A reclamação do nosso ouvinte

No dia 19 de abril, na comunidade do nosso programa “O Tempo em Rio Bonito”, no site de relacionamentos Orkut, eu recebi do Sr. Cláudio Santos, morador do bairro Rio Vermelho, a seguinte reclamação:

“Temos visto o tamanho da incompetência do poder público dentro deste nosso pequeno município onde conhecemos quase todos por nome. É lamentável ter a vista natural da cidade contaminada por outdoors sensacionalistas com o título de "IPTU SOLIDÁRIO". Fala sério! O Brasil é um dos impostos mais caros do mundo, e a prefeitura de Rio Bonito vem á público pedir rapidez no pagamento destes para fazer caridade? Isso é inaceitável! Reconheço que as chuvas fizeram alguma calamidade, mas não foi um terremoto nem um tsunami. E, pelo que eu tenho ouvido de pessoas sérias que estavam morando em áreas de risco a administração José Luiz não está pagando o aluguel das casas onde estão morando.

Talvez alguém possa dizer que “não é nada disso”. Mas também existe o fato do HOSPITAL DARCY VARGAS, que já enviou uma carta ao público, se desculpando por causa da paralisação do Pronto Socorro por inadimplência do município. Aí eu te pergunto: “onde foi parar o tal R$ 1 milhão que foi capa de jornal tendo como pano de fundo, homens do Legislativo e do Executivo?”. O povo merece respeito! E, vocês que carregam o título de jornalistas deveriam fazer um jornalismo imparcial! E olha que eu não estou bancando anônimo! Dou meu nome e de onde sou... Do bairro Rio Vermelho, uma das vítimas do descaso do atual governo!”

Ao ler esse texto, eu confesso que fiquei feliz em saber que existe alguém que não tem medo de se identificar ao reclamar. Porque a grande maioria dos descontentes reclama dos problemas apenas por trás das autoridades ou exigem ficar no anonimato. Frente a frente, nada dizem, e, às vezes, chegam ao cúmulo de dar tapinhas nas costas do criticado. A velha hipocrisia! Bom, sobre as críticas do Cláudio, concordo que a atual administração, como as anteriores, tem deixado a desejar em alguns aspectos. Mas sobre a campanha do IPTU, apesar de concordar que o sentido apelativo não ficou legal, acho que a Prefeitura Municipal já deveria estar utilizando esse instrumento há tempos.

Independente de ter chovido, feito sol, termos ou não pessoas desabrigadas, não só o IPTU deveria receber publicidade, mas também as campanhas de vacinação, orientações sobre dengue, doenças respiratórias, sexualmente transmissíveis, a importância do pré-natal, a divulgação dos balancetes de arrecadação e despesas do município, entre outras coisas. Penso que a administração municipal errou, mas em não ter utilizado também, a força e o alcance dos jornais e rádios. A internet, inclusive o site da prefeitura, ainda é uma ferramenta que as pessoas não estão habituadas a utilizar.

Sobre os valores dos impostos no país, nós sabemos que esse é um assunto para os nossos representantes de Brasília, entre eles, a nossa deputada federal Solange Almeida (PMDB). Já a respeito do Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), realmente é inaceitável que ele fique sem o pagamento contratado! Mas isso não é novidade, porque há poucos anos, a prefeitura pagava apenas R$ 14 mil à instituição. E detalhe, nessa época, a arrecadação do Imposto Sobre Serviço (ISS), era da ordem de R$ 2,5 milhões. Hoje diminuiu.

Na verdade, a prefeitura devia parar de terceirizar o Pronto Socorro, e investir num serviço próprio como acontece em todos os municípios vizinhos. Porém, o serviço de emergência nesses lugares, não tem a retaguarda de um hospital, o que resulta numa qualidade inferior do serviço. Aliás, o Pronto Socorro não parou! Alguns serviços – ortopedia e tomografia, importantes, é claro! – também foram suspensos, até que a prefeitura pague o que deve ao HRDV.

Sobre o R$ 1 milhão doado pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio e Janeiro (Alerj), no início do ano, é bom saber que esse valor não dá para construir todas as casas necessárias. E se a prefeitura construir as moradias a prestação, o descontentamento vai continuar, porque muitos ficarão de fora. Aliás, o Sr. Cláudio disse r. ainda, que “o povo merece respeito”. E eu concordo! Mas não posso deixar de lembrar, que o povo também precisa dar-se o respeito! Contudo, isso não acontece, porque a venda ou a troca do voto por cesta básica, tijolos, cimento, óculos, exames, entre outras coisas é uma realidade.

Também achei interessante o comentário que nós jornalistas deveríamos fazer um trabalho imparcial... Eu confesso que estou fazendo o possível para manter essa característica, mas não é fácil! Eu não sei o que você leitor, pensa, quando lê ou ouve, o que eu escrevo ou falo. Mas eu tenho feito o que posso nesse ofício apaixonante, intrigante e, sobretudo desafiador.