Salvem as nossas crianças!

Os temas abordados pelo padre Eduardo Braga na posse dos conselheiros tutelares de Rio Bonito, no último dia 4 de janeiro, deveriam estar sendo discutidos e debatidos pela mídia, nas rodas de bate-papo, nos encontros sociais e, sobretudo, pelas famílias, que, embora estejam cada vez mais desintegradas, precisam ser trazidas à realidade. O primeiro assunto abordado pelo pároco merece destaque, porque ao falar sobre os vícios, ele colocou as drogas lícitas e ilícitas no mesmo pé de igualdade. O sacerdote tem toda razão, porque álcool, cigarro, cocaína, maconha, crack, cola etc., são substâncias igualmente nocivas ao corpo humano.

Além da desintegração familiar e da perda de foco das escolas, o padre também falou sobre os acidentes de trânsito, que semanalmente tem tirado a vida dos nossos jovens e adolescentes. O sacerdote fez uma pergunta, que aqueles quem deveria responder sempre se omitem: “quem é o responsável por fiscalizar quem circula de moto sem capacete?”. Sobre pedofilia e abusos sexuais, num ato de coragem, o pároco comentou a respeito do vídeo produzido num banheiro de posto de gasolina, onde aparece a imagem de crianças fazendo sexo. De acordo com o padre, o vídeo foi vendido na feira pelo valor de R$ 5,00.

O sacerdote disse também, que há cerca de dois anos, quando o vídeo começou a circular, “não houve pronunciamento por parte de ninguém”. Mas, infelizmente padre, se nós bem conhecemos a sociedade riobonitense, as pessoas que deveriam se pronunciar sobre o assunto, certamente estão reprovando o fato de o senhor ter externado a sua preocupação publicamente. Aliás, na terra onde mandam, aqueles que fingem que vivemos num paraíso, alguém já deve estar comentando, que o senhor é tão inconveniente quanto o seu antecessor – como muitas vezes nós ouvimos comentarem.

 

Sobre as pulseiras do sexo, outro assunto que o padre Eduardo afirmou que deve ter a atenção dos adultos, principalmente dos pais, é bom lembrar que elas existem e já estão entre nós. Para os pais desatentos, devemos destacar que as pulseiras são comuns, coloridas e de silicone. Coisa de criança! Mas as cores diferentes – preto, azul, vermelho, rosa, roxo, laranja, amarelo, verde e dourado – mostram até onde adolescentes, pré-adolescentes e jovens estão dispostos a chegar (dar um beijo ou fazer sexo). Nas escolas, os meninos tentam rebentar a pulseira das meninas, que terá de “oferecer” o ato físico a que corresponde à cor da pulseira arrebentada.

Na verdade, essa pulseira do sexo é a última moda do comportamento promíscuo da jovem sociedade moderna, o que nos faz acreditar, que a inocência da infância está num passado muito distante. Ao usar a pulseira, o adolescente entra num jogo chamado Snap, que existe desde a década de 80. No inglês, Snap significa quebrar, partir, rebentar. As regras do jogo variam, mas o objetivo sempre é levar, principalmente as meninas, a praticar o comportamento sexual referente à cor da pulseira rompida.

As cores da pulseira têm os seguintes significados: Amarelo – Abraço; Rosa – Mostrar o seio; Laranja – Dentada de amor; Roxa – Beijo de língua, talvez sexo; Vermelha – Lap Dance (uma dança erótica de origem inglesa, que não é menos imoral que a nossa popular, e aceita, Dança do Créu); Verde – Sexo oral a ser praticado pelo rapaz; Branca – a menina escolhe o que quiser; Azul – Sexo oral a ser praticado pela menina; Preta – Sexo convencional; Dourada – Fazer o que o jogo determina para todas as cores.

Penso que nós deveríamos dividir essas preocupações com o padre Eduardo. Aliás, até quem ainda não é pai deveria repensar os valores que estão sendo transmitidos àqueles que no futuro estarão dirigindo a nossa cidade, o nosso estado, o nosso país, enfim, o nosso mundo. Autoridades, instituições, famílias e a sociedade como um todo, já deveriam estar refletindo sobre esses temas. Manter a crença que esses fatos são irreais ou inverídicos é dar cores vivas ao futuro sombrio que está se desenhando para as futuras gerações.

Concluindo, acreditamos ser oportuno citar o conceito de política que era defendido pelo sociólogo italiano Antonio Gramsci. Ele faz uma distinção entre o que chama de grande e pequena política. Para ele, a grande política toma em questão o debate sobre as estruturas sociais e as suas transformações. Já a pequena política, Gramsci classifica como a política da intriga, do corredor, as disputas internas pelo poder, que não coloca em discussão as grandes questões. E agora José?