LEDO ENGANO

Num encontro de moléculas

Satisfação, identificação, emoção

Daí por diante, a mente viaja

Cria planos, traça metas

Vai além do permitido

E as moléculas se acham a parte maior da história

Quando, na verdade, representam a minoria

Coisa ínfima e se soubessem a força que tem

Poderiam refazer, construir, destruir

E por sonharem tanto,

Acabam no mar da ilusão

Ledo engano.

Mas, o momento em que vive a história

É pleno, gostoso, alimentício

O prisma é outro

O agir se transforma

Ser pacífico se torna uma ordem

Por seguir a lei do amor

Que não falha, não muda

Suporta, espera, compreende

E até as imperfeições se tornam perfeitas

Necessárias para um bem comum

Se vive como um cego a enxergar com a mente e o tato

Ledo engano!

O mais engraçado é que tais moléculas

Se entendem, encontram afinidades,

Passeiam juntas, constroem uma história

Sem perceber, criam um castelo de verdade

Ilusão ou não, o prédio está ali e todos podem contemplar

A beleza do empreendimento

A pureza, a sinceridade e o companheirismo dos cômodos

Bom acabamento e cada cantinho tem algo específico a contar

Não se pode negar o óbvio

Tudo está claro, não se mascara o patente

No fundo, no fundo seria mesmo um...

Ledo engano?