Na manhã da última quinta-feira (14) foram dinamitados na Serra do Sambê, em Rio Bonito, nove fornos clandestinos que produziam carvão ilegal vegetal. A quinta Operação Curupira deste ano, da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA) e coordenada pela Coordenação Integrada de Combate a Crimes Ambientais (Cicca), com apoio dos soldados do Batalhão Florestal (BPFMA), apreendeu cerca de 850 quilos de carvão. O resultado da ação gerou muita repercussão na imprensa do Estado, já que o desmatamento no local não é um problema recente.
Próximo aos fornos achados no meio da mata, também foi encontrada uma espingarda de caça, calibre 36. Segundo o coordenador da operação, o coronel da Polícia Militar, José Maurício Padrone, apenas para a localização dos pontos de queima da madeira, foram necessários dois meses de investigação, que foi iniciada a partir de uma denúncia.
Ele esclareceu que os fornos foram escavados em barrancos para dificultar a localização, e a fumaça ficava encoberta entre as copas das árvores, atrapalhando assim, a investigação. Para que forno atingisse a capacidade de produção de 200 quilos de carvão, eram queimados 500 quilos de madeira nativa durante 20 horas.
“Os fornos estavam em locais de difícil acesso. Para chegarem até o lugar, os fiscais precisaram fazer extensas caminhadas, e os explosivos tiveram que ser levados em helicópteros”.
Apesar dos quase 40 homens envolvidos na operação, ninguém foi preso. “Não foi preso ninguém, porque é difícil flagrar o cidadão fazendo o carvão. Eles desmatam de madrugada e colocam a madeira nos fornos e deixam queimar por horas. Depois eles descem o carvão no lombo dos burros pelo meio da mata fechada, então é complicado flagrar”, disse Padrone.
Embora a ação de quinta-feira não ter resultado em prisões, de acordo com o coordenador, em três meses de operação, 15 pessoas foram presas. Elas poderão responder por crime ambiental, por destruir a floresta, e também deverão ser multadas. A pena não será restritiva de liberdade, mas em caso de reincidência, eles serão presos.
Segundo a polícia, a operação teve o objetivo de coibir o desmatamento no Estado, que tem a produção de carvão para fins comerciais, como causa principal.
“Trabalhamos em conjunto, de forma harmônica com o Governo do Estado. Temos o maior interesse em coibir estes criminosos. Não vamos deixá-los acabar com este local”, disse o delegado da Polícia Federal, Jerônimo José da Silva Júnior, que também participou da operação.
Operações contra os carvoeiros
04 de maio - As ações da Cicca, Inea e BPFMA estouraram fornos clandestinos utilizados na produção de carvão vegetal na Serra do Sambê. No local, que já vinha sendo monitorado, foram apreendidas uma tonelada de carvão ilegal (50 sacos de 20 quilos cada) e uma arma de caça calibre 28. Ninguém foi preso.
30 de abril - Foi encontrada na Serra do Sambê uma tonelada de carvão vegetal.
30 de maio - Policiais do BPFMA estouram um depósito clandestino de carvão vegetal, na Estrada da Guaxindiba, 122, em São Gonçalo, onde foram apreendidas 13,5 toneladas de carvão, produto da extração irregular de árvores nativas também da Serra do Sambê.
20 de agosto - Foi encontrada na Serra do Sambê uma tonelada de carvão vegetal, armas e munições.
10 de setembro - Foram encontradas no Jardim Catarina, em São Gonçalo, 70 toneladas de carvão vegetal e três elementos foram preso.