Lívia Louzada

Os impactos ambientais provocados pela obra de duplicação da BR-101, do km 261 até o km 190, foi o tema da audiência pública promovida pela concessionária Autopista Fluminense, na tarde da última quinta-feira (19), no salão do Motorista Futebol Clube, em Rio Bonito. A intenção foi tirar dúvidas dos riobonitenses sobre a futura obra, que atualmente está na fase de licença ambiental. Além do assunto principal, as autoridades presentes também falaram sobre as desapropriações de áreas localizadas às margens da Rodovia Mário Covas (como o trecho concedido da rodovia foi denominado), de como será realizada a duplicação da pista, e sobre os dois trevos, que serão construídos no km 260, no Rio do Ouro, e no Sambê, km 252, antes da praça do pedágio.

A maior parte dos questionamentos feitos, foi com relação a desapropriação de áreas pertencentes a moradores de Rio Bonito, principalmente do Rio do Ouro, onde deve ser construído, além de um trevo, um viaduto, há cerca de 200m do local. Um dos moradores da localidade, que demonstrou preocupação com o assunto, durante a audiência, é Claudio Cardoso. Ele afirmou que teme ser surpreendido pela concessionária, e ter que deixar sua residência, sem aviso prévio.

“Gostaria de ser avisado com antecedência. Não me oponho a duplicação, mas preciso ser esclarecido sobre algumas questões, como por exemplo o barulho que deve aumentar com a obra, e depois que a pista ficar pronta. Tenho receio também, de ser indenizado com um valor abaixo do que realmente vale meu imóvel”, disse.

Em resposta, o diretor da concessionária, Alberto Gallo, esclareceu que poucas casas serão desapropriadas na cidade, mas que o assunto não poderia ser discutido no encontro, pois não fazia parte no tema inicial.

“Não só os moradores do Rio do Ouro, mas todos que moram as margens da BR-101, podem ficar tranquilos, pois ninguém será surpreendido. Todos serão avisados com antecedência, e não precisam aceitar o valor da indenização que será oferecido. Poderá ser feita uma negociação” , ponderou Gallo.

Segundo o diretor da Autopista, o grande número de acidentes na rodovia, com vítimas fatais, é o principal motivo da duplicação da BR-101. “Cerca de 71% das mortes na BR-101, são causadas por atropelamento e colisão frontal. Não queremos que mais pessoas percam a vida, por isso a obra (de duplicação), é importante”.

Ele também explicou que para não causar transtorno para os motoristas, a obra deve ser feita paralela a pista que já existe. Ao todo, serão 176 Km de duplicação, que acontecerá em três fases, até o ano de 2015. A primeira será feita de Rio Bonito à Rio Dourado, na divisa de Casimiro de Abreu com Rio das Ostras. A segunda, é de Conceição de Macabu até Campos, e a terceira, será feita de Rio das Ostras, até Conceição de Macabu.

Também presente na audiência, o subsecretário de Transportes do Estado, Delmo Pinho, disse que a obra deveria ter sido feita há 15 anos. “Além de poupar vidas, essa obra será feita da melhor forma para trazer mais desenvolvimento para toda a região”.

Também preocupado com o desenvolvimento para sua cidade, o prefeito de Quissamã, Armando Carneiro, esteve na audiência pública. Ele disse ter o interesse de contribuir para que a obra seja feita o mais rápido possível. “A nossa região está crescendo muito, e a BR-101 é de uma importância vital para nossa gente. Peço para que seja acelerado o processo burocrático, para começar a duplicação”, sugeriu.

Impacto ambiental

Antes da obra ser iniciada será necessário um Estudo de Impacto Ambiental, que deve empregar 114 funcionários, entre engenheiros e topógrafos, com prioridade de contratação de mão de obra da região. No estudo, serão analisados, por exemplo, os impactos socioeconômicos e ambientais, além dos pontos negativos da obra, como danos das espécies ameaçadas de extinção, e aumento da emissão de poeira.

Representando o prefeito José Luiz Antunes, a secretária de Meio Ambiente, Carmem Motta disse que o município estava passando por um momento ímpar. “Sei que o desenvolvimento precisa acontecer, mas o meio ambiente precisa ser preservado”, avaliou.

A Autopista Fluminense também promoveu outras duas audiências públicas, no município de Silva Jardim, na terça-feira (17), e em Casimiro de Abreu, na quarta-feira (18).