Flávio Azevedo

A sessão da Câmara Municipal de Vereadores de Rio Bonito, da última terça-feira (13), foi marcada pela presença do secretário municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), Eleilton Figueiredo. Ele compareceu atendendo a convocação do presidente da Casa, o vereador Fernando Soares (PMN). Na ocasião, o presidente do Legislativo informou que a população tem cobrado dos parlamentares, explicações sobre os assuntos relacionados a pasta do secretário, que também está respondendo pelo Desenvolvimento Urbano. Em suas primeiras palavras, Eleilton discorreu sobre a dificuldade de se encontrar um terreno que não esteja em área de risco e que não tenha pendências documentais.

Que providências a Prefeitura Municipal está tomando para atender as famílias atingidas pelos temporais do último verão, que medidas preventivas estão sendo implantadas para que a história não se repita na próxima estação e quando o recurso de R$ 1 milhão doado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), finalmente será utilizado, eram os principais questionamentos em pauta – No último verão a chuva provocou deslizamentos de terra que causou a morte de duas pessoas e deixou centenas de famílias desabrigadas e desalojadas.

No fim da sabatina, a expressão dos integrantes da comissão de moradores do Boqueirão demonstrava o que nada foi esclarecido na reunião. Segundo os representantes do bairro, “os vereadores fizeram o seu papel, mas as respostas do secretário não corresponderam as nossas expectativas. Para nós ele não disse nada e tudo indica que nós vamos continuar nesse sofrimento”. O vereador Aliézio Mendonça (PP) disse que estava com a alma lavada, “porque estamos cobrando soluções para uma tragédia anunciada”.

Já o vereador Humberto Belgues (PSDB) apresentou o Plano Diretor da cidade, que foi aprovado em 21 de setembro de 2006. De acordo com o parlamentar, o Plano não está sendo seguido como deveria. “Esse documento aponta no município, os locais e o número de casas em que estão em risco. O secretário Eleilton assumiu a Secretaria de Obras esse ano, mas Lílian está no Bem-Estar Social há seis anos. Ela deveria ter conhecimento disso”, criticou.

Em uma das suas explicações, o secretário comentou que nas últimas chuvas que atingiram o município, já aconteceu um deslizamento de terra. De acordo com ele, foi na casa de um funcionário da Secretaria de Obras e a residência estava interditada. “As pessoas foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil, mas elas retornaram e isso pode trazer sérias consequências”, afirmou o secretário, lembrando que no município existe um Conselho Municipal de Habitação que também deveria ser consultado.

O vereador Aliézio Mendonça novamente se manifestou. Ele disse que as pessoas estão desesperadas e a Prefeitura inoperante. “O desespero acontece, porque ninguém consegue explicações. A falta de diálogo é muito grande. Nós esperamos soluções! O que tem sido feito? Existe um contato permanente com as pessoas que moram nessas áreas de risco?”, questionou. O vereador Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR), foi enfático: “Vamos receber R$ 4 milhões. Quando e onde esse dinheiro vai ser gasto, e por que esses recursos não estão sendo destinados à construção de casas populares?”.

 

Explicações

De acordo com o secretário, várias ações têm sido feitas para evitar o alagamento do município. “O rio Bonito foi dragado de Tanguá até o centro da cidade e um dique foi construído na entrada da Bela Vista, onde o rio se divide para a Av. Manuel Duarte e Av. Santos Dumont. Também fizemos um alargamento no trecho onde essas águas voltam a se encontrar, próximo ao Rio Bonito Atlético Clube. Nesse mesmo local, as cabeceiras da ponte da ferrovia foram modificadas. Além disso, o governo do Estado está realizando a contenção de três encostas no município”.

Por cerca de duas horas, o secretário, que a maior parte do tempo se manteve tranquilo, respondeu cerca de 30 perguntas dos parlamentares. Sobre o socorro as famílias do Boqueirão, Eleiton deixou claro que essa é uma atribuição da Secretaria Municipal de Trabalho, Habitação e Bem-Estar Social. Ele destacou também, que o recurso de R$ 1 milhão doado pela Alerj, está no setor de Habitação. Eleilton frisou ainda, que a secretária da pasta, Lílian Antunes, solicitou ao setor um projeto para a construção de casas que tenha o custo de R$ 1 milhão.

Outros questionamentos

O secretário também respondeu perguntas sobre a precariedade da iluminação pública, a constante limpeza de bueiros, o cancelamento das obras do bairro Cajueiro, o porquê das ruas esburacadas (Mangueirinha, Rio Vermelho, Jacuba etc.), a previsão de inauguração das quadras do Rio do Outro e do Boqueirão, a coleta de lixo inconstante em algumas localidades e o atraso no pagamento de máquinas e caminhões que prestam serviços à Prefeitura.

Questões como o número de funcionários reduzido da Secretaria de Obras, a escalação das mulheres concursadas para fazer serviços braçais, a demolição do banheiro público (pinicão), as reuniões com os representantes do Pólo Comercial, entre outros assuntos, também foram debatidos com o secretário.