Lívia Louzada
Insatisfeitos com a paralisação dos ônibus universitários do turno da noite, cerca de 150 estudantes fizeram um protesto, na tarde da última terça-feira (25), em frente a Prefeitura de Rio Bonito. A manifestação interrompeu o tráfego por cerca de 40 minutos, e o trânsito teve que reorganizado pela Guarda Municipal. O transporte vinha sendo feito com três coletivos no início do ano, mas passou a contar com apenas dois veículos, no mês de agosto. Com isso, cada ônibus chegava a circular com cerca de 140 passageiros, colocando em risco a vida dos estudantes, o que levou a Prefeitura de Rio Bonito a paralisar o transporte gratuito de todos os turnos.
Antes do protesto, a concentração aconteceu em frente ao Mercado Municipal, de onde os universitários munidos de apitos, narizes de palhaço e cartazes com dizeres como “SOS Universitários”, “Universitários pedem socorro” e “Condições dignas de transporte”, seguiram para a Prefeitura, fechando o trânsito da Rua XV de Novembro, no Centro, onde gritaram palavras de ordem, e pediram os três ônibus de volta. Segundo quatro estudantes que não quiseram se identificar, na terça-feira (18), quando ainda estava na praça do pedágio, em São Gonçalo, o ônibus parou por falta de combustível, o que fez com que os estudantes tivessem que pagar, para o ônibus abastecer. “A gente teve que fazer uma ‘vaquinha’ para botar combustível no ônibus, mas mesmo assim não deu (ele não funcionou), então alguns pegaram carona com o (ônibus) de Rio das Ostras, mas não coube todo mundo, e tivemos que esperar o ônibus da Prefeitura, que leva os estudantes para São Gonçalo”, disse um deles. “A gente não está pedindo conforto, nós só queremos viajar com segurança”, completou.
No dia anterior, segunda-feira, 24, a Polícia Rodoviária Federal já havia alertado os motoristas que se os coletivos passassem novamente pela patrulha, com tantos estudantes em pé, os ônibus ficariam retidos, e os motoristas poderiam perder a carteira.
Ônibus ‘batido’ ainda
está parado
Há um ano, um dos ônibus universitários se envolveu em uma batida no centro de Niterói, e até hoje o coletivo ainda não foi recuperado. Desde então, um ônibus da Rio Ita foi disponibilizado para substituir o que não estava rodando; o que foi feito até junho. Porém, quando as aulas recomeçaram, em agosto, os estudantes se surpreenderam ao perceber que viajariam em apenas dois veículos. De acordo com os estudantes, antes da manifestação, os responsáveis pelo ônibus da Prefeitura, foram procurados, pois além disso, os coletivos tinham pneus carecas e um dos pára-brisas trincado, mas como nada foi feito, os universitários resolveram organizar o protesto.
A estudante do curso de letras, Karin Mayrhofer, de 24 anos, que estuda à noite em Niterói, reclama do descaso com os estudantes. Segundo a universitária, “estão esquecendo dos estudantes de ensino superior do nosso município, estão esquecendo que essas pessoas, futuramente, vão contribuir com Rio Bonito, se eles não investirem nisso, a cidade não vai crescer”.
Segundo o estudante de farmácia, Ricardo José Marins Muniz, de 21 anos, a quantidade de pessoas que viajam em pé, em apenas um ônibus, “daria para encher outro”. Completando o que o colega disse, o estudante de administração, Francisco João da Fonseca Jr., 19, lembrou que os universitários que não vão sentados, “só podem colocar um dos pés no chão, porque não cabem os dois, não tem espaço no chão”.
Durante a manifestação dos estudantes, na terça-feira, um carro da Polícia Militar teve dificuldades de passar pela rua, o que gerou uma certa confusão, por alguns instantes, mas que logo foi resolvida, com a liberação da pista para a polícia. O protesto teve o apoio do diretor do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Antônio Carlos de Matos, o Toninho. Usando um mega-fone, o diretor disse que o órgão apoiava os universitários. Segundo Toninho, “a manifestação é uma forma democrática dos estudantes reclamarem seus direitos e o governo municipal não tem o direito de impedir isso”.
Estudantes recebidos
na Prefeitura
Com a chegada do vereador Humberto Belgues, por volta das 5 horas da tarde, os estudantes foram recebidos na Prefeitura, a pedido do parlamentar. Segundo Humberto, “a manifestação é válida, e eles (da Prefeitura), tem que pelo menos ouvir os estudantes, que estão com a razão”. Representando os universitários, três estudantes foram recebidos pelo Procurador do município, Leandro Weber; o responsável pelos ônibus, Jerônimo Dias e pelo chefe de gabinete, Edelson Antunes.
Na reunião, os representantes da Prefeitura prometeram, para o dia seguinte, uma posição com relação a situação dos universitários. Na reunião, o chefe de gabinete comentou que “a manifestação é justa, estão reivindicando seus direitos de cursar uma faculdade, mas desde que essa manifestação seja de forma ordeira”. Ainda de acordo com Edelson, “a Prefeitura passa por uma fase difícil com relação a situação financeira”, por isso o ônibus da Rio Ita, que substituía o coletivo da Prefeitura, teria parado de transportar os estudantes.
Depois da conversa, não satisfeitos, os estudantes se dirigiram para a reunião da Câmara dos Vereadores, onde lotaram o plenário. Após a sessão da Câmara os manifestantes conversaram com os vereadores, que manifestaram total apoio às suas reivindicações.
Ônibus paralisados
até segunda ordem
Na manhã de quarta-feira (26), já com os representantes oficiais dos estudantes do turno da noite, Leandro Gonçalves, Thamires Nascimento, Wanderson Barros, Senilto Alves, Ludmila Camargo, Juliana Caetano, Aline Alves e Aline Fernanda Carvalho, foi feita outra reunião na Prefeitura, desta vez com a presença da Assessora Especial, Cantianila Moreira; e novamente com o Procurador, Leandro Weber; o responsável pelos ônibus, Jerônimo Dias e o chefe de gabinete, Edelson Antunes.
Na reunião os universitários pediram não só mais um coletivo, como também, fizeram algumas reclamações, como: a de que existem estudantes com comportamentos inadequados durante o trajeto, estudantes que não deveriam estar viajando, sobre a falta de manutenção dos ônibus e também pediram que a Prefeitura estipulasse outros pré-requisitos para que novos estudantes possam viajar nos coletivos. Durante o encontro, era esperada a presença do representante de uma empresa de ônibus, que não compareceu. Por esse motivo o Procurador garantiu que na parte da tarde, do mesmo dia, teria uma resposta para os universitários, se haveria ou não, a continuidade do transporte. No final da tarde, um carro de som percorreu as ruas da cidade, avisando que os ônibus universitários de todos os turnos estavam temporariamente paralisados, por medida de segurança.
Reunião com
os vereadores
A reunião da Câmara dos Vereadores, de quinta-feira (27), contou novamente com a presença dos universitários. Após a sessão, a comissão dos estudantes foi recebida pelos vereadores Rita de Cássia, Caneco, Maninho e Marcinho Bocão (sem a presença da imprensa), que disseram poder apenas, intermediar a questão dos universitários, perante a Prefeitura.
Segundo o vereador Caneco, “falta vontade política para resolver a situação dos ônibus, se ele (o prefeito) quiser, ele resolve, é só colocar como prioridade, a segurança dos estudantes”.
Já um dos representantes dos ônibus, Leandro Gonçalves, disse que “mais uma vez os vereadores propuseram intermediar a comissão (dos estudantes) perante a Prefeitura, usando a Comissão de Educação da Câmara, para isso, mas não garantiram colocar os ônibus de volta”.