Flávio Azevedo

Coceira na garganta, mal-estar, obstrução nasal, coriza, falta de apetite, indisposição, febre, calafrios, entre outros, são sinais que indicam a chegada das doenças do inverno. Apesar de serem considerados triviais, esses sintomas, quando não combatidos, podem desencadear problemas mais sérios, como pneumonia e sinusite, que atacam principalmente as crianças, os idosos, os alérgicos e os portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), como a bronquite crônica, o enfisema pulmonar e a asma brônquica.

O pneumologista Leonardo Dias, que é o médico responsável pelo Programa de Tuberculose e pelo Ambulatório de Pneumologia de Rio Bonito, revela que com a chegada do inverno, houve um acréscimo de 70% de pacientes nos ambulatórios. Ele explica que esse fenômeno ocorre, porque na estação fria as pessoas permanecem mais tempo em lugares fechados e sem ventilação, acontecendo uma maior exposição à umidade e aos ácaros, que vivem nesses ambientes.
Como medida preventiva, o pneumologista aconselha que as pessoas ventilem os ambientes, tenham uma boa alimentação, tomem bastante líquidos, abandonem o uso do cigarro e que os idosos não se esqueçam da vacina contra a gripe. Os indivíduos que sofrem de DPOC, são observados com mais atenção por precisarem de cuidados extras. “Eles não podem ter em suas casas carpete, tapete, cortinas, bichos de pelúcia, colchas, roupas de lã e devem evitar o contato direto com os animais domésticos”, disse o médico.

Caminhando pela cidade, não é difícil encontrar as ‘vítimas’ das doenças do inverno. Pessoas como o universitário Rodrigo Girão (26), morador da Praça Cruzeiro, que contraiu uma virose há duas semanas e só agora está melhor. Cursando o oitavo período de Biomedicina, Girão ressaltou que “quando alguém infectado espirra, o vírus da gripe é jogado no ar, ficando ali durante algum tempo, e dessa forma, as pessoas são infectadas”.

As farmácias também percebem um aumento de doentes. Guilherme Corrêa, farmacêutico titular da Farmácia Santo Antonio, diz que a nessa época a procura por medicamentos aumenta bastante: “sem dúvida a procura por vitaminas, anti-térmicos, antialérgicos, descongestionante nasal, anti-gripais e antibióticos indicados para os casos de infecção das vias respiratórias, têm suas vendas aumentadas em cerca de 30% nessa época”, explica.

Alguns ‘mitos’ da gripe

Leonardo Dias, que trabalha também no Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP), em Niterói, alerta que alguns mitos em relação à gripe não são verdade: “comentários populares como ‘a vacina da gripe causa a doença nos idosos’, ‘pacientes asmáticos não podem tomar leite’, ‘banho frio impede a pessoa de ficar gripada’, não correspondem à verdade”, diz ele. O pneumologista explica que “os idosos precisam participar regularmente da vacinação contra gripe”, e que aqueles indivíduos que adoecem após o uso da vacina, “já estariam infectados antes de serem vacinados”.
A dona de casa Afifi Gazem, de 72 anos, moradora do Leme, no Rio de Janeiro, concorda com essa opinião. Ela disse que toma a vacina regularmente desde que começou o programa de vacinação de idosos e não ficou mais gripada. A dona de casa ressaltou que nunca teve “nenhuma reação à vacina”.
Já a sua mãe, a aposentada Antonia Felipe (92), moradora do Centro da cidade, foi categórica: “nunca tomei a vacina e nem pretendo tomar, acho que é irrelevante”.

Advertência

Leonardo Dias acrescenta ainda que a proximidade das pessoas com pássaros de gaiola, assim como galinhas, patos ou pombos, pode ser prejudicial à saúde, já que estes animais possuem uma proteína que causa uma espécie de gripe no ser humano.
-- É uma doença preocupante e já detectamos alguns pacientes infectados. Eles foram enviados para o Hospital Antonio Pedro, porque naquela unidade, existem recursos mais avançados para o tratamento – diz Dias.