Lívia Louzada
Desfrutando de merecidas férias após levantar a taça do hexacampeonato brasileiro, o zagueiro do Flamengo Welinton Souza recebeu na manhã desta terça-feira (29), em sua casa, na Serra do Sambê, em Rio Bonito, a reportagem da FOLHA DA TERRA. O jogador contou sobre sua trajetória no futebol e a alegria de integrar o plantel de um dos maiores times do mundo. Com um tricampeonato carioca, uma conquista sulamericana pela seleção sub-20, e um título brasileiro no currículo, o riobonitense, de apenas 20 anos, se surpreende com tudo que conquistou em tão pouco tempo, mas se diz feliz e atribui à base familiar, o fato de ter conseguido seu “lugar ao sol”, como ele mesmo diz.
Desde os 10 anos, o sonho de ser jogador de futebol não sai da cabeça de Welinton. Após frequentar aulas de futebol no Motorista Futebol Clube, no Rio Bonito Atlético Clube, e tentar ingressar nas categorias de base do Vasco, Welinton acabou indo atuar no Tanguá Futebol Clube. Foi quando surgiu uma oportunidade, e ele recebeu um convite para fazer testes no Flamengo. Depois de ser aprovado e receber a proposta de fazer parte das categorias de base do clube, Welinton percebeu que seu sonho começaria a ser realizado, e todas as dificuldades que tinha enfrentado até o momento – financeiras e problemas para estudar e jogar ao mesmo tempo – tinham valido a pena. O sonho de jogar no time do coração, era um desejo deste a época que ia com seu pai aos jogos no Maracanã. Nestas ocasiões, ele diz que sempre se imaginava dentro das quatro linhas.
“Eu assistia os jogos e pensava: tenho que estar lá, um dia meu nome será gritado por essa torcida”, conta, com seu jeito discreto.
Embora a conquista do riobonitense seja vista por muitos como já alcançada, os sonhos de Welinton são outros para sua carreira. Segundo ele, pensa em jogar fora do Brasil e na seleção brasileira profissional, pois já defendeu a camisa canarinho quando fez parte da seleção Sub-20. Sempre com o pé no chão e ciente do começo de sua carreira, o admirador do jogador Romário, fala com cuidado do desejo de jogar no clube italiano Milan, pois se lembra das dificuldades de adaptação que sofreu até chegar onde está hoje.
O garoto de hábitos tranquilos e consciente de sua responsabilidade, disse que ao chegar clube, estranhou os assuntos abordados pelos colegas.
“É muito diferente a conversa deles. Enquanto muita gente tem dificuldade de comprar uma cesta básica, eles falam em comprar casas. Quando eu ouvia essas coisas, acabava ficando no meu canto e a partir daí eles aproveitavam para me chamar de capiau. Mas hoje percebo que era apenas uma provocação para eu conseguir me enturmar”, explicou Welintom, que vive com os pais em uma casa simples, na Serra do Sambê.
Cabeça no lugar
Apesar da pouca idade, Welinton diz que lida muito bem com as críticas e que entende que no mundo do futebol, “um dia você é aplaudido, e no outro você é vaiado”. O jogador atribui sua boa conduta e a forma como conduziu sua vida até hoje, à boa criação que seus pais lhe deram.
“Às vezes quando fazia algo de errado, eles me diziam como deveria agir, e puxavam minha orelha quando era preciso”.
Apesar de já ter passado por dificuldades financeiras na vida, hoje, Welinton se diz confortável com o que ganha. Ele conta que o primeiro salário que recebeu no Flamengo foi destinado para fazer compras com a mãe.
“Fui fazer compras no supermercado, aqui em Rio Bonito, com minha mãe”, diz, orgulhoso.
Embora goste de ficar em casa com a família, e passar um tempo com a namorada, Welinton diz que quando chega em Rio Bonito, pede para a mãe fazer macarrão, e pão com ovo. Com relação aos amigos da cidade, o jogador conta com tristeza o fim que muitos deles tiveram.
“Muitos amigos de infância eu perdi, pois morreram por conta do tráfico. Tem que saber lidar com a coisa. Eu respeito e assim sou respeitado por não querer me envolver”, conta
O zagueiro se apresenta no Flamengo no dia 5 de janeiro para avaliações físicas, e no dia seguinte, embarca para São Paulo para a fase de treinamentos para o estadual.