A Comédia da Vida Privada

Dias atrás, Max Gehringer comentava no Jornal da CBN, que em determinadas áreas o mercado profissional está saturado. O trabalho na área de Comunicação Social, por exemplo, está botando gente pelo ladrão. De acordo com o comentarista, esse segmento caminha de mãos dadas com cursos direcionados à saúde, como: Psicologia, Enfermagem, Fisioterapia, Educação Física, Serviço Social, etc. Segundo Gehringer, esses mercados além de seletivos, exigem um constante preparo, porém, a quantidade de profissionais disponíveis deixa os patrões à vontade para escolherem os melhores, os mais preparados, com a tranqüilidade de poder substituí-los a qualquer momento. Situação diferente ocorre nos cursos que exigem conhecimentos matemáticos. Nessa área, os empregadores estão contratando sem sequer ver o currículo do candidato, e em muitas ocasiões esses contratados sequer se formaram.
Entre essas áreas saturadas, porém, Gehringer esqueceu de mencionar o “segmento do crime”. Alguém pode estar pensando que eu enlouqueci, mas analisem comigo. Na última segunda-feira (23), todos os jornais noticiaram uma das ocorrências mais tristes e hilárias dos últimos tempos. A página policial contava a experiência do engenheiro Eduardo Teixeira, de 35 anos, que acompanhado de sua irmã, a publicitária Luciane Pinheiro, de 31 anos, foi assaltado duas vezes, na Tijuca, na noite do último sábado (21), em um período de três minutos. Os irmãos estavam acompanhados do filho do engenheiro, de cinco anos, e vinham de uma festa infantil, quando passaram pelo local do assalto, para pegar uma adolescente de 14 anos, filha de Luciane, sobrinha do engenheiro.

Os produtores de filmes de comédia ficariam com inveja do diálogo dos bandidos. Veja só a história: Por volta das 21h40, uma dupla armada com revólveres rendeu a família, que estava no interior de um Astra preto. Um dos bandidos assumiu a direção e seguiu dizendo que logo seriam liberados. Cerca de três minutos depois, na próxima curva, o segundo roubo. Os dois ladrões que ainda recolhiam jóias, celulares, dinheiro e cartões de crédito das vítimas, tiveram o veículo cercado por três outros bandidos. O trio, que estava em um Peugeot branco, obrigou os dois criminosos a entregarem tudo, os pertences da família e até o boné de um dos bandidos do primeiro assalto.

A parte mais intrigante do assalto é a conversa dos bandidos. Ao ver o Astra cercado, um dos ladrões da dupla tentou argumentar: “Mas nós já estamos roubando aqui!”. Um bandido do Peugeot respondeu: “Não interessa. Aqui é a nossa área. Sai todo mundo do carro.” A dupla de assaltantes ‘assaltada’ fugiu, enquanto o trio abandonou o Peugeot, e prosseguiu no Astra de Eduardo, que foi encontrado no dia seguinte, abandonado na entrada do Morro do Borel, na Tijuca. Preciso continuar comentando o excesso de ‘profissionais’ no mercado?