Sem energia

A novela que se arrasta desde 2007, que tem como atores principais a Prefeitura Municipal de Rio Bonito e a Ampla, teve mais um capítulo no último dia 18 (sexta-feira). A confusão começou por volta das 9h, quando funcionários da empresa cortaram o fornecimento de energia para o prédio da Prefeitura. Depois de muita discussão, a energia foi restabelecida por volta das 20h30min.

A Ampla esclareceu, em nota, que o corte aconteceu por inadimplência do usuário. Já a Prefeitura Municipal, através da Procuradoria Geral do Município, informou que existe uma luta judicial entre as partes. O município entende que os valores cobrados pela empresa precisam ser revistos. Ainda segundo a Prefeitura, a Justiça concedeu uma liminar impedindo o corte de energia de qualquer prédio municipal até que ela decida quem tem razão.

De posse dessa liminar, um dos advogados da Procuradoria Geral e o chefe de Gabinete exigiram que os funcionários da Ampla desfizessem o serviço. Como a resposta foi negativa, a polícia foi chamada e um “barraco” começou a acontecer em frente ao prédio da Prefeitura. Para evitar o conseqüente constrangimento, já que centenas de pessoas acompanhavam a discussão das calçadas – o número de curiosos só aumentava –, os policiais militares convidaram as partes para discutirem o caso na delegacia da cidade (119ª DP).

Mas o presente artigo não pretende explorar quem tem razão nessa história. Aliás, se a administração municipal tem deixado a desejar, a Ampla é uma empresa que não merece uma linha sequer a seu favor, porque oferece um serviço de péssima qualidade aos seus clientes. Junto com a empresa que fornece água e as empresas de telefonia, ela é horrível! Se você duvida, ligue o seu computador e observe as vezes que o estabilizador sinaliza queda de energia.

E a geladeira? Você já notou que tem dias que ela fica quase o dia inteiro dando a partida, mas o motor nunca consegue partir? Por que isso acontece? Você não sabe? É que a energia está chegando a sua casa com a potência muito inferior aos 110 watts necessários para fazer funcionar corretamente os aparelhos eletro-eletrônicos. Sabe, por quê? Aqui em Rio Bonito, a nossa rede de energia ainda é aquela que foi projetada para uma cidade que tinha o número de residências, lojas e empresas, bem inferior ao que nós temos hoje. E falam em trazer indústrias para cá... Só se for para ligá-las no focinho do porco.

O mais curioso, porém, foi o número de telefonemas que eu recebi durante aquela manhã: “Flávio, você está sabendo? Estão cortando a luz da Prefeitura!”. “Flávio, já te falaram? Cortaram a luz da Prefeitura!”. “Flávio, eu não sei se você soube, mas a Prefeitura está sem energia!”. Esse último telefonema me impressionou e eu refleti sobre ele algumas horas e nos dias seguintes. “... A Prefeitura está sem energia!”.

Eu fiquei tentado responder àquela pessoa, que a Prefeitura Municipal de Rio Bonito está sem energia há muito tempo. Aliás, até então, energia era a marca do seu administrador, que foi eleito três vezes para a chefia do Executivo, simplesmente por esbanjar vitalidade e energia na condução do município. Doa a quem doer, e me desculpem os eleitores apaixonados, mas não foi nesse administrador sonolento que vocês confiaram os seus votos nos anos de 1991, 2000, 2004 e 2008.

Recentemente, conversando com uma pessoa do alto escalão do governo, ela me disse, talvez, mas para me testar, as seguintes palavras: “eu não sei o que acontece... A administração está muito ruim e eu não tenho uma boa perspectiva, porque nós não conseguimos mais conversar com o prefeito. Ele está blindado e cercado por uma meia dúzia de pessoas, que não permite que ele ouça as nossas opiniões”, comentou.

Como riobonitenses, nós esperamos que a Ampla também tenha condições de restabelecer a energia do administrador municipal. Não é do nosso agrado que ele permaneça com a “bola murcha”. Torcemos que ele volte a ficar com a “bola cheia”, mas com os eleitores e munícipes, porque aqueles que o cercam estão apenas, em sua grande maioria, tentando manter a boquinha! Gente, “deixa o homem trabalhar!”.