
Desemprego em Rio Bonito... Uma tragédia anunciada!
A última semana, para todos nós, foi recheada de fortes emoções. A notícia que o Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), está movendo uma liminar contra a Prefeitura Municipal – a instituição quer receber os valores previstos em contrato (R$ 876 mil), referentes aos serviços prestados no setor de emergência, que é atribuição do poder público municipal – permitiu que viesse a luz, a problemática situação da queda de arrecadação do município. Embora esse fato seja contestado por alguns, nós somos compelidos a acreditar na sua existência, já que a crise é mundial.
A medida – equivocada pelo entendimento de alguns – encontrada pelo prefeito José Luiz Antunes (DEM), foi demitir funcionários contratados e pessoas que ocupavam cargos comissionados. Além disso, o prefeito decidiu cumprir a Súmula Vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal (STF), a discutida “Lei do Nepotismo”, e está exonerando – vamos ver até onde – as pessoas que se enquadram nesse perfil. Ou seja, aqueles que têm laços de parentesco com o prefeito e/ou membros do primeiro escalão da administração municipal. Contudo, a falta de um posicionamento oficial do governo sobre o assunto permite especulações a respeito da quantidade de demitidos.
Penso que a mensagem final desse artigo pode me causar problemas, mas decidi que devo encarar a responsabilidade. Aliás, os comentários sobre esse tema são variados, mas por enquanto, ninguém realmente colocou o dedo na ferida para e apontar a real causa dessa onda de desemprego. Parafraseando Karl Marx e Friedrich Engels, no Manifesto Comunista, vou começar dizendo que “um espectro ronda “Rio Bonito”, o espectro do “desemprego”...”. Durante a sessão da Câmara de Vereadores, no último dia 2, os vereadores abordaram essa questão com precisão, preocupação, mas no campo da passionalidade política. Mas essa preocupação não é apenas dos parlamentares.
Para quem acha o assunto sem relevância, é bom destacar que o desemprego também afeta aqueles que continuam empregados, porque representa menos dinheiro na rua, mais pessoas endividadas – não conseguem quitar as dívidas, porque se não tem trabalho, não tem renda – e um consequente desaquecimento na economia da cidade (que já não estava lá grande coisa!). O desemprego assombra as pessoas de maneira geral, e isso independe da classe social do cidadão. A situação é tão séria, que nos encontros sociais e nas mesas de bar, o assunto está deixou para trás, as seminais do 2º Turno do Campeonato Carioca e a final do Big Brother Brasil.
Mas em meio a esses debates surge a pergunta chave: “porque isso acontece?”. Bem, aqueles que sabem a resposta, geralmente fingem não saber, e aqueles que não sabem, responde alguma baboseira do tipo “o prefeito é incompetente!”; “ah, eles gastaram muito na campanha” ou aquela desculpa que já virou clichê: “a culpa é da Câmara de Vereadores!”. Bem, todas essas desculpas são esfarrapadas e carregadas do gosto político de quem está falando. Porém, a resposta informativa, consciente e verdadeira sobre esse assunto, deve abordar o tema de maneira profunda e distribuir responsabilidades.
Por isso, devo dizer que a primeira culpa é da classe política. Isso mesmo! Os políticos sem exceção mantiveram a Prefeitura, ao longo dos anos, como o principal empregador da cidade. É claro que nós sabemos para que...! Encabrestar os votos para manter os feudos políticos. Para você ter uma idéia, quando foi criada a Lei de redução do ISS, e Rio Bonito se tornou um “paraíso fiscal”, segundo o advogado José Américo dos Santos – profundo conhecedor da matéria – a arrecadação saiu de R$ 17 mil reais para R$ 2 milhões. E o que foi feito com esse “superávit”? Quantas indústrias foram implantadas na cidade? Quantas fábricas? O centro comercial desenvolveu? Que investimos foram feitos a favor do homem do campo? E a cervejaria, o Carrefour e a UFF, que viriam para cá? Onde está o supermercado que viria para o prédio onde funcionava a antiga fábrica Peixe? Cadê a Receita Federal? Entre outras coisas!
Por outro lado, a população também é culpada! Porque ao vender o voto de maneira promíscua a cada eleição, não pode cobrar dos políticos “mercadores”, os benefícios prometidos à coletividade. Pelo contrário, tem que se sujeitar a fazer fila na porta da casa do político, fila na entrada da academia que o político está se exercitando e/ou na porta da prefeitura... Para que? Em busca desse emprego que pode perder a qualquer momento. É o que está acontecendo! E o mais grave: Essas pessoas além de estarem acomodadas nesses empregos arranjados, não têm a mínima preocupação com a qualificação profissional. Por isso, quando perdem a “boquinha” ficam batendo cabeça em desespero.
Uma última nota triste! Um empresário estabelecido na cidade me disse há cerca de duas semanas, que contratou dois profissionais de Casimiro de Abreu, para trabalhar na sua empresa, por não ter encontrado em Rio Bonito, profissionais qualificados para operar uma máquina da sua firma. Que representantes e representados repensem as suas ações! Que “aceitem Jesus” em seus corações – não é assim que os cristãos falam quando pregam a mudança de vida? –, para que tenhamos dias melhores e, sobretudo, para que a luz no fim do túnel, não seja o farol do trem que se aproxima!