Lívia Louzada
O Carnaval nem terminou direito, e já tem gente pensando no leão, mas não o símbolo da escola de samba, e sim o do Imposto de Renda. Na próxima sexta-feira (24), os contribuintes já poderão baixar os programas para preencher e enviar a declaração, que deve ser entregue de 1º de março a 30 de abril, apenas através da internet ou de disquetes, que podem ser adquiridos nas agências do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Os formulários de papel foram banidos desde 2010. Quem passar do prazo e não fizer a declaração, pode pagar uma multa mínima de R$165,74.
Em 2012, a Receita Federal espera receber cerca de 25 milhões de declarações, já que em 2011, foram 24,37 milhões. Para este ano, a RF também confirmou que os valores dos limites de isenção, do abatimento linear para quem faz a declaração simplificada, e dos valores das deduções para dependentes e para Educação, foram corrigidos em 4,5%.
Segundo informações, a antecipação da data para baixar os programas tem o objetivo de impedir o congestionamento no site da Receita. Nos anos anteriores, os contribuintes só podiam baixar no primeiro dia de envio da declaração, o que provocava acúmulo de acesso no site, e por isso a data para adquirir o programa foi antecipada.
Quem já faz a declaração pela internet, já tem seus dados salvos no programa, e ganhará mais tempo na hora de preencher o formulário. Os especialistas da área sempre dão a dica para que as pessoas enviem o quanto antes a declaração, pois assim a restituição sairá mais rápido, embora haja preferência na declaração de idosos.
Para quem ainda tem dúvidas se precisa, ou não, fazer a declaração, a Receita informa que só são obrigadas a apresentar a declaração, pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 23.499,15 em 2011, ano base da declaração 2012.
Experiência
Com mais de 30 anos de experiência no ramo da contabilidade, o contador Walmyr Figueiredo conta que algumas mudanças feitas pela Receita, são bem vindas, como a declaração online, mas ainda acha pouco a dedução de 4,5%. De acordo com o profissional, as declarações na internet facilitam a vida da pessoa, pois o próprio programa já faz os cálculos automaticamente. Mas apenar da facilidade, ainda encontra pessoas que gostavam da declaração feita em formulários de papel.
Segundo Walmyr, apesar das facilidades, ele ainda acha abusivo o limite máximo para dedução de gastos com a educação, por exemplo. “O governo não oferece escolas de qualidade, e por isso as pessoas tem que colocar seus filhos em escolas particulares, e mesmo assim não podem deduzir. Isso é um absurdo. Imagina quem tem um filho que estuda medicina em uma faculdade particular, e paga cerca de R$24 mil por ano, e só pode deduzir cerca de R$3 mil? Isso não é nada”, avalia o contador.
Apesar de seu escritório já ter feito cerca de 500 declarações num mesmo período, Walmyr dá algumas dicas para as pessoas que querem fazer a declaração em casa. Segundo ele, a primeira é fazer com atenção, sem interrupções, nem pessoas falando ao lado. A segunda é antes de começar, juntar todos os documentos necessários e colocar ao lado.
A terceira é consultar o formulário caso tenha alguma dúvida, ou então procurar informação com quem entende do assunto, para que não seja preenchido errado e a pessoa não tenha problemas. E a quarta e última dica, é para que as pessoas não deixem para fazer a declaração para a última hora, pois a possibilidade de erro pode ser maior.
Exemplo
Um exemplo de quem segue as dicas dadas pelo contador, é o corretor de seguros Vitor Borges, que sempre fez sua declaração sozinho. O corretor também aprova a mudança da declaração online.
“Sempre fiz minha declaração, e nos últimos anos melhorou muito, o programa usado é bem explicativo, e fazer pela internet é bem melhor do que no papel, porque o próprio sistema já corrige se a pessoa preencher algo errado. Acho isso ótimo, porque já evita de você cair na ‘malha fina’, por um erro”, explica.
Além disso, o corretor também concorda com o contador quando o assunto é a porcentagem de dedução no imposto, e completa dizendo porque a porcentagem deveria, pelo menos aumentar.
“Há três anos, apenas, a Receita Federal vem fazendo correções, mas ao longo dos anos, ficou um bom período sem fazer, então acho que deveria ser feita uma compensação desses anos. Deveria aumentar a porcentagem, mesmo que fosse acima da inflação, por conta dos anos que ficou sem corrigir, mas o governo não quer abrir mão da arrecadação”, avalia o corretor.