Lívia Louzada
IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), matrícula de escola e de faculdade, cartão de crédito e material escolar. Para a maior parte da população brasileira, esses impostos e gastos, pagos normalmente no início do ano, significam não só a saída de um bom dinheiro, mas um rombo no orçamento. Para que as pessoas consigam pagar suas contas, os bancos já começaram a disponibilizar linhas de crédito personalizadas. A intenção é que o cliente use o empréstimo para quitar as contas à vista, e tenha um prazo mais longo para pagar o empréstimo.
Quando começa um novo ano, boa parte da euforia do recebimento do 13º salário vai por água abaixo quando as pessoas se deparam com a quantidade de gastos que precisarão ter. Algumas escolas optam pela pré-matrícula, uma forma de garantir o preenchimento de vagas e para os pais, uma boa maneira de não gastar um valor alto da matrícula de uma só vez. Mas a compra do material escolar não tem jeito, tem que ser feita todos os anos, e lá se vai uma boa parte do salário.
Para os que fazem faculdade, o gasto também é alto, não só na matrícula, mas também na compra de livros. Dependendo do curso, como os das áreas de saúde, por exemplo, um único livro pode chegar a custar mais que um salário mínimo (R$545,00).
Além dos gastos com a educação, não se pode esquecer do IPTU e IPVA. Para o IPTU as Prefeituras dão um bom desconto no pagamento, o que também acontece com o IPVA, que se for pago em cota única, o proprietário pode ganhar até 10% de desconto. Além de todos esses gastos, o brasileiro também não pode esquecer de quitar aquelas dívidas já conhecidas, como a do cartão de crédito, aluguel, transporte, conta de água, luz e telefone.
Com tudo isso para pagar, não é de se estranhar que as pessoas entrem no vermelho na hora de quitar as dívidas. Segundo o balconista Carlos Henrique Oliveira, de 36 anos, quando passam as festas de fim de ano, “o tormento chega. É tanta coisa para pagar, que dá vontade de ficar no ano que passou”, ironiza.
Mas há quem já tenha aprendido a planejar os gastos e não se assuste mais com as contas. Um exemplo é a professora aposentada Sônia Maria da Silva, de 63 anos. Ex-professora de matemática, Sônia conta que não fica no vermelho para pagar as contas, e que acha simples fazer o planejamento dos gastos.
“É fácil pagar tudo sem ter que ficar sem dinheiro no fim do mês, o problema é que as pessoas não querem parar para pensar nos gastos de janeiro, quando recebem o 13º. Só pensam em gastar em presentes de Natal. Sempre fiz uma programação de tudo que tinha que gastar, e se a coisa fica apertada, ninguém ganha presente de Natal, mas as contas ficam em dia”, se orgulha a professora.
De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular, parece que muitos brasileiros estão fazendo como a professora Sônia, preferem pagar suas dívidas e não gastar além do que ganham. Segundo a pesquisa, quase metade do 13º salário vai ser usado para quitar dívidas, e 29% do dinheiro, para fazer compras ou viagens neste mês. Ao todo, cerca de 18% do 13º salário, vão ser poupados neste ano.
Segundo o economista Messias Mercadante, a antiga dica de quitar as dívidas à vista continua valendo, mas ele aconselha começar pelas dívidas mais antigas, que são exatamente as que estão gerando juros mais altos. Em seguida ele aconselha planejar os gastos e reservar pelo menos de 20% a 25% do salário todo mês, para que não haja problemas futuros.
Mas se não tem jeito, e o trabalhador já está no vermelho, o economista sugere que seja feito um empréstimo, e assim tudo seja pago, já que os juros, nesse caso, são menores que os do cartão de crédito.
Já o economista Gustavo Abrahão condena o empréstimo. Segundo ele, se não tiver outra alternativa e a pessoa já estiver no vermelho, o ideal é procurar o banco, conversar com o seu gerente e pegar um empréstimo consignado, em que as parcelas da dívidas, são descontadas em folha. Mas apesar das dicas, ele adverte: “a gente (economistas) não tem fórmula de bolo, e as pessoas já sabem que o ideal é fazer um planejamento dos gastos”.
Segundo ele, uma alternativa para as pessoas não pegarem empréstimo, é tentar negociar algumas dívidas e pagar as que não tem negociação primeiro. “Se a pessoa tem alguma dívida no comércio local, é bom tentar negociar, mas aquelas que não tem conversa, como o cheque especial, e alguns impostos, não tem jeito, a dívida tem que ser quitada imediatamente”, alertou.
Para as pessoas que pretendem pagar algumas contas a vista, o economista indica prestar atenção se há descontos no pagamento. Se não houver diminuição no preço da conta à vista, o melhor é pagar a prazo. “Dinheiro de amanhã vale mais do que hoje, e atualmente, em muitos lugares, estão preferindo facilitar a divisão, do que dar desconto no valor a vista”.