Flávio Azevedo
Embora tenha aprovado na última semana R$1,6 milhão para a recuperação de ruas do município, e também tenha aprovado esta semana, mais R$ 217 mil, referentes a contrapartida de R$ 1,6 milhão do governo federal que entrará nos cofres municipais, as sessões da Câmara de Vereadores de Rio Bonito de terça e quinta-feira (14 e 16), foram marcadas por cobranças dos parlamentares ao poder Executivo. Os vereadores voltaram a abordar a dívida da Prefeitura com o Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), a insegurança e a violência na cidade, o trânsito desordenado, obras que teriam começado sem licitação e os problemas que envolvem o Espaço Municipal de Ensino Supletivo (EMES), onde os alunos estão sendo obrigados a estudar no pátio e nas calçadas.
O vereador Aliézio Mendonça (PP) comentou que a forma como o governo estadual cuida da segurança de Rio Bonito “é uma covardia”. Segundo ele, os policiais não são culpados por essa situação. O vereador revelou que “apenas um policial fica de plantão na delegacia tomando conta de fuzis, metralhadoras, escopetas e a mercê da sorte”. Aliézio também falou sobre o Hospital Darcy Vargas e comentou que a comissão de Saúde da Câmara deve procurar a direção da entidade, “porque além de sofrer com a falta de pagamento pelos serviços de pronto socorro, a instituição foi assaltada na última terça-feira (14)”. Ele ainda enfatizou que a mesma comissão precisa se posicionar em relação a determinados profissionais médicos que deixaram uma mãe grávida perder o filho dias atrás. “Temos médicos que são verdadeiros sacerdotes, mas tem outros que são verdadeiros canalhas”, disparou.
Sobre o tema segurança, o vereador Humberto Belgues (PSDB), voltou a sugerir que o delegado da cidade, o Comandante do 35º Batalhão da PM, o diretor da Guarda Municipal, a juíza da comarca e o promotor público sejam convidados à conversar sobre a segurança da cidade. Humberto disse que a prefeitura, em vez de fazer a base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), deveria ter construído a Delegacia Legal (DL). “Depois de construída, era só chegar ao governo estadual e cobrar o funcionamento da DL. O SAMU poderia continuar um pouco mais onde está”, pontuou.
Obras sem licitação
De acordo com o vereador Humberto Belgues, a Câmara acabou de aprovar recursos para a recuperação de algumas ruas da cidade, mas algumas obras já estão acontecendo. “Mas cadê a licitação? Publicou em qual jornal? Quem ganhou essa licitação?”, perguntou. O vereador Aliézio Mendonça comentou que “a culpa é nossa, porque deveríamos entrar na Justiça antes de aprovar a matéria. Temos que ficar atentos a essas licitações que sabemos não serem licitações”, alfinetou. Já o vereador Saulo Borges (PTB), lembrou que “para isso a Câmara elaborou a lei de publicidade, mas ela foi vetada pelo Executivo”. O vereador Humberto Belgues destacou que nas duas oportunidades em que ele, juntamente com o presidente da Casa, Fernando Soares (PMN), fiscalizaram a licitação de compra de gêneros alimentícios para a merenda escolar, “o município economizou R$ 250 mil”.
Situação do EMES também é discutida
Os vereadores Saulo Borges e Marcus Botelho (PR) cobraram atenção do poder Executivo para o Espaço Municipal de Ensino Supletivo (EMES), que está interditado pela Defesa Civil. Segundo Botelho, que visitou o local em companhia do vereador Neném de Boa Esperança (PTN), além dos seis meses de atraso no aluguel do imóvel, os alunos estão estudando nas varandas ou debaixo de uma mangueira que existe no pátio da escola.
Convite ao prefeito
Para o vereador Aliézio Mendonça, o prefeito José Luiz Antunes (DEM) deveria ser convidado a ir a Câmara de Vereadores para discutir os problemas da cidade. Ele disse que a via férrea (da Ferrovia Centro Altântico) ocupa a metade do Centro da cidade e que isso deveria ser analisado. “Precisamos aproveitar esse espaço com mais inteligência”, disse. Ele também abordou os espaços de estacionamento no trânsito. “Está um caos e isso tem que ser discutido com o prefeito, assim como outros assuntos”. Fez coro com Aliézio Mendonça, o vereador Saulo Borges, que sugeriu a criação do Código de Trânsito para ordenar a cidade, “que realmente tem apresentado um trânsito caótico”.
Conselho de notáveis
Segundo o vereador Aliézio Mendonça, a fim de buscar soluções para esses e outros problemas, a Câmara Municipal deveria criar um ‘Conselho de Notáveis’ do município. Segundo ele, esse conselho seria composto por pessoas como a deputada federal Solange Almeida (PMDB), o deputado estadual Marcos Abrahão (sem partido), o desembargador Carlos José Martins Gomes, os juizes Mauro Prevot e Almir Carvalho, o professor e advogado Maurício Badr, além de Vander César Moreira, entre outros. “Eles trariam sugestões do que poderia ser feito de melhor para a nossa cidade”, analisou.