Flávio Azevedo
O presidente do Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), de Rio Bonito, disse no último domingo (5), que a entidade suspendeu as cirurgias ortopédicas e a realização de tomografias computadorizadas nos pacientes que chegam ao setor de Pronto Socorro porque está devendo às empresas que prestam esses serviços. Segundo ele, a dívida do HRDV com a empresa fornecedora de próteses ortopédicas é referente as cirurgias realizadas no fim de 2008 e no início desse ano.
– Para se ter uma idéia, em material ortopédico, nós gastamos R$ 99 mil de recursos próprios, para não deixar a população desassistida. Mas com a inadimplência do município em janeiro e fevereiro, sem contar que já vinha pagando com atraso, todo o ano de 2008, fomos forçados a suspender as cirurgias – argumenta Martins.
Ainda segundo o presidente, a secretária municipal de Saúde, Juraci Dutra e o vice-prefeito Matheus Neto (DEM), “foram comunicados sobre a nossa decisão”. Sobre a argumentação da crise econômica e queda de arrecadação do município, que foi feita pelo prefeito José Luiz Antunes (DEM), durante a reunião que teve com a diretoria do HRDV, no último dia 2, para justificar o atraso nos pagamentos, Gustavo Martins comentou que “é nesses momentos que temos que mostrar que sabemos administrar”.
– A decisão não foi baseada em economia, porque em saúde não se deve fazer economia, mas sim, ter prioridades. As dificuldades existem, mas para enfrentá-las temos que ter um plano estrutural, mostrando para a população com clareza, o quanto caiu a arrecadação, o quanto temos de arrecadação hoje, o que eu tenho para pagar e quais serão as prioridades. Não podemos admitir que a administração do município não veja a saúde, principalmente o serviço de urgência e emergência, como prioridade – disparou.
Embora tenha acontecido uma reunião, na última semana, Martins reclama do silêncio do prefeito, durante esse período. “Ele sequer telefonou para mostrar sua preocupação. Durante o encontro, ele demonstrou preocupação, empenho, mas não definiu uma data para o pagamento da dívida que hoje já chega a R$ 876 mil”, comentou o presidente.
Pagamento pode ser após o dia 20
De acordo com o presidente Gustavo Martins, o prefeito José Luiz afirmou que poderá efetuar algum pagamento depois do dia 20. Essa declaração causou estranheza nos membros da diretoria do HRDV, porque numa reunião com o presidente da Câmara de Vereadores, Fernando Soares (PMN), o prefeito teria dito que faria o pagamento até o dia 8 desse mês. “Mas nessa reunião ele condicionou isso a ampliação da arrecadação, que deve aumentar com os carnês do IPTU que estão sendo entregues este mês”, disse.
Sobre a possibilidade de adiantar algum valor para tirar a instituição do sufoco, o presidente do HRDV, revelou, que o prefeito ligou para o médico Amirton Corrêa de Sá, dizendo que pagaria R$ 70 mil a entidade. “Isso aí vai dar para acertar alguma coisa, mas é um valor menor que 10%, dos R$ 876 mil que nós temos a receber da Prefeitura”, disse Gustavo, frisando que para sanear as dívidas do hospital e colocar a casa em ordem o HRDV precisa de R$ 600 mil, porque além de fazer financiamento em banco o cheque especial também foi utilizado. “Por isso precisamos de uma certeza de quando será esse apagamento”.
O presidente voltou a comentar que há mais de três anos existe um pedido do HRDV para que o município assuma o pronto socorro. Segundo Martins, isso hoje é motivo de um inquérito civil público. Ele argumenta que se a prefeitura acha caro o serviço, que assuma e faça com recurso próprio, porque é uma atribuição do município, segundo a Constituição Federal.
– Como foi dito pelo secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, a preeitura tem que tratar o serviço como se fosse dela. E se aquela emergência fosse própria do município? Ia ficar a deriva por causa da crise? Não teria que se tirar dinheiro de algum lugar e priorizar esse serviço? Não teria que paralisar, por exemplo, as obras de quadras de esporte do Boqueirão e do Rio do Ouro? Eu não posso admitir como presidente da entidade, que o município determine a inauguração das quadras até maio, enquanto está devendo ao Pronto Socorro – completou Gustavo.
Gustavo Martins é claro quendo diz que “a prefeitura não ajuda o hospital, ela paga por um serviço que já deveria ter assumido”. Ele enfatizou ainda que “paga-se o hospital, um prestador de serviço, como se paga a empresa que cuida da coleta de lixo ou constrói uma ponte”. Ainda segundo o presidente, a prefeitura fez um repasse, quando deu R$ 150 mil para construir o CTI.