Evaldo Nascimento

A coordenadora do turno da manhã do Colégio Estadual Desembargador José Augusto Coelho da Rocha Júnior, no bairro Bela Vista, Rosane de Souza Moraes, ficou com vários hematomas num dos braços devido a uma confusão com alunos na portaria da unidade escolar durante as aulas extras do último sábado (29/08), que estão sendo dadas em reposição às suspensas por causa da ameaça da gripe suína. Segundo relatou, a agressão partiu de um aluno do 9º Ano de Escolaridade que fora à rua sem autorização e, quando tentou voltar, viu-se impedido no portão que era controlado por ela. Insatisfeito com o impedimento, o estudante deu um empurrão no portão que bateu no seu braço e peito, imprensando-a contra a parede. Sem ser devidamente repreendido pela direção do colégio ou pelos pais, no domingo (30/08) o mesmo aluno e outro, empinando cafifas em frente ao colégio, subiram no seu telhado e quebraram várias telhas.

De acordo com a funcionária, o tumulto no portão foi gerado devido à falta de profissionais de educação suficientes para controlar o turno no dia das aulas extras, já que a direção do colégio dispensou a maioria dos funcionários que normalmente trabalham no setor durante a semana. Rosane ficou mais indignada ainda tendo em vista que a direção só puniu com suspensão o aluno acusado de ter quebrado as telhas, não tomando nenhuma atitude contra o estudante que a agredira fisicamente e continua freqüentando normalmente as aulas.

- Ficou parecendo que umas telhas velhas valem mais do que eu que sou uma professora, com 23 anos de Magistério no mesmo colégio. O aluno se recusou inclusive a me pedir as desculpas propostas pela direção e recomendadas pelo pai, e o caso ficou por isso mesmo -- comentou ela, com bom humor, apesar do aborrecimento e indignação e de ter sofrido uma crise nervosa no dia do episódio, o que a obrigou inclusive a ir chorando para casa. Acrescentou que, embora não seja sua função tomar conta de portão, estava no local suprindo a ausência do servidor encarregado disso, que fora dispensado de trabalhar naquele dia.

O fato, segundo os professores, reflete a decadência na disciplina que o Colégio Desembargador, tradicionalmente reconhecido e respeitado pela sua qualidade de ensino e seus métodos didáticos-pedagógicos, vem sofrendo ultimamente. Devido à carência de supervisores de turnos e ao excesso de alunos, por exemplo, vários estudantes têm provocado constantes algazarras nos corredores, prejudicando inclusive o bom andamento das aulas. Algumas salas do primeiro segmento estão superlotadas, com até 50 alunos. Sobre a carência de supervisores de turno, os funcionários comentam e lamentam que recentemente a Coordenadoria Regional de Educação à qual o Colégio Desembargador está subordinado reduziu o quadro, dispensando vários funcionários contratados.