
Segurança é um caso de saúde pública
Essa semana, o jornal O Fluminense publicou uma matéria noticiando que o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Leste Fluminense (Conleste), que reúne os municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Rio Bonito, Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Magé, Maricá e Araruama, receberá até 2012, investimentos da ordem de R$ 79 milhões para serem utilizados no sistema de saúde dessas cidades. Os recursos virão do Governo Federal, da Petrobras e serão monitorados pela ONU. O investimento é uma espécie de contrapartida pela implantação do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí.
Uma das principais utilidades do recurso será implementar no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), em Niterói, um serviço de neurocirurgia para atendimento de alta complexidade. Também será implantado um serviço de cirurgia cardíaca e um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) com um banco de tecidos e pele. Ainda em Niterói, serão beneficiados o Hospital Municipal Carlos Tortelly, no Bairro de Fátima e a Unidade Municipal de Urgência Mário Monteiro, em Itaipu. Cada unidade será equipada com um tomógrafo. Embora muito acanhada, outra boa notícia é a ampliação dos leitos Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Serão beneficiados o HUAP, o Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), o Hospital Municipal Luiz Palmier, de São Gonçalo, o Pronto Socorro de São Gonçalo, o Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá e o Hospital Estadual João Batista Cáfaro, de Itaboraí. Também receberão investimentos os hospitais municipais de Magé e Guapimirim.
Apesar de não ver o nome de Tanguá e Rio Bonito mencionado, eu confesso que fico um pouco mais aliviado com essas notícias – embora continue querendo ver para crer. Contudo, outro ponto não menos importante que a saúde, ainda não recebeu nenhum tipo de investimento. Conversando com as autoridades, não vemos nenhuma luz no fim do túnel, e quando ela começa a brilhar, geralmente é um trem que se aproxima. Estamos falando da segurança, que embora muitos não concordem, se tornou um caso de saúde pública por vários motivos. Primeiro, porque a quantidade de jovens portadores de algum tipo de deficiência, por terem sofrido algum episódio de violência não para de crescer.
Além disso, nunca é demais lembrar, que a partir do momento que a polícia começou a combater a marginalidade na capital, os bandidos decidiram se transferir para as cidades do interior, onde o povo é menos atento e a polícia é mais ineficiente, por conta do baixo efetivo dos batalhões. Surge então uma modalidade de crime que é uma mão na roda: os assaltos a propriedades rurais, onde geralmente os sitiantes e fazendeiros mantêm o velho hábito de guardar dinheiro em casa.
No último dia 21 de outubro, durante a reunião do Conselho Comunitário de Segurança, o sub-comandante do 35º Batalhão da Polícia Militar de Itaboraí, tenente coronel Cid Rodrigues Tavares, confirmou que o efetivo de policiais militares do 35º é pequeno e a área de atuação muito extensa (Silva Jardim, Rio Bonito, Tanguá, Itaboraí e Cachoeira de Macacu). Apesar de ter prometido melhorar a segurança na Zona Rural, o policial comentou que “somente Deus tem o poder da onipresença, mas nós (policiais) não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo”.
Na ocasião, o subcomandante deu essa resposta ao presidente da Câmara Municipal, o vereador Fernando Soares (PMN) e o ex-secretário municipal de Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo, Marcos Ronaldo de Carvalho Braga, o Marcos da Emater, que reclamaram dos assaltos que estão que estão acontecendo nas localidades mais afastadas. De acordo com eles, somente neste ano, 11 propriedades rurais foram assaltadas, mas ao longo dos últimos anos esse numero ultrapassa 35. Mas a estatística continuam sendo aumentada.
Dizemos isso, porque há cerca de 20 dias, por volta das 20h, dois homens encapuzados entraram numa casa na localidade de Catimbau Pequeno. Eles apresentaram as suas armas e exigiram dinheiro. A dona da casa, que estava na residência na companhia das suas duas filhas, ambas menores, entregou aos bandidos R$ 300 que estavam reservados para fazer compras no dia seguinte. Não satisfeitos com o dinheiro, os marginais foram à geladeira e roubaram os danoninhos das crianças. De acordo com uma familiar, que pediu para não ser identificada, a polícia foi chamada, mas não compareceu ao local. Com medo de represálias, por morar num local afastado, a família decidiu não prestar queixa.
Imagine o estado psicológico dessas crianças e dessa mãe. Essa ação violenta e covarde, certamente vai causar cicatrizes no inconsciente dessas crianças, que certamente ficarão traumatizadas. Viu como a segurança é um caso de saúde pública? Estamos esperando os investimentos nesse setor. Com a palavra, o Conleste, a Petrobras, os governos, e por que não, o povo.