Lívia Louzada
Absolvida. Essa foi a sentença dada a Adriana Almeida, às 2h do último sábado (03), no Fórum de Rio Bonito. Não só ela, mas outros três réus, que eram acusados de ajudar a viúva da Mega Sena, a planejar a morte de René Senna – a professora de educação física Janaina Oliveira, e os policiais militares Marco Antônio Vicente, e Ronaldo Amaral, o China – foram absolvidos por maioria de votos do júri popular. A sentença, que foi lida pela juíza da 2ª Vara de Rio Bonito, Roberta dos Santos Braga, após cinco dias de julgamento, foi comemorada pelos advogados de defesa, e ouvida com espanto, pela acusação, que desde o início do julgamento, tinha como certa, a condenação de Adriana.
A viúva, ao ser abraçada por seus advogados, chorou copiosamente, e teve que ser amparada e colocada em uma cadeira, pois aparentava ter perdido as forças nas pernas, com a emoção da notícia. Adriana não quis falar com a imprensa, mas a reportagem da Folha ouviu sua amiga Graciane Santiago, que estava bastante emocionada com a sentença. “Estava confiante em Deus, porque ela sempre falou comigo, que não havia feito nada e que não haviam provas contra ela. Passei a semana toda assistindo, e torcendo, confiante na vitória, e hoje estou alegre porque Deus assinou a vitória dela”, disse Graciane.
A professora de educação física Janaína Oliveira, que também foi absolvida, disse à reportagem da Folha, que se sentiu realizada, com a sentença do júri. “Foram cinco anos aguardando esse momento, cinco anos aguardando que a justiça fosse feita por mim. Tive muita fé, pedi muito a Deus, e tinha a certeza de que Deus iria me dar essa vitória, e graças a ele isso aconteceu. Não tive medo em momento algum porque só falei a verdade. Tinha convicção da minha inocência, e eu sabia que o júri ia ouvir meu depoimento e acreditar em mim”.
Ao ser perguntada se iria mover uma ação contra o Estado por ter ficado presa por mais de um ano, Janaína disse que ainda não havia pensado na questão, e que apenas queria comemorar sua vitória. Já Ronaldo Amaral, disse que deve se reunir com seus advogados, e pensa em processar o Estado pelo tempo que, “injustamente”, ficou na prisão. “Eu sofri muito com essa acusação injusta. Vou exigir meus direitos à mesma Justiça que me inocentou”, disse.
O policial militar Marco Antônio Vicente saiu do Fórum, acompanhado da esposa, com semblante emocionado, e sem dar declarações a imprensa. Já a ex-cabeleireira Adriana Almeida saiu do Fórum acompanhada de parentes, amigos e seus advogados, por volta das 2h45, sob os olhares dos curiosos que ficaram calados com sua saída. Bem diferente da recepção de horas antes, quando chegava no Fórum, para o último dia de julgamento. Por volta das 13h, a viúva havia sido vaiada por dezenas de curiosos que esperavam sua chegada.
O advogado de Renata Senna, filha de René, Marcus Rangoni, se retirou do Fórum assim que a juíza leu a decisão, sem falar com a imprensa. O mesmo fez a família de René, quando ouviu a sentença. A promotora Priscila Naegelli, que havia pedido a condenação de Adriana, e absolvição dos demais réus, disse que o Ministério Público irá recorrer da sentença. “Não cabe outra atitude do Ministério Público. Respeito a decisão deles (dos jurados), porém não concordo, por isso vamos recorrer. Não acho que faltaram provas, até porque se faltassem provas, eu pediria absolvição da Adriana, como pedi dos outros réus. Vou me empenhar para que o recurso seja julgado o mais rápido possível”, disse a promotora.
Ao contrário das palavras da promotora, o advogado de Adriana, Jackson Rodrigues, disse que os jurados absolveram sua cliente por falta de provas. “Acabou-se a mentira e as falcatruas. Não havia provas contundentes, as provas eram absolutamente falhas, não demonstravam nenhuma participação dela (Adriana)”, comemorou o advogado.