Lívia Louzada
O décimo terceiro salário é um benefício concedido a trabalhadores com carteira assinada, mas para muitos, é uma salvação para a quitação de dívidas ou pagamento de contas de fim de ano. Há ainda, aquelas pessoas, que vêem o dinheiro como uma possibilidade de consumo desenfreado. Para saber mais sobre os hábitos dos riobonitenses, a reportagem da FOLHA DA TERRA foi as ruas de Rio Bonito para perguntar o que alguns trabalhadores farão com o dinheiro do décimo terceiro salário.
A maior parte dos entrevistados disse que pagará contas, e os tradicionais presentes de fim de ano, ficarão para o ano que vem. Um exemplo é o técnico de informática, Cassiano Fonseca, de 32 anos, morador do Rio do Ouro. Ele disse que deve guardar apenas uma pequena parte do dinheiro que receberá.
“Acho que vou guardar só uns 20 a 30% do décimo terceiro, porque o resto vou usar para pagar o IPVA da moto e do carro, e o IPTU. E como não tenho o hábito de comprar presentes mesmo, não gastarei com isso”.
Quem também conta que usará o dinheiro para pagar o IPVA e o IPTU este ano, é o frentista Sinval da Silva Júnior, de 37 anos, morador de Tanguá. Segundo ele, uma grande parte do seu décimo terceiro salário, será destinado a sua mãe.
“Esse ano vou usar quase todo o dinheiro para pagar a minha mãe, pois peguei emprestado porque precisava fazer um investimento. O resto do dinheiro usarei para pagar as contas, IPTU e IPVA”. Ao ser perguntado se iria comprar presentes de Natal, Sinval brincou, dizendo que estava a disposição de quem quisesse lhe dar presentes, mas que ele não iria comprar presentes para ninguém neste Natal.
Receber presentes ao invés de presentear também é a ideia do zelador Paulo Ribeiro, de 52 anos, morador do Centro de Rio Bonito. Ele afirma que já gastou todo o dinheiro do benefício com a reforma da sua casa. “Todos os gastos já estavam planejados desde o início, por isso, esse ano não vou dar presentes, quero apenas receber”.
O investimento para o futuro também é o destino do décimo terceiro da vendedora Rafaele Barros, de 24 anos, moradora do Centro. Ela conta que a primeira parcela do salário foi todo guardado no banco, mas a segunda, ela fará compras.
“Coloquei no banco porque estou pensando na construção da minha casa, já que estou namorando há seis anos, e ele também faz a mesma coisa. Com a segunda parcela, comprarei presentes apenas para as crianças da minha família, e material para o curso de cabeleireiro que estou fazendo”.
Economista dá dicas
Nossa reportagem procurou o economista Gustavo Abrahão e pediu dicas de como as pessoas poderiam aproveitar melhor o décimo terceiro salário. De acordo com ele, a forma como cada um gerencia o benefício, depende da necessidade e salário do trabalhador.
“Se a pessoa tiver dívidas, o melhor é negociá-las com a empresa, e tentar pagá-las à vista, pois evitará os juros. Se sobrar algum dinheiro, é melhor guardar, pois no início do ano, sempre há contas a pagar, principalmente quem tem filhos, pois precisará fazer a matrícula e comprar material escolar, mas o ideal seriam as pessoas pouparem de 15 a 20% do salário”.
Gustavo ainda incentiva a população a comprar na cidade, pois segundo ele, a economia é aquecida, e o dinheiro acaba circulando. “A economia da cidade funciona como um efeito multiplicador. Funciona da seguinte forma: uma pessoa compra em uma loja de chocolate, por exemplo; o dono dessa loja compra uma camisa em outra loja da cidade, e assim por diante; o gasto no comércio circula”, diz Abrahão.