Flávio Azevedo

O fechamento do acesso à BR–101 pela Rua Major Ferreira – na subida da antiga fábrica Ojuara –, no bairro da Cidade Nova, em Rio Bonito, pela Autopista Fluminense, na semana passada ainda é assunto na cidade, e promete novos desdobramentos nos próximos dias. Em entrevista, por telefone, ao programa “O Tempo em Rio Bonito”, da rádio Sambê FM (105,9), no último domingo (8), o prefeito José Luiz Antunes (DEM), deixou clara a sua insatisfação com a concessionária. Ao comentar o assunto, o prefeito também criticou o poder Judiciário. Segundo José Luiz, “além de não ajudar o poder Executivo, os juízes e desembargadores tomam as suas decisões sem sair do gabinete para saber sobre o que estão decidindo”.

O motivo da insatisfação do prefeito, com o poder Judiciário é a decisão favorável a Autopista Fluminense, no embate judicial que a empresa tem com a Prefeitura, que embargou no dia 14 de outubro de 2008, as obras da praça do pedágio, no Km 252 da rodovia BR–101. Na época, os fiscais da prefeitura alegaram que a concessionária, além de não ter o licenciamento ambiental do município para iniciar as obras, também não possuía alvará para realizar o trabalho.

De acordo com o prefeito José Luiz, depois do embargo a empresa recorreu a Justiça e conseguiu uma liminar para continuar trabalhando. Depois dessa decisão, a Procuradoria Geral do Município recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que segundo o prefeito, deu novo parecer favorável a Autopista Fluminense, para continuar as obras da praça do pedágio, que ainda estão em andamento.

Nova polêmica

Se as relações entre a Autopista Fluminense e a Prefeitura de Rio Bonito não eram boas, a gota d’água foi o fechamento do acesso pela Rua Major Ferreira. Durante a entrevista na Rádio Sambê FM o prefeito reconheceu que é preciso zelar pela segurança dos munícipes e dos usuários da BR–101, “mas também devemos zelar pelos nossos comerciantes e empresários que dão emprego e fortalecem a economia de Rio Bonito”, frisou. Ele se referia ao empresário Maurício Gomes da Silva, dono de uma marmoraria próximo ao acesso que foi fechado pela Autopista. A entrada pela rodovia é o principal acesso dos caminhões carregados de granito que chegam ao pátio da empresa, que está impossibilitada de receber suas mercadorias.

Maurício Gomes, que participou do programa no estúdio da Sambê FM, lembrou que sem o acesso pela BR–101, os caminhões terão que passar pelo Centro da cidade e subir a Rua Major Ferreira até a empresa, que fica no fim da rua. Ele teme que um acidente grave aconteça no local, enquanto os caminhões estiverem manobrando para entrar no pátio para descarregar. A preocupação do empresário tem fundamento, porque recentemente dois caminhões desceram a mesma ladeira e um deles, desgovernado, quase provocou uma tragédia. “Não faz muito tempo aconteceram dois acidentes na nossa rua, mas sempre com caminhões que estavam subindo. Descendo isso nunca aconteceu”, analisou o empresário. Ele também demonstrou preocupação com o futuro dos seus 11 funcionários. “Dessa maneira eu não sei se vou poder continuar com a empresa. Tenho várias encomendas para entregar, mas não tenho mercadoria, porque o caminhão não pode descarregar”, lamentou.

Prefeito se reúne com empresário

O prefeito José Luiz Antunes prometeu defender o empresário na luta contra a Autopista Fluminense. “O que eu puder fazer por ele vou fazer. Quando ele for à concessionária eu vou com ele, porque é preciso encontrar uma maneira de atender a todos os interesses”, explicou José Luiz, que esteve com o empresário na última segunda-feira (9), para conversar sobre o assunto.

Durante a entrevista o prefeito explicou que acompanhou a privatização da BR–101 desde o início e lembrou que tem experiência nesse assunto, “porque vi como aconteceu o processo de privatização da RJ–124, que se tornou a Via Lagos”, disse. José Luiz revelou que fez um levantamento de todos os pontos críticos da rodovia, em toda a extensão que corta Rio Bonito. “Fiz um levantamento dos pontos vulneráveis da divisa de Rio Bonito com Silva Jardim, até os limites com Tanguá. Tem uma série de bueiros, viadutos e acessos maus feitos que precisam ser revistos”, cobrou o prefeito.

Parte da indignação do prefeito acontece, porque, segundo ele, em 2006, antes da privatização, ele encaminhou ao Ministério dos Transportes, à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), ofícios apresentando esses problemas e solicitando a realização desses serviços. O prefeito lembrou que em toda a extensão da BR–101 existem 24 pontos vulneráveis. “Quando começou a construção da praça do pedágio em Rio Bonito eu embarguei a obra, mas eles (a Autopista) conseguiram uma liminar para continuar. O embargo foi respaldado no estudo que eu havia feito em 2006”, informou.

Apelo

O chefe do Executivo deixou claro durante a entrevista, que não acredita na Justiça para mediar essa questão. “Faço um apelo ao poder Judiciário: que os juízes e desembargadores não tomem as suas decisões de seus gabinetes sem antes mandar um perito para conhecer a real situação”, disparou.