
Os investimentos estão chegando
O jornal O Fluminense recentemente trouxe uma reportagem sobre a economia da nossa região. A matéria se baseou em informações apresentadas pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que apresentou números animadores para o setor econômico do estado. De acordo com o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, o Rio de Janeiro reage com vigor à crise financeira mundial. Ele fez esse comentário baseado nas informações do Decisão Rio 2010/2012, documento que reúne os planos de investimento privados e públicos para os próximos três anos. Ele disse também, que serão investidos R$ 126,3 bilhões em mais de cem projetos anunciados até julho dos anos de 2010, 2011 e 2012, quando serão criados cerca de 360 mil empregos.
De acordo com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Rio de Janeiro vai receber 22% de todos os investimentos previstos para o país nesse triênio. As previsões positivas não param por aí. O Leste Fluminense, povoado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Rio Bonito, Araruama, Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Iguaba, Rio das Ostras, Saquarema, São Pedro da Aldeia e Silva Jardim, é uma das áreas que mais receberá investimentos. O Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que receberá recursos da ordem de R$ 14,6 bilhões nesse período, será responsável por metade desses empregos.
Segundo o presidente da Firjan, o Decisão Rio orienta as indústrias fluminenses que planejam ampliar seus negócios e também as pequenas e grandes empresas, do País e do exterior, que pretendem se instalar no Estado. O estudo auxilia o planejamento de ações do Poder Público – isso é muito interessante! – e fornece informações à sociedade. Para o presidente da representação regional da Firjan no Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano, a região está atraindo todos esses investimentos porque tem municípios com atrativos diversificados, que atendem às demandas do mercado.
Bem, as otimistas informações sugerem algumas reflexões: “que atrativos diversificados a nossa cidade risonha têm oferecido, para atender essas demandas do mercado?”. Aliás, é comum encontrarmos aqueles que deveriam estar cuidando do desenvolvimento de Rio Bonito, a choramingar e reclamar as críticas que recebem. Contudo, quando surge uma informação dessa natureza, não vemos essas pessoas recorrerem a Firjan com a expectativa de fazer o nosso município ser o primeiro beneficiado, nesse roteiro de investimentos.
O problema é que essa situação gera algumas perguntas, que as respostas infelizmente, são desanimadoras. Por exemplo: quais são as condições estruturais do nosso Condomínio Industrial? Como andam os licenciamentos? A quantas anda o trânsito da nossa cidade? A questão do estacionamento, quantas vagas nós oferecemos? O setor imobiliário é ordenado e monitorado? O gabarito de construção, está sendo discutido e em breve será ampliado? Ao chegar à Secretaria Municipal de Fazenda, o empresário tem vontade de ficar na cidade e trazer mais um amigo? O nosso setor comercial recebe incentivo – não é boquinha para mulher e filhos – para que preste bons serviços e gere mais empregos à população?
Tem mais perguntas: as agências bancárias instaladas em Rio Bonito atendem com rapidez e estão preparadas para o crescimento da demanda? A energia elétrica oferecida hoje suportará a implantação de indústrias, e o consequente crescimento populacional, sem que ocorram apagões? Sobre segurança, o efetivo de policias que dispomos é suficiente e a sua não ampliação está gerando uma mobilização popular? O Posto Avançado do Tribunal Regional do Trabalho, já está em funcionamento e as obras do novo Fórum, já estão em fase de conclusão? Oferecemos alguma opção de lazer e entretenimento, além a Av. Sete de Maio? A nossa agência da Receita Federal está funcionando? Nossa escola técnica está preparando os jovens riobonitenses para os empregos que serão gerados em Rio Bonito e região nos próximos três anos?
Eu avisei que as perguntas tinham respostas desanimadoras e, talvez, risíveis. Mas como recentemente fomos cobrados a dar sugestões para melhorar a administração municipal, aí estão elas. Como diz aquele funk muito conhecido: “não dá para ficar parado!”.