Lívia Louzada

Na quinta-feira (11), a FOLHA DA TERRA recebeu uma denúncia de dois moradores do bairro Rio do Ouro, em Rio Bonito. O aposentado José Renato Rimes, de 48 anos, e o pintor Pedro Domingos Espindola, de 50 anos, que moram há 4 e 6 anos, respectivamente, na Rua Valcir Emilio Cézar, reclamam que o trecho não possui pavimentação e saneamento básico. Eles contam que o problema se arrasta há quase 20 anos, e que já procuraram a Prefeitura diversas vezes, mas até hoje o problema não foi resolvido.

De acordo com Pedro por causa da falta de água encanada, os moradores são obrigados a construírem poços artesianos de no mínimo 16m, já que o terreno possui muitas pedras, e ainda assim, muitas vezes a perfuração é em vão, pois a água encontrada tem gosto de ferrugem.

Como se não bastasse os problemas com a água, a ausência de infraestrutura também atinge o sistema de esgoto, que na rua, é precário, já que foi improvisado por um dos primeiros moradores. Segundo José Renato, como a estrutura não é boa, quando os canos entopem, a parte mais baixa da rua fica alagada com a água do esgoto. O problema, que já se tornou frequente no lugar, segundo os dois moradores, causa mau cheiro e pode gerar doenças, já que a água suja fica parada por dias em frente as casas.

Por causa da falta de pavimentação (a rua é de terra batida), quando chove os moradores são obrigados a andarem na lama. “Me sinto como se estivesse morando em um sítio, pois quando lavo meu carro, e saio de casa, ele (o carro), já fica todo sujo de novo”, conta José Renato.

Ainda segundo o aposentado, o mau cheiro da rua não é gerado apenas pelo problema do esgoto. Quem mora nas casas que ficam no início da rua, tem que conviver com o cheiro gerado pelo lixo que é jogado em um terreno vazio. De acordo com Pedro, restos de obra, animais mortos e todo tipo de entulho são depositados no local, por moradores de outras ruas do bairro, sem que nenhum órgão da Prefeitura tome qualquer providência.

“Eu peço para que as pessoas não joguem o lixo lá, mas ninguém respeita, eles falam que todo mundo joga, então podem jogar também. Ultimamente a gente nem vê mais eles jogando, pois fazem de madrugada”, desabafa Pedro.

O vizinho José Renato completa. “Nossa intenção é que o prefeito veja, e faça alguma coisa pela gente. Estamos pedindo socorro. Não é possível, ele está fazendo obras em um monte de ruas, não é possível que ele não possa fazer a nossa”.

A reportagem da FOLHA foi até a Rua Valcir Emilio Cézar e entrevistou o pedreiro Gelson Brito, de 57 anos, que há 15 mora na localidade. Segundo Gelson, apesar de ter aspecto de abandonada a rua possui iluminação pública e coleta de lixo. “Não sei porque isso acontece só aqui na nossa rua. O Rio do Ouro é um bairro tão bom, é tudo asfaltado, temos de tudo aqui, mas só a nossa rua está do jeito que está”, disse o pedreiro.

A mesma sensação de abandono, tem o aposentado José Renato, que desabafa. “Nosso medo, é que entra e sai prefeito, e isso não se resolve”.

Solução pode

demorar
A FOLHA procurou o secretário Municipal de Obras, Eleilton Figueiredo, para verificar se há projeto para a Rua. Segundo ele, existe um projeto de pavimentação e drenagem pronto, mas não há previsão para a obra começar este ano. O secretário disse ainda que a obra na rua não é simples, pois o trecho possui problemas topográficos, ou seja, uma parte da rua é um morro, e a outra tem o nível mais baixo que a Rua Gregório Pinto (rua transversal).