Lívia Louzada
Na última quinta-feira (27), Rio Bonito recebeu a visita do sociólogo e especialista em segurança pública e gestão integrada do Ministério da Justiça, Luís Fiori. Ele conheceu o projeto de construção do Centro de Inteligência, o trabalho de capacitação dos guardas municipais, e foi levado pelo vice-prefeito Matheus Neto, o chefe da Guarda Municipal, sargento Soares, e o procurador geral do município, Leandro Weber, à sede da Defesa Civil e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do município. Segundo Matheus, o especialista veio ao município como consultor.
“Ele (Luís Fiori) é mais uma cabeça pensante para nos ajudar na caminhada pela segurança pública municipal. A partir da nossa conversa, aprendi que o termo segurança pública, tem um conceito bem mais amplo do que guardas e policiais na rua. A segurança pública tem que ter a participação de todos os agentes públicos que interferem na questão, ou seja, as linhas de emergência da Defesa Civil, do SAMU, do 190 da Policia Militar, e até do sistema de educação, tem um papel fundamental no contexto da segurança”, disse Matheus.
De acordo com Fiori, um dos motivos de sua visita a cidade, é acompanhar, como os municípios no entorno do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro estão se organizando para os possíveis efeitos que o empreendimento possa ter em relação a segurança pública.
“Foi criado no Conleste (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense) a Câmara Temática de Segurança Pública, que coordena e envolve todos os municípios que sofrem influência do Comperj. Eles estão debruçados nesse assunto, e nós do Comitê Local do Estado do Rio de Janeiro, do Ministério da Justiça, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, acompanhamos isso por demanda deles”, disse o especialista.
Segundo Fiori, é preciso que se busque uma segurança pública com cidadania, vendo a questão da prevenção, não somente quando o problema está instalado. Ele disse ainda que a capacitação e aperfeiçoamento que os guardas municipais vem tendo, e a Central de Vídeo-monitoramento que o município já possui, fazem parte desse pensamento de prevenção.
“Não acho que Rio Bonito esteja com a violência batendo às portas, mas não é preciso esperar a violência bater às portas para se organizar, pelo contrário. A ação preventiva é fundamental, a organização prévia, prevenir os possíveis riscos é fundamental. É isso que a gente chama de uma política de segurança pública com cidadania”, afirmou.
Ao ser indagado, que os índices de violência da cidade, que vão para o Instituto de Segurança Pública, podem não refletir a realidade do município, Luis Fiori falou sobre a necessidade das pessoas fazerem o registro de ocorrência.
“O âmbito municipal, estadual e federal, estão sendo chamados, cada vez mais, para atuarem de forma integrada, independente da cor partidário-política que tenham, isso é necessário. Mas é fundamental a população se conscientizar a registrar, pois isso gera indicadores. O dado é frio, mas permite a gente analisar indicadores do porque aquilo (o crime) estar acontecendo em determinados lugares, e em outros não”, explicou Fiori.