Lívia Louzada

A quantidade excessiva de chuvas e o clima instável que está predominando na região, vem deixando os produtores de laranja de Rio Bonito com dor de cabeça. O motivo é que esse desequilíbrio está causando o aparecimento de um fungo, que está prejudicando a safra da fruta deste ano. Este fungo, que até então era mais comum nas plantações de limão, atualmente tem aparecido nos laranjais da cidade. O engenheiro agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro (Emater-RJ), de Rio Bonito, Licinio Louzada, avisa que se o agricultor não procurar ajuda para o combate da doença, não só a plantação deste ano, mas também a dos anos seguintes, serão afetadas.

O fungo que está causando prejuízos nos laranjais, se chama Colletotrichum acutatum, porém é mais conhecido como ‘estrelinha’ ou ‘queda dos frutos jovens’, justamente por ocasionar a queda dos frutos que nasceram recentemente, e logo após, ficarem com aparência de estrela. Para se detectar a presença do fungo, é preciso observar os galhos do pé de laranja. Em um primeiro momento, as pétalas das flores caem, deixando apenas um fruto, que fica com uma cor amarelada, e logo em seguida se desprendem da planta. Apesar da enfermidade se instalar na planta, antes da flor abrir, o produtor só descobre que o pé de laranja está infectado, depois que as pétalas caem.

O Colletotrichum acutatum é mais comum no limão, que é uma fruta que produz todos os meses do ano. Este fungo que está atacando a laranja, já havia sido identificado em outras cidades, mas não em Rio Bonito. Porém no início de agosto, época em que acontece a florada da fruta, o tempo instável acabou prejudicando os laranjais. Um dos sintomas que pode ser identificado quando a planta está infectada, é a queda de mais de 30% dos frutos. Quando isso acontece, o produtor já pode procurar ajuda profissional. Mas é bom que não se confunda com a queda normal que acontece, a diferença está no cabo da planta, quando ela cai, não há motivo para preocupação.

O problema deste tipo de fungo é que se não for cuidado, e o cabo da planta não cair, o pé de laranja continua puxando nutrientes e assim prejudica a próxima florada, pois se o cabo não cai, também não gera a fruta, e aquele galho fica inutilizado.

O agricultor Paulo Luiz do Couto, de 62 anos, foi prejudicado com a doença do seu laranjal. De acordo com ele, o prejuízo na produção, será de 80%. “Minha roça está lisa. Para o ano que vem, não vou ter a produção que esperava, dessa vez a gente perdeu quase tudo. Eu estava programando colher 10 mil caixas de laranja, e pelo que estou vendo, devo colher no máximo duas mil ”.

Segundo Licinio Louzada, que chefia o escritório da Emater de Rio Bonito, “os fungos fazem parte do ecossistema, mas quando há um desequilíbrio na natureza, como o que está tendo, com excesso de umidade, chuvas e temperaturas altas, o fungo ataca. Essa chuva é normal na época da florada, mas este ano, coincidiu com o aparecimento do fungo, por isso tem atrapalhado a produção de laranja”. Ele completa dizendo que a “identificação do fungo na laranja, foi feita a partir de estudos já concluídos pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) da Bahia, e com esses estudos, pude perceber que o que estava na laranja, era o mesmo fungo do limão”.

Como combater

Para combater a doença, o engenheiro agrônomo pede que os produtores rurais procurem a Emater ou um profissional da área, para detectar e combater o fungo com produtos específicos, pois mesmo que a produção já esteja comprometida, se os pés de laranja não forem cuidados desde agora, a produção do ano que vem, e as seguintes, serão comprometidas. E quem ainda não identificou o problema em suas terras, também tem que se preocupar com a doença, pois se a plantação do vizinho estiver infectada, o fungo se lastrará e poderá passar para seu laranjal.

“É importante alertar os produtores pois ainda podem recuperar a florada até novembro, mas só se as condições ambientais melhorarem, porque do contrário, só mesmo o cuidado a partir de agora, pode salvar as produções futuras. Mas se no ano que vem ele (o produtor) não observar a plantação para pulverizar antes da florada, a doença pode voltar”, alerta Licinio.