Flávio Azevedo
Criado há 10 anos, foi comemorado ontem, dia 20 de outubro, em todo mundo, o Dia da Osteoporose. A comemoração objetiva esclarecer e prevenir a população contra esse mal. Considerada um grave problema de saúde pública, ela é uma das mais importantes doenças associadas ao envelhecimento. De acordo com estudos, a incidência em mulheres mostra que as fraturas osteoporóticas são quatro vezes mais comum que as doenças coronarianas, sete vezes mais que os AVC (Acidente Vascular Cerebral) e oito vezes mais que o câncer de mama. Atualmente, a osteoporose acomete mais de 20 milhões de brasileiros, particularmente mulheres após a menopausa e homens a partir dos 60 anos.
A grande preocupação das duas maiores autoridades médicas do país, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Sociedade Brasileira de Otologia (SOB), são os tombos sofridos pelos idosos. O problema social gerado por esses incidentes é tão grave, que essas entidades estão trabalhando unidas, desde o último dia 27 de setembro, em uma campanha de informação chamada: Campanha de Prevenção a Quedas na Terceira.
Segundo os médicos, os principais motivos dessas quedas estão nas “armadilhas” do próprio ambiente doméstico: casas com piso irregular, tapetes, fios no meio do caminho, escadas sem corrimão, ambiente mal iluminado, e outros, são responsáveis por grande parte das internações e mortes - de forma direta ou indireta - na terceira idade.
O ortopedista Amirton Correia de Sá, médico do Hospital Regional Darcy Vargas, de Rio Bonito, diz que “com o passar do tempo a osteoporose acomete qualquer pessoa”. Para ele, a doença é a principal causa das fraturas em idosos e a melhor maneira de evitá-la é com a prática de exercício físico.
– A osteoporose é uma doença que fragiliza os ossos, por isso, é importante desde cedo a prática de exercícios físicos, um hábito que deve ser praticado durante toda a vida. A osteoporose é responsável pela grande incidência das fraturas nos idosos, principalmente as fraturas de colo de fêmur, achatamento de vértebras, traumas menores e em algumas ocasiões até fraturas espontâneas que acontecem após o menor esforço --frisa.
Predisposição das Mulheres
Segundo os especialistas, o aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis hormonais do organismo. O estrógeno – hormônio feminino – ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea. As mulheres são as mais atingidas pela doença, porque na menopausa, os níveis de estrógeno caem bruscamente. Com isso, os ossos ficam frágeis pois incorporam menos cálcio. Para cada quatro mulheres, somente um homem desenvolve a doença.
Amirton afirma que um dos fatores que contribuem para a mulher ser mais predisposta é o fato de sua atividade física ser menos intensa que a dos homens, e que os exercícios devem ser praticados desde a infância.
– O trabalho do homem geralmente é mais pesado, e dessa maneira, acontece um fortalecimento dos seus ossos, por isso, a mulher precisa – principalmente após a menopausa – de atividades como a hidroginástica. É uma atividade excelente porque os traumas são mínimos. A osteoporose é de caráter irreversível, e uma vez instalada não é difícil fazê-la regredir, mas para conseguir um resultado favorável, os exercícios físicos devem começar desde a escola primária. Se as pessoas agirem dessa maneira, as reposições hormonais serão dispensadas -- alerta o ortopedista.
Medicação e alimentação
Sobre o uso de medicações, o médico disse que ajudam no tratamento, porém não são essenciais. “Aquele que está na terceira idade tem que praticar uma atividade física. O ideal são os alongamentos e exercícios aeróbicos. O idoso pode praticar sem medo, porque os profissionais sabem que a carga de exercícios para um indivíduo de 60 anos não é a mesma de um jovem de 20 anos”, ressalta.
Com relação a alimentação, o ortopedista aconselha: “Tem que ser rica em cálcio, como: leite, seus derivados e o brócolis, que é a verdura mais rica em cálcio. Eu aconselho o uso abusivo dessa verdura”, recomenda.
Niemeyer é uma nota discordante às estatísticas
Muitos pacientes com fratura de quadril (20%) morrem devido a esta fratura, por complicações durante a cirurgia, ou mais tarde por embolia e problemas cardiopulmonares. Dos restantes (80%) dos pacientes que sobrevivem, cerca de 50% ficam com graus variáveis de incapacidade, dependendo de muletas, cadeiras de rodas, bengalas, perdendo assim qualidade de vida. Um caso recente que ilustra bem o problema foi o incidente ocorrido com o arquiteto Oscar Niemeyer, que aos 92 anos de idade sofreu uma queda em sua casa, no Rio de Janeiro, no último dia 09 de outubro, fraturando o quadril.
“Quando um idoso cai e fratura um osso, as conseqüências para a sua saúde são imediatas. Fisicamente, ele perde sua capacidade de mobilidade, a independência, e pode ter inúmeras complicações associadas à fratura. Psicologicamente, o dano pode ser ainda maior. Muitas vezes a queda assume um significado de decadência e fracasso, com sentimentos de vulnerabilidade, humilhação e culpa”, declara Dr. Henrique Mota, que além de ortopedista é presidente do comitê de osteoporose e doenças osteometabólicas da SBOT. “O mais triste é que esses acidentes poderiam ser evitados com a prevenção e alguns cuidados básicos de segurança”, conclui o ortopedista.