Paulo Víctor Magalhães

Depois de muita espera e grande polêmica, o banheiro público de Rio Bonito, mais conhecido como “pinicão”, que fica na Praça Fonseca Portela, no Centro, foi demolido na manhã da última quinta-feira (8), atendendo ao pedido da grande maioria da população e dos comerciantes da região, que reclamavam de danos ao faturamento.

Com a chuva fina e intermitente que caía, as pessoas que passavam pelo Centro, na manhã desta quinta-feira, paravam para acompanhar o difícil trabalho dos cerca de 20 funcionários da Secretaria Municipal de Obras - que começou na semana passada, com a retirada de pisos, sanitários, torneiras e portas - , já que a estrutura do imóvel era feita de concreto e muito ferro. Para retirar o cascalho, foram utilizadas duas retroescavadeiras e quatro caminhões, que deram 26 viagens para transportar todo o entulho, que foi levado para o aterro sanitário da cidade.

Do alto da estrutura, e do chão, o prefeito José Luiz Antunes (DEM) ajudou e acompanhou o andamento da demolição, que está prevista para ser concluída totalmente neste sábado (10), com o calçamento da área, e começou por volta das 9h, com a parte superior do ‘pinicão’ sendo quebrada e puxada por um retroescavadeira, com a ajuda de cabos de aço.

“Essa obra tira, ou melhor, tirava a estética da praça, que vai ficar “livre”. O arquiteto que projetou, economizou no cimento, mas abusou de ferro grosso. Está difícil de quebrar. Eu sou contra demolição, prefiro construir, mas não tinha outro jeito. Era um desejo da população, que eu respeitei”, respondeu o prefeito José Luiz.

Questionado sobre a demora para o início da demolição, o prefeito informou:

“O andamento dessa questão respeitou a burocracia de uma situação como essa, para não dar nenhum tipo de problema”.

O prefeito afirmou ainda que nenhum outro banheiro público vai ser construído no Centro da cidade:

“Nós temos quatro banheiros novos no Mercado Municipal. Além de dois banheiros na rodoviária, que acabam de ser reformados e que ficam abertos 24h. Em Niterói, por exemplo, não tem banheiro público, só os do Terminal Rodoviário, que cobra para que possam ser utilizados. Na cidade do Rio de Janeiro é a mesma coisa”.

Gravando - Também presente no início da demolição, o ator e morador da cidade, Flávio Migliaccio, fez questão de filmar do alto de um prédio a movimentação na praça e a queda de cada pedaço do prédio, já que ele era ‘desmontado’ de cima para baixo.

“Aqui era um ponto de encontro, e também o melhor caminho para o Hospital Regional Darcy Vargas. Por isso, sou a favor da demolição. Uma praçinha tão bonita como essa não tem como ter um “monumento ao mijão desconhecido”. Solange fez uma obra muito boa, que foi a reforma da praça, mas esse monumento estragou tudo”, criticou o ator, que completou: “Eu acho que a construção de um banheiro subterrâneo, na escada que dá acesso a Igreja Nossa Senhora da Conceição, pode ser uma boa opção, desde que haja um planejamento adequado, porque banheiros subterrâneos podem encher de água. Além da retirada do banheiro, acho que tem que retirar, também, o ponto de ônibus daqui (praça), isso enfeia o local”.

O secretário municipal de Obras, Eleilton Figueiredo, informou que o local estará livre, sem que nenhuma outra obra seja erguida.

“Não vai ser feito mais nenhum banheiro no local. Nós temos os banheiros do Mercado Municipal e da Rodoviária, que foram reformados”, confirmou o secretário. “A área em que o banheiro estava ocupando será pavimentada com as pedras portuguesas, típicas da praça”.

Ainda de acordo com o secretário, “o cascalho retirado foi levado para o aterro sanitário (a parte grossa), e a parte mais fina será utilizada para obras de melhorias de estradas rurais”.

A ex-prefeita Solange Almeida, responsável pela obra, foi procurada pela FOLHA DA TERRA para comentar a situação. Porém, sua assessora, Patrícia Estrella, informou que a atual deputada federal não poderia responder às perguntas, já que ocupava-se com o tratamento médico do seu marido.

Populacão aprova

a demolicão

As centenas de pessoas que passavam e paravam para assistir a demolição apoiavam a queda de um símbolo da discórdia. Mas, também, reclamavam do desperdício de dinheiro público.

“É uma pena que o nosso dinheiro tenha sido tão mal empregado e jogado fora, com essa demolição. Mas não tinha outro jeito. Esse banheiro era um horror”, criticou a universitária Carla de Almeida Costa..

O trabalhador rural Antônio dos Santos, de 63 anos, também apoia a demolição:

“Eu nunca vi um banheiro desse tamanho, no meio de uma praça e sem janela. Ele já deu muito problema para todos nós, pois fedia muito. A demolição foi o melhor destino para ele”.