Lívia Louzada
A opinião da população riobonitense não é de se estranhar. Desde a morte do ex-lavrador, René Senna, no dia 7 de janeiro de 2007, após ele ganhar, sozinho, cerca de R$ 52 milhões em 2005, os moradores da cidade se revoltaram e Rio Bonito virou notícia em todo o Brasil. Quando o julgamento foi iniciado, na tarde de segunda-feira (28), até o dia do veredicto (3), a Rua Desembargador Itabaiana de Oliveira, rua do Fórum, foi bloqueada para a passagem de veículos.
Jornalistas de todas as mídias (inclusive com links móveis de transmissão ao vivo da Globo, Record, Rede TV e Band) , acompanharam todos os dias de julgamento, chegando, em alguns momentos, a ocupar metade dos quase 80 acentos da sala do júri. Estudantes de Direito, advogados, curiosos, e até integrantes do júri que condenou o ex-policial militar Anderson Silva de Souza e o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira (por executarem Renné), também acompanharam o julgamento.
Nos quatro anos de processo, segundo a juíza, foram ouvidas cerca de 70 pessoas, e nos quatro dias de julgamento 17 testemunhas falaram sobre o caso. Até mesmo os integrantes do Poder Judiciário, no último dia de julgamento, falaram da satisfação de poder fazer parte de um caso histórico, chegando a comparar o assassinato de René, ao caso Nardoni.
“É com muita honra que estou participando desse julgamento. Vocês (se referindo aos jurados), estão fazendo parte da história de Rio Bonito, e acredito que em minha carreira, nunca mais vou participar de um julgamento assim. Não há em Rio Bonito, alguém que não saiba, pelo menos, alguma coisa sobre esse caso, que daria um enredo de um filme”, disse a promotora Priscila Naegelli.
Já a juíza Roberta Costa, antes de prolatar a sentença, disse que “esse foi um julgamento histórico. Acredito eu, que não só para a Comarca de Rio Bonito, mas para o Estado do Rio de Janeiro. Eu, pelo menos, não tenho lembrança de um julgamento tão longo, com tanta curiosidade, tanto interesse da população, como esse. Até mesmo no caso da Isabella Nardoni (não houve tanto interesse da população)”, disse a juíza, acrescentando que “acho que os jurados são representantes da sociedade, e se eles decidiram pela absolvição, creio veementemente, que a sociedade irá respeitar a decisão, que afinal de contas foi tomada com bastante serenidade”.