Lívia Louzada

No último dia 21/01 (sábado), Rio Bonito entrou para a história da medicina brasileira, já que foi a segunda cidade do país, a realizar o procedimento, não cirúrgico, conhecido como Denervação Renal Transcateter, utilizado em pacientes hipertensos refratários, portadores de doença renal crônica. A intervenção aconteceu no Hospital Regional Darcy Vargas, e foi realizada com sucesso, em dois pacientes, pela equipe do cardiologista Márcio Kiuchi, de 31 anos. O procedimento já é feito em outros países, como Alemanha, Suíça, Austrália e Holanda, mas até então, no Brasil, só havia sido feito na Universidade de São Paulo.

Os pacientes que foram submetidos a intervenção, eram hipertensos refratários, ou seja, tinham pressão alta, e tomavam, pelo menos, três remédios em doses máximas toleradas. Eles também eram portadores de doença renal crônica. De acordo com o cardiologista Márcio Kiuchi, “muitas das vezes, os pacientes hipertensos, especialmente os portadores de doença renal crônica, são resistentes as medicações, mesmo com a associação de várias substâncias anti-hipertensivas”.

Ele ainda explicou que sem o efeito dos medicamentos no organismo do paciente, a função dos rins fica prejudicada, quadro que acontecia com seus pacientes submetidos ao procedimento. De acordo com o cardiologista, a intervenção funciona da seguinte forma.

“É feita uma punção da veia, e outra da artéria (femoral direita ou esquerda), sendo introduzido um cateter de ablação na artéria renal. Lá, são feitas cauterizações que bloqueiam a ação dos nervos renais. Ao término do procedimento, são retirados os introdutores e o cateter, não ficando qualquer material no interior do corpo do paciente”.

Segundo Márcio Kiuchi, o paciente fica internado apenas 24h, e o procedimento dura, em média uma hora, em seguida é feito um curativo compressivo, e o paciente é encaminhado para o quarto e depois recebe alta. O médico explica que esse tipo de procedimento bloqueia os nervos dos rins, e não tem mostrado complicação grave vascular ou renal, cerca de dois anos depois da intervenção feita.

Recuperação
De acordo com o médico, a Denervação Renal Transcateter é a última opção para os pacientes, quando os medicamentos não dão resultado. A melhora já pode ser percebida de três a seis meses após a intervenção, já que a pressão arterial começa a diminuir, e consequentemente, a ingestão de remédios também. “Nesse procedimento, todo mundo ganha, o paciente principalmente, que começa a tomar menos remédio”.

Além dos resultados, a recuperação também é bem rápida. Segundo o cardiologista, em uma semana, a pessoa que se submeteu a intervenção, já pode praticar esportes, por exemplo.

O estudo
Em outros países, o procedimento já é feito há cerca de dois anos e meio, segundo o médico, mas no Brasil, a técnica começou a ser difundida há apenas seis meses. Sabendo do novo procedimento, o cardiologista e os outros sete médicos, que formam a equipe da qual ele faz parte (Dr. Nilson Araujo, Dr. Claudio Munhoz, Dr. Hécio Carvalho, Dra. Olga Ferreira, Dr. George Maia, Dr. Jocemir Lugon e Dr. Tetsuaki Kiuchi), começaram a acompanhar os estudos mundiais, e a desenvolver o trabalho no Rio de Janeiro.

Segundo o Dr. Márcio, antes de realizar o procedimento em Rio Bonito, ele fez treinamentos na França e na China, onde utilizou a técnica em cerca de 30 pacientes. “Quando tivemos a oportunidade de fazer o procedimento, planejamos para que tudo pudesse ser feito aqui em Rio Bonito. Foi muito bom poder realizar esse procedimento nos meus pacientes, e é por isso que escolhi esta área (a cardiologia), porque me permite ter em mãos, um arsenal terapêutico muito grande para tratar dos meus pacientes”, disse o médico.

Quem também ficou feliz com a realização da inovação, foi o presidente do Hospital Regional Darcy Vargas, Luis Gustavo Martins, que se disse satisfeito pelo projeto escolher o Hospital para realizar o procedimento no Estado do Rio. A intervenção foi feita com o aval do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“A escolha (do Hospital), é um atestado de capacidade que ganhamos, e isso é muito importante, pois é a base do nosso trabalho, dar o local adequado, para que os médicos possam trabalhar. Isso vai de encontro ao que a gente vem realizando, que é ser reconhecido pela excelência e qualidade. E ter a UTI no Hospital, foi mais um suporte que conseguimos dar a equipe, apesar de não ter sido usada”, disse o presidente.