Guilherme Duarte

Recém chegado da Venezuela, onde conquistou o título de campeão Sul-Americano pela Seleção Brasileira Sub-20, o zagueiro riobonitense Welinton Souza, de 19 anos, abriu as portas da sua casa, na tarde da última terça (10), para conceder uma entrevista bastante descontraída a reportagem da FOLHA. Acompanhado da namorada, Welinton contou detalhes sobre sua participação no Sul-Americano, falou sobre sua possível transferência para um clube italiano e revelou as dificuldades que teve que superar no início da carreira.

Folha da Terra: Como você define sua participação no Sul-Americano 2009?

Welinton: Sou suspeito para falar sobre minha participação, por isso, prefiro falar do desempenho do grupo como um todo. Foi uma competição muito difícil, com grandes seleções e grandes promessas do futebol. Acho que o nosso diferencial foi a união do grupo. Estávamos focados no nosso objetivo e graças a Deus conseguimos alcançá-lo. Foi uma experiência maravilhosa.

FT: Esse foi o título mais importante da sua carreira?

W: Sem dúvida. Até o momento, o título do Sul-Americano é o mais importante da minha carreira. Já conquistei alguns títulos pelo Flamengo, mas nenhum com a importância do Sul-Americano pela Seleção Brasileira. Mas o nosso grande objetivo é ganhar o Mundial, que acontece em setembro, no Egito. Espero poder fazer parte do grupo que irá representar o Brasil na competição.

FT: Na última semana, surgiu a notícia de uma possível transferência para um clube italiano. Existe a possibilidade disso acontecer?

W: A proposta existe, mas é o meu empresário que está cuidando desse assunto. Ainda não estou por dentro da negociação, pois cheguei hoje (terça-feira) da Venezuela. O que posso dizer é que existe uma grande possibilidade da transferência se concretizar. Todo jogador sonho em jogar na Europa, mas quero que seja feita a vontade de Deus. Se eu tiver que ficar, fico com o maior prazer, pois jogo no meu time de coração.

FT: Como você recebeu a notícia da sua promoção ao elenco de profissionais do Flamengo?

W: Confesso que foi uma surpresa. Estava trabalhando duro para conseguir chegar ao profissional do Flamengo, mas não sabia que viria tão rápido. Com certeza, a seleção serviu de trampolim para que isso acontecesse. Agora, o meu objetivo é me firmar no elenco profissional e lutar por uma vaga no time titular. O Flamengo está muito bem servido na zaga, mas vou lutar pelo meu espaço.

FT: Passa pela sua cabeça chegar a seleção principal?

W: Quem não quer jogar uma Copa do Mundo pela seleção principal? Comigo não é diferente. Sei que a concorrência na seleção principal é maior, mas vou continuar trabalhando duro para conseguir realizar esse sonho. Agradeço muito a Deus por ter chegado até aqui. Vou trabalhar para conseguir meu espaço também na seleção principal.

FT: Qual a importância da sua família na sua carreira?

W: Total. Se sou um jogador de futebol é por causa deles, que sempre me incentivaram a buscar meus objetivos. Se eu não tivesse o apoio da minha família, não sei se conseguiria conquistar tudo que conquistei até agora. Meu pai é o meu grande incentivador. Com ele que dei os primeiros toques na bola. Se realmente a transferência se concretizar vou sentir muito a falta deles.

FT: Você passou por muitas dificuldades no início da carreira?

W: Sem dúvida. Ainda falta muito apoio para os atletas. Digo isso, porque tive bastante dificuldade no início da carreira. Muitas vezes não pude ir treinar devido a falta de dinheiro para a passagem. Quantas vezes meus pais deixaram de comprar comida para casa para me levar para o treino. Se existisse mais apoio, outros jogadores da cidade poderiam ser revelados. Talento não falta, basta oportunidade.

FT: Qual é o seu maior sonho?

W: Além de chegar a seleção principal, meu maior sonho é ajudar minha família. Quero dar uma vida melhor para meus familiares e ter minha independência financeira.