Lívia Louzada

Morreu na segunda-feira 19 de dezembro, aos 71 anos o advogado, contador, professor e policial civil Wilson da Silva Belgues. Ele estava internado no Instituto do Câncer (INCA) em Vila Isabel, desde o dia 7 de dezembro. Há cerca de um ano, Wilson travava uma batalha contra o câncer, e há cerca de seis meses precisou usar uma sonda. Mas nem por isso, ele perdia o bom humor. Segundo sua irmã Nilza Belgues, mesmo internado e com dificuldade de se comunicar, ele não perdia a alegria e a irreverência.

“Temos que lembrar dele como um contador de piadas, e dos bons. Sempre falava que ele tinha que ir em um programa de concurso de piada porque ele era muito divertido”, disse Nilza, ao falar do irmão, que, como ela, sempre atuou na política. Wilson também já foi articulista da FOLHA.

Segundo Nilza, até mesmo a maneira como Wilson morreu refletia seu modo de ser, tranquilo. “Ele morreu como um passarinho, dormindo. E por coincidência, no mesmo dia em que estava previsto para que tivesse alta”.

De acordo com ela, além de engraçado, o irmão era uma pessoa justa, humana e sempre pensava nos mais necessitados. Nilza lembra que quando eram crianças, as vezes ele chegava em casa sem camisa, e quando sua mãe o indagava, ele dizia que tinha encontrado uma outra criança na rua, que precisava da camisa mais do que ele.

A carreira
Na juventude, Wilson serviu ao Exército por quatro anos, e em seguida entrou para a Polícia Civil, onde trabalhou como investigador na Delegacia de Roubos e Furtos, no Rio de Janeiro, e depois nas Delegacias de Rio Bonito, Silva Jardim, Saquarema, Casimiro de Abreu e Macaé, por 37 anos. Ele também chefiou o Serviço de Investigação em algumas Delegacias, e no final da carreira, foi promovido a Comissário de Polícia (o cargo mais alto em uma Delegacia, depois do delegado). Substituiu, por diversas vezes, os delegados nas cidades por onde passou. Aliás, a função de delegado, Nilza diz ter sido a única que Wilson quis, mas não conseguiu exercer.

Wilson Belgues era formado em Contabilidade e Direito, este último curso pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas, em 1973. De acordo com a irmã, “ele era advogado somente para entender de leis para ajudar aos pobres”.

Ele ingressou na carreira política no início da década de 70, sempre focando suas ações na ajuda aos mais necessitados. Foi vereador nesta época por duas vezes, chegando a ser presidente da Casa no segundo mandato. No final da década de 90, foi secretário de Planejamento no primeiro mandato da ex-prefeita Solange Almeida. Segundo Nilza, os eleitores de Wilson eram pessoas pobres, que gostavam dele porque ele os ajudava, mesmo não sendo candidato.

Quando exerceu a função de professor, no Colégio Municipal Dr. Astério Alves de Mendonça, Wilson conheceu sua segunda esposa, Mônica, que na época era sua aluna, e com quem viveu por cerca de 30 anos, até falecer.

O que poucas pessoas sabem, é que o multifacetado Wilson, estava escrevendo um livro, “Relações Humanas – A Técnica de se Lidar com Gente”. No prefácio, ele falava da sua intenção com a obra: “Queremos mostrar aos que querem subir na vida, que todos somos capazes de ser o que quisermos ser, tudo dependendo única e exclusivamente de nós mesmos. Vamos mostrar que as pessoas, mesmo sendo pobres, podem galgar os mais altos cargos que se apresentarem diariamente”.

Ao final, Wilson se despede como se já soubesse de sua partida: “Eu adquiri uma doença do câncer, onde sinto que não vou ficar para semente. Sei que em muito breve, vou descansar no Campo Santo, porém, deixo escritas estas linhas para que os meus parentes e amigos reflitam sobre tudo que escrevi. Vou tranquilo para outro mundo, e de uma coisa tenho certeza, vivi com muita alegria, e deixo saudades para os que me cercam. Me considero um homem feliz, não deixo fortuna como herança, mas lembranças daquele homem que sempre tratou todos com amizade e carinho”.

Wilson deixa 10 filhos, 22 netos e três bisnetos.