Flávio Azevedo

A demora no atendimento dos clientes nas agências bancárias de Rio Bonito foi tema de debate na sessão da Câmara de Vereadores da última terça-feira (7). De acordo com o vereador Marcus Botelho (PR), ele precisou dos serviços da Caixa Econômica Federal (CEF), naquele dia, mas ficou das 11h30min às 15h05min dentro da agência, sem ser atendido. Segundo o vereador, “a fila era composta de pessoas de idade, algumas com problemas de saúde, e a maioria estava sem almoço”. Além disso, o parlamentar reclamou da falta de banheiro para os clientes. Durante a sua fala, Botelho propôs a criação de uma comissão de vereadores que deverá buscar solução para esse problema junto ao Ministério Público (MP).

O vereador Marcus Botelho destacou ainda, que existe uma lei do ex-vereador Reginaldo Dutra, o Reis, que limita em 20 minutos o tempo de permanências nas filas dos bancos, “mas essa lei nunca foi obedecida”, disparou. O vereador Márcio da Cunha Mendonça, o Marcinho Bocão (DEM), fez coro com Botelho e lembrou que as pessoas que recebem uma soma maior de dinheiro nos caixas são obrigadas a conferir o dinheiro à vista de todos e, assim, ficam expostas aos bandidos. “Deveria haver um local reservado para isso”, sugeriu.

Já a vereadora Rita de Cássia (PP), destacou que os supermercados também devem ser fiscalizados, “porque além de filas, também tem a questão do empacotamento das compras, que muitas vezes fica por conta do próprio cliente da loja”. Para o vereador Saulo Borges (PTB), que também é advogado, a Câmara deve criar uma comissão do direito do consumidor para fiscalizar essas e outras irregularidades que atingem a população e encaminhar os resultados ao MP. “Esse é o caminho mais correto para se fazer cumprir essas leis esquecidas”, disse Borges.

O vereador Humberto Belgues (PSDB), comentou que a solução para esse problema é simples. Segundo ele, basta o prefeito avisar ao banco, que se não tratar a população com dignidade, o alvará de funcionamento da agência será cassado. “Mas o que posso esperar de uma administração que em fevereiro de 2009 pagou R$ 292 mil ao Hospital Darcy Vargas, referente ao mês de dezembro de 2008, mas já pagou R$ 800 mil a empresa do lixo, referente a janeiro e fevereiro de 2009? Está aqui no balancete! Depois dizem que as coisas não acontecem por culpa dos vereadores”, alfinetou.

Usuários revoltados

A denúncia dessa situação chegou a redação da FOLHA por volta das 15h, da terça-feira (7). Ao chegar à agência da CEF, a nossa reportagem encontrou cerca de 15 pessoas no setor de atendimento visivelmente aborrecidas. O empresário Antenor Zaroni e sua esposa Marly disseram que estavam no interior da agência desde as 11h e até aquele momento não haviam sido atendidos. Zaroni, que já foi presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Rio Bonito, disse que tem atividades em bancos de outras cidades, “mas eu nunca vi uma situação como essa”, criticou.

– Não recebemos nenhuma informação, não se sabe onde está o gerente e ficamos submetidos a essa situação. Se eu ainda estivesse à frente da CDL, os comerciantes seriam convidados a participar de um movimento cobrando dos bancos um melhor atendimento – concluiu.

Já a aposentada Tereza Mendonça, de 65 anos, que aguardava a vez para fazer um empréstimo, contou que estava na agência desde às 11h. “Eu nem almocei e estou aqui apenas com um cafezinho no estômago”, lamentou. Mas a história da pensionista Maria de Fátima Girão, de 54 anos é a mais impressionante. Ela disse que esteve no banco no dia anterior (segunda-feira, 6), de 12h às 18h, mas não foi atendida. “Hoje eu cheguei ao meio-dia e até agora (15h) não fui atendida ainda”, disse.

Gerente da agência se defende

A gerente geral da agência da Caixa, Louise Magalhães Dias, explicou que as mudanças nas regras de empréstimo para os beneficiários do INSS faz com que os funcionários do banco percam tempo explicando o funcionamento do sistema aos usuários, que, segundo ela, “em sua maioria são pessoas humildes, sem instrução”.

Sobre sua ausência, uma das reclamações apontadas pelos clientes, Louise Magalhães argumentou que chegou à agência às 9h e saiu par almoçar por volta das 14h30min, “mas logo retornei”. Ela mostrou as instalações da agência, o banheiro que é adaptado para deficientes e informou que “recentemente fomos fiscalizados pelo Procon, e nós estamos dentro das normas exigidas”. Ainda segundo a gerente, “grande parte dos clientes buscam o banco afim de conseguir benefícios sociais oferecidos pelo governo federal, porque de todos os bancos, somente a CEF aceita trabalhar com o público mais simples”.