Flávio Azevedo

Apesar da cordialidade do prefeito José Luiz Antunes (DEM) e do deputado estadual Marcos Abrahão (PT do B), a visita do governador Sérgio Cabral (PMDB) a Rio Bonito no último dia 14 foi marcada pelo clima de hostilidade e tensão. Munidos de faixas e cartazes, cerca de 50 topiqueiros que estão impedidos de trabalhar com as mudanças impostas pelo governo do Estado para o transporte alternativo, se concentraram em frente ao palanque montado na Praça da Bandeira, onde Cabral foi recebido. Por volta das 11h30min, o governador chegou acompanhado de uma grande comitiva. Eles vieram em três helicópteros. As aeronaves pousaram no campo do Rio Bonito Atlético Clube.

O governador anunciou a liberação de uma verba de R$ 4 milhões para o município e assinar o convênio para a liberação do recurso. Durante a solenidade prevaleceram as vaias, os apupos, as zombarias e as palavras ordem. “Queremos trabalhar, o Cabral não quer deixar”, “Cabral governa para os empresários de ônibus”; “fora Cabral”; “obrigado pelo meu desemprego”; “vaza, não queremos você aqui”. Apesar de tentar fingir que os manifestantes não estavam ali, eles roubaram a cena e conseguiram irritar o governador que encerrou o seu discurso aos gritos.

Selada a paz

O deputado Marcos Abrahão agradeceu a criação da Coordenadoria de Educação Serrana V, a Ciretran e as obras de recuperação de três encostas (Bosque Clube, Cidade Nova e Rua Lauro Araújo Jr, no Centro). Ele também destacou a doação de R$ 1 milhão, que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) enviou para o município atender os desabrigados atingidos pelas chuvas do último verão. Os manifestantes permitiram que Abrahão falasse, mas quando ele citava os nomes do deputado Paulo Melo (PMDB), a quem chamou de “meu amigo”, e do presidente da Alerj, Jorge Piccini (PMDB), os protestos recomeçaram.

Depois de ser chamado de “meu amigo” por Marcos Abrahão, o deputado Paulo Melo cumprimentou o antigo desafeto como “representante de Rio Bonito e morador dessa cidade”, dando a entender que se deram uma trégua. Um dos discursos mais críticos a administração do prefeito José Luiz nos últimos anos, sendo inclusive um dos grandes incentivadores da candidatura do ex-vereador Reginaldo Dutra, o Reis, nas eleições municipais de 2008, o deputado Paulo Melo cumprimentou o prefeito e destacou a implantação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade (seria aquela que soubemos que sairia daqui para Saquarema?).

“Cara-de-pau”

O prefeito José Luiz Antunes durante 10 minutos agradeceu o recurso do governo do Estado, a visita que recebeu de Cabral, por ocasião do atentado que sofreu em agosto de 2006, falou dos bairros beneficiados pelas obras, mas esqueceu de comentar a situação das famílias do Boqueirão, Bosque Clube e Olarias, que ainda sofrem com as chuvas do último verão. Empolgado, o prefeito disse que “o Rio merece por mais 4 anos, o homem que vai chegar a presidente do Brasil”. Imediatamente um manifestante gritou: “Mandiocão está maluco!”.

No fim do seu pronunciamento, o prefeito presenteou o governador com uma das obras do artista riobonitense Dawson Nascimento. Ao ver a obra de madeira, especialidade de Dawson, um dos manifestantes ironizou: “Ele ganhou uma cara-de-pau! Essa homenagem é a cara de Sérgio Cabral, um grande cara-de-pau”. Foi a deixa para a manifestação prosseguir com um novo coro: “cara-de-pau, cara-de-pau, cara-de-pau!”.

Tentando demonstrar tranquilidade, mas visivelmente constrangido com a manifestação, o governador Sérgio Cabral disse em rápidas palavras que o Rio de Janeiro estava abandonado há 30 anos e as vaias que tem recebido são orquestradas sempre pelas mesmas pessoas. De acordo com ele, “houve um tempo que as brigas, as desavenças prevaleciam e o povo era prejudicado. O Rio nunca recebeu tanto recurso do governo federal”. Demonstrando não estar por dentro da política local, o governador elogiou o fato de ver no mesmo palanque o prefeito, o vice-prefeito e o presidente da Câmara.

Resposta as vaias

Com serenidade o governador afirmou que o Rio de Janeiro passa por um momento novo, onde o crime, o tráfico e o poder paralelo estão sendo enfrentados. “Mas essas mudanças, é evidente, estão gerando insatisfação e a resistência dos políticos que se nutriam do problema, do poder paralelo e de um esquema que vai ficar no passado”. Como as vaias continuavam, Cabral aumentou o tom de voz e num discurso inflamado concluiu: “acabou a bandalheira no Estado, começaram as parcerias, começaram as mãos dadas, como estão fazendo Marcos Abrahão e Mandiocão em Rio Bonito”. (?)

Destino dos recursos

Os municípios de Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá receberão cerca de R$ 14 milhões do governo do Estado. Em Rio Bonito será construída uma Praça de Convivência, com uma academia de ginástica, área de lazer infantil, teatro de arena e biblioteca popular. Além disso, o segundo galpão da antiga Nadisa, anexo ao Centro Administrativo será recuperado. O convênio também prevê obras de urbanização, pavimentação e drenagem em diversos bairros, perfazendo uma extensão total de 19,7 Km. Também será a concluída, a estrada que liga o Green Valley ao Basílio, antigo projeto do prefeito José Luiz Antunes.

No município de Tanguá, o governador inaugurou 44 unidades habitacionais e assinou um convênio de R$ 8 milhões, para reforma e ampliação de cinco escolas, uma creche, quatro postos de saúde da família e um centro de saúde. A localidade de Duques será beneficiada com a implantação de um sistema de captação de água potável, estação de tratamento e rede de distribuição. Em Silva Jardim, a população será beneficiada com obras de drenagem e pavimentação, uma praça e 17 Km de ruas asfaltadas.