Flávio Azevedo
O presidente do Hospital Regional Darcy Vargas (HRDV), Luis Gustavo Siqueira Martins, ofereceu um café da manhã para os vereadores de Rio Bonito, no último dia 26 de junho. De acordo com o presidente, o objetivo do encontro foi esclarecer aos vereadores o funcionamento do HRDV e a natureza dos serviços que são prestados pela unidade. Na ocasião, o presidente do HRDV entregou ao presidente da Câmara Municipal, vereador Fernando Soares (PMN), um balanço patrimonial de 2008, com o parecer de uma firma de auditoria externa. O presidente do Legislativo, também recebeu os balancetes analíticos mensais até abril de 2009.
Outro objetivo do presidente do HRDV foi mostrar os vereadores, a diferença entre pagamento por prestação de serviços – o contrato que a unidade tem com a Prefeitura de Rio Bonito, que terceirizou o Pronto Socorro do hospital por não disponibilizar desse serviço – e subvenção – o HRDV recebeu da prefeitura R$ 150 mil para auxiliar na construção da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Na verdade o problema da saúde está no financiamento”, destacou o presidente, frisando que a qualidade do serviço prestado, depende do recurso que se tem em mãos. “Isso vai de acordo com a vontade política e a disponibilidade financeira do município para contratar o serviço”.
Sobre a prestação de contas do HRDV, o presidente destacou que recebe seus recursos através de contratos por prestação de serviço com o Sistema Único de Saúde (SUS), que paga pelos pacientes internados; com a prefeitura, que paga pela utilização do Pronto Socorro; o serviço particular e os convênios com os planos de saúde. “Então, a quem o hospital presta conta dos recursos recebidos? A essas entidades, através da contraprestação de serviços. Isso também acontece quando recebemos subvenção”. Martins lembrou ainda, que a instituição presta conta ao Conselho Deliberativo e ao Conselho Nacional de Assistência Social, que é o órgão responsável por fiscalizar as unidades filantrópicas.
Mudanças na saúde
Embora o presidente do HRDV tenha sido provocado em vários momentos a emitir opinião sobre a administração municipal, ele afirmou várias vezes, que esse não era o objetivo da reunião. Contudo, Martins deixou claro, que a administração municipal deveria mudar a política de saúde do município, através do redimensionamento do setor. O vereador Carlos André Barreto de Pina, o Maninho (PPS), saiu em defesa do governo, afirmando que “não existe falta vontade, mas falta de orçamento para investir na saúde”.
O presidente então decidiu mostrar ao parlamentar, que “falta sim, um pouquinho de boa vontade”. Ele revelou que assim como o HRDV vendeu, no ano passado, a sua Folha de Pagamento, para o Banco do Brasil, por R$ 130 mil, a prefeitura também vendeu a Folha de Pagamento dela, por R$ 2,5 milhões para a Caixa Econômica Federal. Nessa ocasião, o prefeito teria afirmado ao presidente do HRDV, que esse recurso seria destinado exclusivamente para investimentos. Ao tomar conhecimento de que faltavam cerca de R$ 250 mil para terminar as obras do CTI, o prefeito teria prometido que com parte desse recurso, os R$ 2,5 milhões, a prefeitura terminaria a unidade.
A direção do hospital, segundo o presidente, ficou aguardando e continua esperando esse dinheiro, que nunca chegou. “Entretanto”, disse Martins, “na mesma ocasião, nós vimos começar construção de uma série de obras, que não têm a mesma importância da saúde”. O presidente disse ao vereador Maninho, que isso é uma questão de mérito administrativo. “O que você está dizendo, vereador, não condiz com a realidade. Por isso, volto a dizer: não podemos acusar o prefeito de má versação do dinheiro público, mas de mau emprego dos recursos.
A vereadora Rita de Cássia (PP) sugeriu que numa próxima oportunidade, alguém da administração deveria ser convidado para o encontro. “Nós ficamos confusos, porque cada um fala uma coisa”. Ela comentou também, que a vontade do prefeito pode não ser é essa, mas mudar é preciso. “Na verdade, nós não sabemos o que o prefeito pensa, porque ele pouco se manifesta”. Em resposta a vereadora, o presidente do HRDV argumentou que conversas para serem produtivas não podem ser direcionadas aos problemas próprios da prefeitura. “Esses encontros devem abordar os níveis de responsabilidade e de financiamento de cada parte. A prefeitura tem os seus problemas e nós temos os nossos”.
Presença da imprensa gera polêmica
Também durante o encontro, o vereador Maninho questionou a presença do jornalista Flávio Azevedo, na reunião. “Isso aqui é uma reunião do hospital com os vereadores ou é uma coisa para ir à rua? Eu não tenho nada contra o jornalista, mas ele trabalha num jornal que está de um lado político e está gravando a reunião. Assim nós teremos apenas uma interpretação. Acho que esse encontro deveria ser mais democrático e o espaço deveria ser aberto para todos os jornais”, argumentou.
O presidente do HRDV aproveitou a oportunidade para lembrar que os grupos políticos sempre tentam jogar o hospital para um lado ou para o outro. “E não pode ser assim”. Em resposta ao vereador, Martins disse que “nenhuma conversa do hospital é secreta e a liberdade de imprensa deve ser respeitada. Flávio entrou por aquela porta, é uma pessoa que eu conheço, sei quem ele é, me cumprimentou e é um profissional. Eu não vou mandar ele sair, não vou cercear o direito de imprensa e não vou mandar ele desligar o gravador, porque, o que eu falo, eu assino embaixo. Então não temos o que temer. Além disso, existe algo mais democrático, do que chamar os vereadores para uma conversa? A casa Legislativa presente aqui?!”, concluiu.