Flávio Azevedo
O programa “O Tempo em Rio Bonito”, da rádio Sambê FM (98,7), recebeu no dia 1º de novembro, o deputado estadual Marcos Abrahão. Sempre polêmico, o parlamentar não poupou críticas aos seus adversários políticos. O deputado começou abordando a relação com o também deputado Paulo Melo, antigo desafeto, chamado por Abrahão de “meu amigo”, por ocasião da visita do governador Sérgio Cabral à Rio Bonito, no último dia 14 de outubro. “Apesar das desavenças e controvérsias do passado, nós temos que ter educação. As mágoas passam, agora é trabalhar, porque Rio Bonito, Tanguá e Silva Jardim são muito maiores que Marcos Abrahão e Paulo Melo”.
Sobre o baixo número de votos que recebeu nas eleições municipais de 2008, o deputado comentou que “enquanto os outros candidatos se atacavam, nós fizemos a campanha das idéias”. De acordo com Abrahão, o prefeito José Luiz foi reeleito, porque a população ficou com medo do retorno da ex-prefeita Solange Almeida, se o ex-vereador Reginaldo Dutra (Reis) fosse vitorioso. “Acharam melhor ficar do jeito que está e não voltar ao caos”. Sobre a história de que teria pedido que os seus eleitores votassem no prefeito, Abrahão foi categórico: “Isso não existe! É choro de perdedor!”.
“Incompetentes”
De acordo com o deputado, Rio Bonito já foi representado por dois deputados estaduais (José de Aguiar Borges – Kaki – e Aires Abdala), mas eles nada fizeram pelo município. Ele também questiona o trabalho desenvolvido pela deputada federal Solange Almeida (PMDB). “O que ela tem feito? O problema é que os políticos sempre se escondem depois das eleições”. Sobre a Câmara Municipal, o parlamentar disse que os vereadores precisam trabalhar. “O vereador não tem que ter compromisso com Marcos Abrahão, eles precisam ter compromisso com Rio Bonito. Eles devem se preocupar com o desemprego, com a saúde e com a segurança”.
Sobre a deputada Solange Almeida, que revelou também no programa “O Tempo em Rio Bonito”, que “gostaria de ser uma despachante de Rio Bonito, em Brasília, mas o município não manda projetos para que ela possa trazer recursos federais”, o deputado vociferou: “É retardada mental e está pensando que as pessoas também são retardadas. Para que serve o deputado? Está querendo o enganar quem? Não precisa o município ir à Brasília, porque o deputado está lá para representar a cidade. Para isso fomos eleitos! Não tem que colocar a culpa no prefeito... Ela tem que fazer a parte dela!”.
O deputado enumerou os projetos do governo estadual que chegaram ao município (R$ 1 milhão para os desabrigados, Ciretran, a Coordenadoria de Educação, o Suderj em Forma, transporte rural) e disparou: “nenhum desses benefícios foram pedidos pela Prefeitura ou pela Câmara Municipal, mas independente disso, eu estou fazendo a minha parte”. Além de questionar a atuação da deputada, Abrahão fez uma observação que promete gerar muita polêmica: “ela (Solange) foi prefeita... E, qual foi o projeto que ela mandou para Brasília? Precisamos acabar com essa bandidagem de fazer política carregando gente para hospital. Mas a mão de Deus é pesada... E, às vezes, ela se abate sobre alguém que você gosta!”.
Sugestões à administração municipal
Para o deputado, “a Prefeitura só mudou de dono, porque o prefeito não faz nada. Não estou falando da pessoa do José Luiz, mas do homem que deveria estar resolvendo o problema da população gerando emprego, mas está demitindo. Tem que ser mais presente! Ele usa pouco o deputado Marcos Abrahão, ou melhor, não usa nada. Tem que parar com essa vaidade nojenta!”.
Ao saber que o prefeito tem cobrado dos seus críticos, sugestões para poder governar melhor, o parlamentar deu a seguinte declaração: “Eu vou sugerir, prefeito! Vai ao banco, pega aquele R$ 1 milhão que tem lá e atenda as 90 famílias do Boqueirão que estão morando em casas interditadas. As críticas, prefeito, muitas vezes servem para abrir os nossos olhos. Pegue esse dinheiro e reconstrua a casa das pessoas. Mas eu vou dar outra sugestão: se eu indicar um secretário de Obras, com esse R$ 1 milhão eu resolvo esse problema”.
Abrahão continuou a fazer sugestões: “esse recurso não foi doado para ficar no banco. Desde fevereiro que as pessoas estão pererecando de um lado para outro sem ter onde morar. As coisas têm que acontecer, prefeito! Vamos trabalhar! A população está esperando as promessas de campanha. Será que esse dinheiro vai ficar no banco ate chegar às próximas eleições? E, cadê o Ministério Público (MP) que não age?”.
Segundo o deputado Marcos Abrahão, atualmente ele preside a Comissão de Obras e Serviços Públicos da Alerj, que semanalmente discute os problemas relacionados a habitação. “Eu estou fazendo a minha parte, mas a prefeitura não fez nada e a representante do governo federal também não”. Questionado sobre as obras do governo do estado, que vai construir praças enquanto famílias inteiras continuam morando em casas interditadas, o deputado afirmou que “é o prefeito que pede as obras e o secretário municipal de Obras Eleilton Figueiredo nunca me procurou!”.
O deputado acredita que a Prefeitura não deveria gastar R$ 500 mil para construir uma base para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). “Na antiga Nadisa existe espaço ocioso onde poderiam construir uma garagem e instalações para os profissionais desse serviço. Esse recurso poderia ter sido investido no ambulatório municipal (Loyola), mas para isso é preciso competência. O problema é que querem mostrar que estão fazendo alguma coisa. Aqui em Rio Bonito é assim... Uma imbecil constrói um pinico na Praça, o outro vem e derruba!”.
Topiqueiros
Sobre a manifestação dos topiqueiros, por ocasião da visita do governador Sérgio Cabral à Rio Bonito, Abrahão disse que foi contra ao que chamou de “sacanagem” que fizeram com os riobonitenses que trabalhavam com transporte alternativo. “É inadmissível reduzir o número de veículos e principalmente trazer pessoas de fora. Eu comentei isso com o governador”. O deputado parabenizou os manifestantes. “Aplaudi e quero parabenizar todos que fazem qualquer protesto, porque isso é um direito do cidadão”.
Segurança
O parlamentar criticou a formação do Conselho Comunitário de Segurança, que para ele, deveria se composto por policiais aposentados. Já sobre a assinatura de um convênio entre a Prefeitura e o governo do Estado para que a Polícia Militar e a Guarda Municipal tenham poder de multa, o que teoricamente iria contribuir para o ordenamento do trânsito, Abrahão deu outra declaração polêmica: “Como que o governador vai dar poder, a esse fedelho desse Machado? Um sujeito que soltou moto lá trás... Que recebia propina junto com policiais que não estão mais em nosso convívio?”. Concluindo, Marcos Abrahão informou que as provas dessa denúncia foram repassadas ao MP, mas quem quiser saber da veracidade da história, pode conferir com ele.