Paulo Victor Magalhães

Depois de ficar sete anos e trinta e quatro dias a frente da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, o monsenhor João Alves Guedes se despede, neste domingo (27), das suas atividades religiosas na cidade para se dedicar à Faculdade de Formação de Diáconos Permanentes e a Escola de Formação para Cidadania e Bem Comum, ambas em Niterói, além de assumir a Paróquia de São Lourenço, na mesma cidade.

Mas antes de dar o Adeus! , ou até logo, ele conversou na última quarta-feira (23), na Casa Paroquial, com a reportagem do FOLHA DA TERRA sobre a experiência missionária e as conquistas da instituição religiosa na cidade, que, com ele, começou em 1975, 3 meses após ser ordenado padre, com sua vinda para Rio Bonito, e terminou no ano seguinte, quando foi transferido para outra cidade . Dois anos depois ele assumiu, por 8 anos, a direção do Seminário São José, em Niterói, onde trabalhou por mais 5 anos como professor de teologia pastoral e liturgia.

Com o discurso acompanhado de um tom de voz de quem cumpriu sua missão, monsenhor avalia que a sua passagem pela cidade foi “um casamento perfeito”.

“Foram momentos excepcionais. Aqui em Rio Bonito eu não estive doente, triste, desesperançado. Saio daqui muito feliz. O povo me recebeu muito bem e entendeu a minha proposta, quis caminhar comigo”.

Conquista - Uma das grandes conquistas para a cidade, através da gestão do monsenhor, que também atuou como vigário geral de Rio Bonito, foi a elevação da Paróquia da cidade a Santuário Perpétuo de Nossa Senhora da Conceição.

“Em 2005, nós recebemos o primeiro Congresso Eucarístico Paroquial da história da cidade, e ano passado a Igreja de Nossa Senhora da Conceição estava se preparando para completar 240 anos. Esses dois fatores fizeram com que o arcebispo de Niterói, do qual a paróquia de Rio Bonito faz parte, Dom Alano Maria Pena, autorizasse, por decreto oficial, que a igreja se elevasse a Santuário Perpétuo. Das 71 paróquias de Niterói, essa é a única que tem adoração perpétua, 24 horas aberta”, comemora monsenhor Guedes.

Ecumenismo

O outro orgulho do religioso é o de ter conseguido conduzir sua passagem pela paróquia da cidade se relacionando de forma cordial com os líderes das outras religiões.

“Eu acredito que as pessoas diferentes de mim, inclusive, na metodologia de ser igreja, nos conduzem a um Deus que é pai de todos. Nós temos que ter convicção do que fazemos. Entender que as pessoas são indispensáveis na condução de qualquer projeto, principalmente os que são diferentes”, reflete o religioso que completa: “Os pastores das outras igrejas vieram aqui (na Casa Paroquial) se despedir de mim”.

Mesmo com toda sua bagagem, 35 anos de vida religiosa celebrados no próximo dia 12 de dezembro, o padre João Alves Guedes, que foi ordenado no Seminário São José, garante que não fez tudo que tinha que ser feito, como “ser mais santo”, mas que está em busca desse objetivo:

“Desejo ser mais santo e trabalhar na formação de leigos. O povo é excelente, mas precisa de mais conhecimento. Mas eu saio daqui de mãos estendidas para abraçar, mãos levantadas para abençoar e coração aberto para acolher”.

Perfil

Nascido em São Sebastião do Maranhão, leste de Minas Gerais, o padre João Alves Guedes tem 62 anos e seis livros escritos.

Publicados são: “Domingo, nascimento de uma nova criação”; “Celebrando e Apredendo na catequese” e “La Domenica”. Os que ainda não foram para as livrarias são: “Caminhando com a Liturgia”; “No caminho do Natal” e Experiências celebrativas do Rito de Iniciação Cristã dos Adultos”.

Dentro da igreja, o religioso é presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI), desde janeiro de 2009, cuja sede fica em São Paulo.