Alfonso Martinez

Resolver a situação precária em que se encontra o antigo prédio da Estação Ferroviária, localizado em frente à Praça Astério Alves de Mendonça, no coração da cidade, tem sido, nos últimos meses, um desafio incessante para o chefe do Executivo de Rio Bonito, José Luiz Alves Antunes. O prefeito já formalizou inúmeros pedidos à Ferrovia Centro-Atlântica para que ela ceda o espaço para a municipalidade ou então para que realize obras de melhorias no prédio, que se encontra abandonado e servindo de moradia para andarilhos e moradores de rua, mas até o presente momento não obteve resposta.

Desde 2005, José Luiz já foi várias vezes a Brasília, para tentar resolver a situação junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para onde ele também já encaminhou vários ofícios solicitando uma solução para o problema.

De acordo com o prefeito, o prédio abandonado pela FCA passa uma imagem negativa da cidade, já que ele está localizado bem no Centro e ao lado da rodoviária municipal, onde chegam muitos visitantes. Outra preocupação de José Luiz é com a saúde da população local, já que no prédio e no seu entorno também proliferam roedores e mosquitos, atraídos pela água parada e pela sujeira acumulada.

– O prédio está comprometendo a saúde pública, pois há risco de dengue e leptospirose para a população – reitera o prefeito, acrescentando que nem a limpeza do mato ao longo da linha férrea a FCA quer fazer, “o que nos obriga a limpar e roçar toda aquela área, gerando despesas para a Prefeitura”. José diz que não entende porque a FCA ainda não apresentou uma solução para o problema, já que, segundo ele, o ramal não é mais utilizado pela empresa. – A FCA não opera mais para essa região e até o pátio de manobras está desativado. A Prefeitura de Rio Bonito poderia urbanizar toda aquela área, usando parte dela para fazer um estacionamento – comenta ele, se referindo a outro problema que a cidade tem enfrentado nos últimos anos, com o seu crescimento: a falta de estacionamento na região central.

A privatização

A Ferrovia Centro-Atlântica S.A. obteve a concessão da Malha Centro-Leste, pertencente à Rede Ferroviária Federal S.A., no leilão realizado em 14/06/96. A empresa iniciou a operação dos serviços públicos de transporte ferroviário de cargas em 01/09/96. Atualmente o DNIT é responsável por apenas 1% da malha. O restante está concedido à iniciativa privada, ficando sob responsabilidade da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fiscalizar e regular as concessionárias. No trecho que corta Rio Bonito, costumam passar apenas ‘carros’ de manutenção da empresa, que fazem reparos em alguns pontos do ramal ferroviário da região.

Como o ramal não é mais utilizado para o transporte de cargas (nem de passageiros), alguns motoristas acabam estacionando seus veículos sobre os trilhos, causando transtornos para as unidades de manutenção, como o ocorrido na semana passada, no Centro da cidade, que exigiu a presença de guardas municipais e policiais militares no local, conforme foi noticiado na edição do último sábado (14).