Lívia Louzada

No mês de julho nenhum caso do golpe conhecido como “saidinha de banco” foi registrado na 119ª Delegacia de Polícia de Rio Bonito. A notícia foi dada, na reunião do Conselho Comunitário de Segurança de Rio Bonito, realizada na última segunda-feira (01), na Câmara de Vereadores, pelo comandante da 3ª CIA da Polícia Militar de Rio Bonito, tenente Arthur, e enfatizada pelo subcomandante do 35º Batalhão de Itaboraí, tenente-coronel Ramiro, na por conta do novo esquema de policiamento na cidade. A ausência de representantes do Ministério Público na reunião, a utilização de policiais militares à paisana, e os reflexos da implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, na segurança de Rio Bonito, foram outros assuntos abordados na última reunião do CCS.

Após a notícia da taxa zero de ocorrências de “saidinha”, em Rio Bonito, que segundo o subcomandante é um reflexo do trabalho de prevenção que vem sendo implantado, a bióloga Elaine Mendonça, que estava na plateia, sugeriu aos representantes da Polícia Militar, que fossem colocados, em dias de pagamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), policiais à paisana nas ruas.

Em resposta, o subcomandante disse que apesar de ser uma boa ideia, tecnicamente a tática é falha, pois já teve a experiência de colocar em prática essa estratégia em outro Batalhão, e o trabalho não funcionou.

“O policial militar não tem que agir no momento do delito, ou logo após ter acontecido o delito, a presença do policial é para evitar o delito. Enquanto trabalhava no 17º Batalhão da Ilha do Governador, depois de uma sugestão como essa chegar, pegamos dois ou três policiais, em trajes civis, e colocamos onde estavam tendo muitas “saidinhas de banco” contra os aposentados. Os policiais foram lá, houve a tentativa de furto ao aposentado, e de imediato os policiais agiram. Houve briga entre o policial e os dois meliantes, que culminou com o idoso caindo no chão, e fraturando o fêmur. Então eu achei que isso não valeria mais a pena. É mais importante o policial fardado ser visto pelo bandido, e ele (o bandido) ser desestimulado a praticar o delito, do que pessoas saírem feridas”, enfatizou.

Apesar de ter sido respondida, a bióloga não gostou muito do que ouviu. Segundo ela, as realidades do bairro (Ilha do Governador) e da cidade de Rio Bonito, são diferentes, assim como as circunstâncias das ocorrências, por isso, sua sugestão deveria ter sido considerada. “A impressão que tive, foi como se tivessem jogado um balde de água fria na minha sugestão. Sequer foi considerado o que eu falei. Foi falado logo um não”, criticou Elaine.

Mais uma vez a ausência de representantes do Ministério Público foi notada e comentada no encontro, embora o presidente do Conselho, José Balbino, tenha explicado que todos os meses o convite para as reuniões seja enviado para o MP.

O subcomandante Ramiro também abordou outro assunto na reunião, como os impactos do Comperj em Rio Bonito. Segundo ele, sendo um macaense, pode dizer, com tristeza, sobre como sua cidade natal se transformou nos últimos anos depois que a Petrobras chegou ao município. Ele sugeriu que a população cobre da Prefeitura e da petrolífera, estudos de impacto, mais estrutura para os munícipes, incluindo mais segurança, e capacitação para o preenchimento de vagas de emprego.