comunicativa. Além do jornalismo, Galvi tinha outra paixão: a Arte Cênica. Mas era com família que Marcelo gostava de passar a maior parte do tempo, como conta sua filha mais nova Fabíula Andrade Salvo, de 30 anos. “Ele era uma pessoa querida por todos e um pai super amoroso, mas também muito exigente e rígido. Ele vai deixar muita saudade. Perdi meu colo. Por ser a filha mais nova, eu era muito apegada com ele. Para se ter uma idéia, ele me dava presente até no Dia das Crianças. Nós tínhamos uma relação muito boa, éramos muito amigos”, disse.

Apesar de ter nascido em São Paulo, Galvi escolheu o município de Rio Bonito para morar. De acordo com Fabíula, mesmo apresentando sinais da doença, o jornalista não gostava nem de ouvir falar em hospital. “Meu pai se achava muito saudável. Ele nunca precisou ir ao médico e nem gostava de ouvir essa palavra. Por isso, só fomos descobrir que ele tinha diabetes, quando uma ferida em seu calcanhar direito não quis cicatrizar. A situação piorou quando descobrimos que as artérias já estavam entupidas. Ele chegou a ser internado por três vezes no Hospital Regional Darcy Vargas, mas precisou ser transferido para o Hospital dos Servidores”, contou.

Amputação

Como o quadro clínico de Galvi só piorava, os médicos acharam por bem amputar a sua perna direita. Marcelo passou por duas cirurgias e se recuperava da amputação na UTI do Hospital dos Servidores do Estado. Segundo Fabíula, no dia 29, Galvi teve uma significativa melhora e chegou a reconhecê-la. “Acompanhei todo esse processo clínico do meu pai. Quando fui ao hospital no dia 29, fiquei sabendo que ele teve uma boa melhora. Isso me deixou um pouco aliviada. Mas na madrugada do dia 1º, ele não resistiu a duas paradas cardíacas. Os médicos ainda tentaram reanimá-lo, mas não teve jeito devido a fragilidade da sua saúde”, explicou a filha, com lágrimas nos olhos.

Indignação

De acordo com Fabíula, um dia antes de seu pai ser transferido para o Hospital dos Servidores ela procurou a Prefeitura de Rio Bonito para pedir ajuda para levá-lo até o hospital, que fica no Centro do Rio de Janeiro. A resposta recebida deixou Fabíula bastante indignada. “Eles disseram que não havia nenhum veículo disponível para levar o meu pai para o hospital. Isso é uma falta de respeito. Estou cansada de ver carros da prefeitura pra cima e pra baixo levando filhinhos de políticos para tudo quanto é lugar. Eles não fizeram nada para ajudar a gente. Se não fosse a ajuda de amigos não sei se conseguíramos levá-lo para o hospital. Na época da eleição todo mundo procurava ele, mas depois que acabou, a história mudou completamente”, disparou.

Irmão morre vindo para o enterro

Se não bastasse o falecimento de Marcelo Galvi, outra triste notícia abalou a família do jornalista. Seu único irmão, Waldir Salvo, que vinha de São Paulo para acompanhar o enterro, enfartou durante a viagem e também morreu. Ele chegou a ser socorrido no Hospital João Baptista Caffaro, mas não resistiu. Waldir foi enterrado na terça-feira (3), no mesmo cemitério onde o corpo de Galvi havia sido sepultado. “Quando liguei para avisá-lo sobre a morte do meu pai, ele me disse para eu ter calma e que tudo ia ficar bem. Ele pediu para que eu tivesse tranquilidade, que ele já estava chegando. Confesso que não esperava que isso fosse acontecer, pois ele era um homem forte que esbanjava saúde. Perdi meus dois pais na mesma semana”, lamentou Fabíula.

Marcelo Galvi

* 17/07/1961

* 01/02/2008

*Fica aqui uma singela homenagem da equipe do Jornal Folha da Terra para o amigo e colega de profissão Marcelo Galvi.