Flávio Azevedo
Cerca de 20 anos depois de ser abandonada por inúmeras administrações municipais, a ponte que liga a BR – 101 a localidade de Cachoeira dos Bagres, em Rio Bonito volta a ser tema de debates. A falta da ponte, não vai beneficiar apenas os moradores do bairro, mas principalmente uma indústria de água mineral que está instalada no Condomínio Industrial de Rio Bonito. Os vereadores Fernando Soares (PMN) e Humberto Belgues (PSDB) visitaram o local no dia 1º de setembro. A indústria vai gerar 35 empregos diretos e cerca de 350 indiretos quando entrar em operação. Com a falta da ponte isso pode não acontecer.
Em companhia dos empresários José Carlos Infante Vieira e Paulo Freire Júnior, da empresa de água mineral, os vereadores verificaram que as vigas que dariam sustentação a antiga ponte ainda estão no local. As cabeceiras, porém, não resistiram o desgaste do tempo e caíram no leito do rio Bonito. Infante disse que precisa apenas do projeto pronto. “Se a Prefeitura Municipal fizer o projeto, eu mesmo levo ao governo estadual e federal e consigo que a obra seja realizada. O problema é que eu estou fazendo essa solicitação há muito tempo e ninguém me dá uma resposta”.
Segundo o empresário, ele depende da ponte para poder trabalhar. Ele comentou que desde o início tem ido regularmente a Prefeitura pedir ajuda, cobrar o projeto e sempre houve como argumento, que o projeto já está em Brasília. Sem saber o que fazer, ele afirmou que toda a viabilidade do empreendimento depende da construção da ponte. “Inclusive, alguns prazos e negócios que temos com os bancos, para serem cumpridos dependem dela”. Preocupado com os seus negócios, o empresário em alguns momentos demonstra desespero. “No dia 21 de setembro, nós vamos receber todo o maquinário para fazer o primeiro teste. Vamos fazer o envasamento da água, mas a mercadoria vai sair por qual lugar?”.
Sobre um caminho que existe por Cachoeira dos Bagres, que sai no Green Valley, o empresário diz que é inviável. “Eu não quero arriscar passar com um caminhão carregado com toneladas de galões de água por esse caminho. Além disso, quando chover, certamente eu vou ficar sem acesso”, analisou. José Carlos Infante Vieira lembra que “não é só eu que serei atendido. Em Cachoeira dos Bagres existem hotéis, moradores e eles também estão sem acesso”.
Cobranças e desculpas
Sensibilizados com a situação dos empresários, os vereadores foram a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, mas não encontraram o secretário Eleilton Figueiredo. Foram atendidos pelo engenheiro Izaqueu José Vieira, que afirmou não haver nenhum projeto pronto com ele para aquele local. “Pode ser que outro engenheiro tenha feito o projeto e enviado para Brasília, mas eu não tenho conhecimento disso”, comentou.
A política e seus efeitos
Em 1990, o então prefeito Ayres Abdala decidiu que construiria uma ponte sobre o rio Bonito. Ligar a localidade de Cachoeira dos Bagres à BR – 101 era uma antiga reivindicação dos moradores do bairro. Um dos grandes produtores de banana e outros gêneros, os sitiantes do local necessitavam de um acesso melhor à rodovia. Enquanto isso, Rio de Bonito passava por um dos momentos mais conturbados da sua história política. Esse processo teve o seu clímax, com o afastamento do chefe do Executivo, que, à época, teria cometido sérias irregularidades.
Assumiu o comando do município, a vice-prefeita Maria Luisa Cid Loureiro, que ficou no comando da cidade durante nove meses e logicamente não concluiu a obra. Ela foi substituída por José Luiz Mandiocão, que embora tenha feito uma administração elogiável, também não deu prosseguimento ao projeto. Mandiocão foi sucedido por Solange Almeida, que apesar de ter permanecido a frente do município por oito anos, quase sempre com a maioria do Legislativo, também não fez a ponte de Cachoeira dos Bagres.
Em 2005, o prefeito José Luiz Antunes retornou a chefia do Executivo, tendo como vice, Ayres Abdala, aquele que começou construir a ponte. A esperança era que o projeto fosse retomado. Mas logo nos primeiros meses, houve o rompimento da dupla, que curiosamente venceu usando o slogan: “é hora de união”. Com o desenlace, a obra novamente não aconteceu. E a ponte? Bem, essa continua firme, mas apenas nos sonhos daqueles que dela necessitam.