
Aleluia! Alguém pensou na saúde
Essa semana o jornal O Fluminense trouxe uma notícia interessante e alvissareira. Aliás, trata-se de um tema que nós já há algum tempo, estávamos cobrando que fosse estudado pelas nossas autoridades, sobretudo aquelas que integram o Consórcio Intermunicipal da Região Leste Fluminense (Conleste). A propósito, esse consórcio foi criado para que os prefeitos dos municípios localizados no entorno do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), discutam e decidam de maneira integrada, os impactos do empreendimento da Petrobras na região.
De acordo com o jornal, a direção da Academia Fluminense de Medicina (AFM) esteve reunida com o diretor-geral do Conleste, Álvaro Adolpho, para analisarem a área da saúde na região – até que enfim! No encontro, eles abordaram a necessidade de se ampliar a rede hospitalar da região, através da construição de novas unidades e do aparelhamento das já existentes. Além disso, ficou constatado que a região carece de mais profissionais qualificados, que é preciso um investimento mais objetivo em prevenção e um combate a endemias mais preciso e constante. Ainda segundo o jornal, o encontro foi produtivo, concorrido e os desdobramentos positivos já podem ser percebidos, porque os acadêmicos da AFM assumiram a responsabilidade de produzir e enviar para a direção do Conleste, um documento listando as prioridades na área da saúde que devem ser observadas pelos administradores públicos federais, estaduais e municipais – espero que não fique engavetado!
O presidente da Academia Fluminense de Medicina, Alcir Chácar, disse que “estamos correndo contra o tempo, já que o Compej deve começar a funcionar já em 2012”. Ele comentou também, “que essa corrida acontece, porque muitas providências precisam ser tomadas até lá”. Ainda segundo o presidente, a Academia tem compromisso com todas as questões vinculadas à Saúde Pública, e vem acompanhando os noticiários sobre a implantação do Comperj em Itaboraí, com a geração prevista de 220 mil empregos. “Um investimento de US$ 8,5 bilhões vai causar profundas mudanças econômicas, sociais e comportamentais em toda sua região”, analisou.
Depois dessa análise racional e sem fazer média com ninguém, acredito que o presidente da AFM fechou sua fala com muita propriedade, quando disse que “o Comperj poderá ser uma redenção, ou uma desgraça, dependendo dos cuidados que serão tomados, ou não, em termos de planejamento e infraestrutura de transportes, educação, saúde, habitação e capacitação profissional”. Em minha opinião, esse pensamento é salutar e vale uma reflexão, sobretudo quando ele diz que o tempo está passando e a região “precisa se preparar”. Digo isso, porque algumas pessoas ainda não compreenderam o que significa essa preparação, e estão esperando as prefeituras fazerem o que elas deveriam estar fazendo. Contudo, existem casos onde as prefeituras também estão esperando pela Petrobras fazer o que é sua atribuição. Alguns acreditam – que comédia – que a Petrobras vai dar um caminhão de dinheiro para solucionar os seus problemas domésticos. Fala sério!
Interessante que o diretor-geral do Conleste, Álvaro Adolpho, destacou o papel do Consórcio, como sendo uma ferramenta que deve ser utilizada para planejar de forma estratégica e integrada, políticas públicas para a região dos 11 municípios mais diretamente afetados com a instalação do Comperj. Ou seja, Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Cachoeiras de Macacu, Magé e Guapimirim. Ele destacou que “hoje, existem 2,3 milhões de habitantes nessa região. Mas esses números vão começar a disparar, requerendo dos administradores públicos, o máximo possível de preparativos”. Embora o diretor do Conleste tenha elogiado a postura e o interesse da Academia Fluminense de Medicina no assunto, eu fico me questionando: “onde os nossos políticos – de Rio Bonito e cidades vizinhas – estão nessa seara?”.
Não iremos chegar a lugar nenhum, se apenas as entidades, organizações, associações, igrejas etc. estiverem envolvidas e pensando nessa questão. Também não é suficiente apenas as pessoas buscarem a qualificação profissional, se não houver investimento em políticas públicas. Se as nossas autoridades em todas as esferas de poder – Executivo, Legislativo e Judiciário –, não deixarem de lado as birras, pirraças e outras criancices, os benefícios que virão com o Comperj poderão se tornar irreversíveis malefícios.