Lívia Louzada
A situação dos ônibus que transportam os estudantes universitários parece estar longe de ser solucionada. Nos dias 31, segunda-feira, e 2, quarta-feira, alguns estudantes se reuniram na Prefeitura com representantes do Executivo para tentar solucionar, principalmente, a questão da superlotação dos veículos e a falta do transporte no período da noite, que até o fechamento desta edição, ainda não havia sido regularizado. No turno da manhã, o transporte está funcionando normalmente. Nos dois dias de encontro o clima foi tenso, já que Prefeitura e estudantes não se entendiam sobre como o transporte deveria funcionar dali em diante.
Para tentar resolver o impasse, os universitários marcaram uma assembléia para este sábado (05), quando esperam reunir todos os que utilizam os coletivos do município. O intuito é eleger uma comissão para votar regras de ingresso no transporte. Em seguida, tal comissão se reunirá com o procurador do município, Leandro Weber, e os responsáveis pelo ônibus, na próxima terça-feira (8), na Prefeitura.
A reunião de segunda-feira contou com a presença do presidente da Câmara dos Vereadores, Fernando Soares; do chefe de gabinete, Edelson Antunes; da Assessora Especial da PMRB, Cantianila Moreira; de estudantes representantes de todos os turnos e do representante da Procuradoria Geral do município, Gustavo Lopes.
No encontro, os universitários questionaram a volta dos coletivos. Os representantes do Executivo, no entando, cobraram uma solicitação feita no último dia 25: os nomes das pessoas que integrarão a comissão dos estudantes, para que medidas de controle, como o número excessivo de passageiros, sejam estabelecidas por ambas as partes. Na ocasião do dia 31, os estudantes não aceitaram estabelecer as regras sem que todos os usuários do transporte votassem as decisões. Porém, mesmo com o impasse, o município solicitou que no encontro seguinte, ocorrido no dia 2, os universitários levassem a relação, mesmo que provisória, dos requisitos.
No encontro da última quarta-feira, estiveram presentes: o procurador do município, Leandro Weber; o presidente do Legislativo, Fernando Soares; duas representantes da Secretaria Municipal de Educação, uma da Secretaria Municipal de Bem Estar Social; o responsável pelos ônibus, Jerônimo Dias e apenas quatro universitários do turno da noite.
O procurador abriu uma ata para que fossem formalizadas todas as decisões tomadas na reunião. Contudo, os estudantes não apresentaram os critérios para o solicitado recadastramento. Segundo eles, “para fazer essas regras, tem que haver uma votação com a participação de todos os estudantes”, e para tal, seria preciso uma assembléia geral dos usuários do transporte. Decisão esta, que deixou os representantes do município surpresos, pois o encontro era para discutir, exclusivamente, essa situação.
Clima tenso - No decorrer da reunião chegou a notícia de que um dos coletivos, que até então estaria em condições de uso, havia sido recolhido para conserto por se encontrar com problemas no freio. Com isso, sobrariam apenas dois ônibus da Prefeitura e mais um que estaria cedido por uma empresa de ônibus particular. Desta forma, sobrariam apenas dois carros para serem mandados a Niterói e um para São Gonçalo. A notícia não agradou aos universitários, pois, a partir deste novo problema, por determinação municipal, eles teriam que selecionar apenas 180 estudantes para entrar nos dois coletivos que vão para Niterói, “por questões de segurança”. Com a explicação de que não queriam se “indispor”, nem fazer “uma seleção de pessoas”, os universitários preferiram que não houvessem os ônibus no turno da noite, até que pudessem rodar os três coletivos para Niterói.
O encontro, que até então parecia estar sendo finalizado, porém, sem conclusão, teve uma discussão acalorada, quando dois estudantes se recusaram a assinar a ata da reunião. De acordo com o procurador Leandro Weber, “o município está praticando um ato democrático, de ouvir os próprios usuários, mas a comissão que veio, curiosamente, foi esvaziada ao longo da reunião, tendo alguns estudantes se recusando a assinar a ata que eles mesmos ajudaram a constituir”, disse. Ao final do encontro, dos quatro estudantes presentes, apenas um aceitou assinar o documento.
Segundo o universitário Matheus Prevot, “a Prefeitura está jogando a responsabilidade para gente, se livrando de algumas e não assumindo outras, como: aumentar o número de vagas nos ônibus e pressionar para que tenha uma universidade em Rio Bonito”.