Guilherme Duarte
Embora a polícia afirme que Enyl Dias Ferreira de Souza, de 37 anos, tenha sido morto após ter reagido a um assalto no Centro do Rio de Janeiro, a família do técnico de informática não acredita nesta hipótese. Para os familiares, Enyl, morador do bairro Bela Vista, em Rio Bonito, nunca reagiria a um assalto, ainda mais a mão armada. A família acredita que os bandidos se assustaram ao ver Enyl tentando se desvencilhar de uma mochila que estava presa ao corpo e dispararam contra ele, pensando que a vítima pegaria uma arma. “Ele sempre aconselhava o filho à nunca reagir a um assalto. Não acredito que ele tenha feito isso. A hipótese mais provável é que ele tenha feito algum movimento brusco que assustou os assaltantes. Ele estava com uma mochila presa às costas e ao tentar tirar, os assaltantes devem ter achado que ele iria pegar alguma coisa. Além disso, ele estava com tendinite nos dos ombros”, afirmou Deyl Dias, irmão da vítima.
Enyl Dias foi morto na última terça-feira (10), em plena luz do dia, com um tiro no peito em uma das esquinas mais movimentadas do Centro do Rio de Janeiro: a da Avenida Presidente Antônio Carlos com a Rua Araújo Porto Alegre (em frente ao prédio do Ministério da Fazenda). Segundo a polícia, dois homens armados roubaram a motocicleta, uma Yamaha XTZ, e ainda por cima atiraram contra a vítima, que não resistiu e morreu no local. Segundo a família, Enyl estava no Rio a trabalho, já que tinha diversos clientes pelo Centro do Rio. Centenas de pessoas, entre familiares e amigos, compareceram ao enterro do técnico de informática, que aconteceu na última quarta-feira (11), no cemitério Jardim das Acácias, no Basílio.
Filho completou 19 anos no dia do assassinato
Devido a tendinite nos dois ombros, Enyl estava há 15 dias sem trabalhar fora de casa. Sua esposa, Teresa Cristina Ferreira da Rocha Souza, contou que ele havia voltado ao trabalho naquele dia. “Ele tinha muitos clientes no Rio de Janeiro e sempre ia trabalhar de moto. Para levar o material de trabalho, ele usava uma mochila enorme. Na terça-feira, ele saiu de casa por volta das 9h dizendo que tinha um cliente em Copacabana para atender. Ele falou que não iria demorar, pois era aniversário do nosso filho mais velho. Quando fiquei sabendo da notícia quase não acreditei. Ele era uma pessoa muito especial e um homem muito religioso. Era querido por todos. Vamos sentir muito a falta dele”, disse Teresa.
Visivelmente abalada, a filha mais nova do casal, Tamires Ferreira, de 12 anos, revelou que foi a primeira a atender o telefonema da polícia. Ela afirma que, para ela, o policial disse apenas que Elyl tinha sido assaltado e que precisava falar com um adulto. “Dei o recado a minha mãe, que veio correndo para casa. Minutos depois, o policial ligou de novo e disse à minha mãe que meu pai tinha sido baleado, mas que ainda estava vivo. Ela não acreditou e passou o telefone para um amigo que a trouxe do trabalho. Para ele, o policial contou a verdade e disse que meu pai tinha sido morto após o assalto. Ao desligar o telefone, o amigo da minha mãe entrou em estado de choque e foi embora sem contar nada. Algum tempo depois, ele voltou e deu a notícia. Foi horrível, não quis acreditar que meu pai estava morto”, contou Tamires, acrescentando que sentirá muita falta do pai. “Ele era muito especial para mim. Vou sentir muita falta das nossas brincadeiras. Meu amor por ele vai ficar para sempre. Vamos lembrá-lo como uma pessoa super alegre, que fazia todo mundo rir”.
Para o seu irmão mais velho, Edil Dias, será difícil superar a perda do caçula da família. “É muito complicado. A gente nunca espera que isso vá acontecer com alguém da nossa família. Ele era uma pessoa super tranquila, alto astral e brincalhão. Ele não era apegado aos bens materiais, por isso, acreditamos que ele não tenha reagido ao assalto. Além disso, ele tinha um dispositivo, que guardava no bolso, que não permitia que a moto continuasse andando a certa distância. Tanto que a moto dele foi recuperada a alguns metros do local do crime. Ele não tinha o porquê reagir ao assalto”, esclareceu Edil.
O caso foi registrado na 5ª DP (Gomes Freire) e até o momento a polícia ainda não sabe quem matou Enyl. A vítima deixa esposa e dois filhos.